18 jan
Viseu

Paulo Catalino - Médico

OPINIÃO

Para onde vamos?

12 de janeiro de 2021, 17:00

CLIPS ÁUDIO

Estamos onde desde o início esperámos nunca chegar… 

Registamos, há 4 dias consecutivos, cerca de 10.000 casos positivos por COVID-19 por dia. 

Nos últimos 4 dias tivemos um número de infectados superior à totalidade de infectados durante toda a chamada “primeira vaga” e ontem tivemos também um infeliz record de mortes… 111 pessoas perderam as suas vidas devido à COVID-19. 

Os números de novos casos de pessoas infectadas por COVID-19 nestes últimos dias são absolutamente incomportáveis para o Sistema Nacional de Saúde. 

Não há outra forma de o dizer: os hospitais estão à beira da ruptura. Todos. De norte ao sul do país.  Os profissionais de saúde estão exaustos. Mas os números não param de aumentar. 

No nosso Concelho infelizmente não é diferente, nos últimos dias quadruplicamos o número de pessoas infectadas com COVID-19 e encontramo-nos a escassos números da centena de casos activos

A par disso contabilizamos as primeiras mortes de Carregalenses provocadas pela COVID-19, fazendo disparar ainda mais sinais de alarme. 

Uma boa notícia que tenho para vos dar é o início da vacinação dos profissionais do Centro de Saúde, começando um caminho que chegará a todos, esperemos que no mais curto espaço de tempo possível.

Acredito que a vacina é segura, é eficaz, inclusive para a nova estirpe do vírus, e todos os que podem têm o dever de a tomar, criando um cordão de segurança que permita a imunidade de grupo tão esperada.

A vacina é esperança. A única que surgiu ao longo do último ano, a única que, até ao momento, podemos reputar como válida e que nos pode devolver a normalidade de outros tempos. 

Depois deste esforço da comunidade científica e do extraordinário trabalho concertado da União Europeia, tomar a vacina é um verdadeiro acto de solidariedade e responsabilidade social. 

Numa altura em que, com o início da vacinação em Portugal, poderíamos sentir a esperança de ver a luz ao fundo do longo túnel que temos vindo a percorrer nos últimos 10 meses, corremos o sério risco de perder um sem número de vidas totalmente evitáveis. 

Para tudo existe uma solução na vida, com excepção da perda de vidas. É o único bem irrecuperável e é aquele que nos deve merecer todo o sangue, suor e lágrimas para o manter. 

Na minha qualidade de médico é isso que faço e sempre farei todos os dias da minha vida. Mas nesta luta, todo o sangue, suor e lágrimas, de todos os profissionais que estão envolvidos nesta causa, não são o suficiente para evitar o descontrole que estamos a assistir. 

É imperioso que se tomem medidas e muito embora ainda não tenha sido decretado um novo confinamento, o que certamente será feito a breve trecho, todos, sem excepção, devem limitar as deslocações de casa ao estritamente essencial e, se tiverem MESMO de sair, cumpram escrupulosamente as medidas de distanciamento social, o uso constante da máscara, a lavagem regular das mãos e a etiqueta respiratória. Não é demais lembrar que todos podemos estar potencialmente infectados e dessa forma infectar outras pessoas, mesmo enquanto não se apresentam sintomas.

Não podemos relaxar nas medidas de proteção, o preço a pagar é muito alto.

Quem se protege, está a proteger os outros. Cada vez que não se respeita uma medida, põe-se em risco a vida de alguém.

Nesta fase tão difícil tenho que deixar uma palavra de solidariedade, mas também de disponibilidade, a todos os que neste momento estão a passar por uma situação de infecção por COVID-19. 

Infelizmente este número assustador de novos casos está directamente relacionado com o afrouxamento das medidas nas festas de final de ano. 

Ninguém deveria ficar doente por apenas ter desejado passar o Natal e Ano Novo com a família. 

Infelizmente o vírus não tira férias e precisamos todos, num derradeiro esforço de união, envidar esforços para reverter esta situação em que nos encontramos como se a nossa vida dependesse disso porque, não se iludam, a vida de todos nós pode efectivamente depender disso!

Cada pessoa que perdemos nesta batalha, com certeza era o grande amor da vida de alguém. Não sejamos mais cúmplices destas separações eternas.

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