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"Continuamos a alimentar um país com uma cabeça enorme e um corpo raquítico"

Conversa Central, Fernando Ruas
 

Conversa Central com Fernando Ruas

Programa completo


07-04-2019
 

As obras necessárias, reclamadas e há muito prometidas para o Hospital de Viseu continuam no avança e recua. A última novidade é que afinal o projeto para o Centro Oncológico só agora está a ser feito e só no próximo mês de maio vai ser entregue ao Governo. Esta é mais uma prova de que o interior do país continua esquecido?

Se até para estas necessidades básicas da saúde somos esquecidos e confrontados com diferentes justificações e respostas, só posso estar de acordo com o que disse, aqui neste mesmo programa, o antigo secretário de Estado socialista, José Junqueiro, de que é ensurdecedor o silêncio dos responsáveis do PS, partido do Governo. Já deviam ter esclarecido se há ou não vontade política para concretizar uma promessa que tem “barbas”.

Na última semana muito se ouviu falar dos descontos nos transportes públicos. Os autarcas queixam-se de os descontos no interior serem bem mais pequenos que em Lisboa e Porto. É uma boa ou má medida do Governo?

É uma boa medida, mas pode criar novas situações de discriminação entre o interior e o litoral. Não é ser contra, mas para ser uma boa medida não devia ter tratamentos desiguais entre as diferentes regiões do país. Estou de acordo com o que ouvi ao presidente do meu partido, o PSD, quando diz que a forma como a medida foi implementada pode levar ao aparecimento de três categorias de cidadãos. Os de primeira que estão em Lisboa, o cidadão do Porto e depois os do resto do país e que vivem no Portugal profundo. Isto não me parece bem, há muito tempo que se diz que um cidadão de Lisboa tem em média catorze vezes e meia o poder de compra de um cidadão de Penedono. É uma desproporção impressionante. E são medidas destas que agravam esta diferença. Mas esta parece ser uma realidade que o poder instalado em Lisboa não se cansa de implementar… 

É uma realidade a que temos que nos habituar?

Mais um exemplo, foi anunciada a construção de residências para estudantes do ensino superior. A maioria vai ser construída ou disponibilizada em Lisboa. Continuamos a alimentar um país com uma cabeça enorme, que está em Lisboa, mas com um corpo raquítico, que é o resto do país. Não é possível construir um país assim...

Uma realidade difícil de alterar…

Mais, se o país tivesse apenas regiões como a de Lisboa, não recebia fundos da comunidade, ainda tínhamos era que pagar. Mas depois o nosso Governo altera tudo. O dinheiro vem da Europa para as zonas menos desenvolvidas, para se fazer a coesão, mas em Portugal é desviado para as regiões já desenvolvidas de Lisboa e Porto.

É por isso que a linha de caminho de ferro nunca mais chega a Viseu?

Também, mas por outras coisas até mais absurdas. A ligação ferroviária Aveiro, Viseu, Vilar Formoso, não foi incluída no plano nacional de caminhos de ferro 2020, porque entre outros argumentos dizem que não é uma linha rentável. Bem, se fizermos apenas troços de caminho de ferro rentáveis nenhum no nosso país é rentável. Outra coisa que dizem é ser muito cara porque custa 900 milhões de euros, mas depois anuncia-se com facilidade três novas estações do Metro em Lisboa que custam 400 milhões de euros. É mais uma dualidade de critérios que esquece uma estrutura fundamental para uma vasta região do centro e norte do país. A juntar a tudo isto o plano nacional para a ferrovia 2020 é um “flop”. Dos 20 projetos anunciados, 19 estão atrasados, ou seja, da comunidade europeia há dinheiro disponível, mas nenhum projeto está a ser concretizado ou em dia.

A União Europeia voltou a abrir candidaturas para apoiar a instalação de Internet gratuita em espaços públicos. Esteve ligado à iniciativa como relator…

Na primeira fase das 120 autarquias portuguesas que se candidataram e viram os projetos aprovados oito são do distrito de Viseu. Espero que nesta segunda oportunidade outras apresentem a candidatura. É um projeto interessante que possibilita criar internet gratuita por wi-fi em espaços públicos, incluindo os edifícios das câmaras municipais, bibliotecas, museus, praças, espaços público, etc. Espero que mais autarquias do distrito de Viseu tenham apresentado a candidatura nesta fase que terminou na sexta-feira (5 de abril).

Outros assuntos abordados na Conversa Central: novas medidas de segurança rodoviária e contra políticas comerciais desleais aprovadas na comunidade europeia; o Brexit que deve acabar na saída sem acordo; o interior do país cada vez mais esquecido.

Nota: na próxima edição do Jornal do Centro, Fernando Ruas esclarece o relatório sobre o trabalho dos eurodeputados que o coloca no fundo da tabela.





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