29 nov
Viseu

Joaquim Alexandre Rodrigues

OPINIÃO

Memes para covidiotas

Saúde versus economia? Taiwan, uma ministra que sabe o que quer

21 de novembro de 2020, 08:00

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O combate à pandemia tem um impacto devastador nas actividades que precisam da mobilidade e do gregarismo das pessoas, como, por exemplo, o turismo, a “noite”, os espectáculos. Mas será que acontece o mesmo na economia vista como um todo? Os países que descuraram a frente sanitária saíram-se melhor na frente económica? 

Os números do segundo trimestre deste ano, período em que aconteceu a primeira vaga da Covid-19, respondem a estas duas perguntas com um rotundo não. Espanha, Reino Unido e Peru, os três países com maiores trambolhões no PIB, estão também nos lugares cimeiros na mortalidade; pelo contrário, Lituânia, Coreia do Sul e Taiwan, os três países com menores quedas na economia, tiveram baixa mortalidade.
O Peru é uma desgraça. Acaba de conhecer três presidentes numa semana. E, já se sabe, quando a cabeça não tem juízo o corpo é que paga: tem a terceira maior mortalidade do mundo e a maior queda do PIB.
Taiwan é o país com melhor performance, com bons indicadores económicos e indicadores sanitários excelentes: desde o início da pandemia só teve, ao todo, 609 infecções e sete mortos, numa população de 23,8 milhões de pessoas.

Uma das grandes responsáveis pelo sucesso de Taiwan é a sua ministra digital, Audrey Tang, de 39 anos, “hacker cívica, anarquista conservadora e transgénero”, há quatro anos no governo a aplicar uma política de transparência absoluta da informação. Ela contou tudo o que está a ser feito numa entrevista ao Folha de S. Paulo:
— tecnologias tradicionais (sabão, álcool-gel em todo o lado, controlos de temperatura, higienização);
— testes gratuitos de acesso livre, quer nos operadores públicos como nos privados;
— hotéis de isolamento para visitantes ou para quem não tem condições em casa;
— rastreamentos de casos pelos telemóveis, deslocações monitorizadas e cercas sanitárias electrónicas aos quarentenados;
— mapas online de todas as farmácias com os respectivos stocks de máscaras; em cada quinzena, cada adulto pode recolher nove máscaras e cada criança dez a preços subsidiados;
— vouchers de estímulo económico (600 euros mensais a quem perdeu rendimentos por causa da peste) geridos com a mesma tecnologia;
— muita atenção e rigor na comunicação.
Uma curiosidade: Taiwan tem uma rede de cem pessoas para responder, em poucas horas, a qualquer boato ou lixo anti-científico que esteja a viralizar nas redes sociais. E isso é feito com memes engraçados.
Era bom termos cá algo parecido. A ver se diminuía a reprodução de covidiotas.

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