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"É lamentável o silêncio do PS sobre os problemas do Hospital de Viseu"

Conversa Central, José Junqueiro
 

Conversa Central com José Junqueiro

Programa completo


31-03-2019
 

Esta Conversa Central com José Junqueiro foi gravada na última terça-feira (26 de março), antes de serem conhecidas as notícias de que o plano para o serviço de radioterapia do Hospital de Viseu irá ser conhecido em maio, numa afirmação já reafirmada pela ministra da Saúde, Marta Temido, na quinta-feira (dia 28), na Assembleia da República.

A ministra da Saúde veio dizer agora que afinal não existe projeto para o Centro Oncológico do Hospital de Viseu. Andamos todos a ser enganados?

Essa pode ser a primeira reação das pessoas. Fiquei muito surpreendido com o que disse a ministra da Saúde. Na prática é um atestado de incompetência ao antigo secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, que veio a Viseu colocar uma placa a anunciar um Centro Oncológico para o qual não havia sequer um projeto. É tudo muito surpreendente porque o Governo e o ministério da Saúde são os mesmos. Foi feio o que disse a senhora ministra.

Então a ministra tem razão quando diz que não há projeto?

O que havia era a proposta de construção de um edifício para instalar apenas a radioterapia, mas faltava um espaço de internamento. As pessoas sujeitas a este tipo de tratamentos ficam com as defesas diminuídas e não podem misturar-se com os outros doentes. Iam para onde? Sem essa ala de internamento, num período de gripe como houve este ano, o equipamento de radioterapia teria que ser parado porque não havia local “isolado” onde colocar os doentes em tratamento. É isso que um novo projeto recentemente concluído contempla. Irá ser apresentado durante o próximo mês de maio. É a este projeto que o Governo tem de dar andamento. Não basta comprar o aparelho de radioterapia. Agora não há desculpa para o Governo não financiar um projeto completo e que é necessário à região.

E sobre as urgências?

A questão da requalificação do espaço das urgências é uma questão diferente. Há projeto e a obra está entregue. O financiamento inicial era curto e foi corrigido. Passou de 1,4 para 4,5 milhões. Há fundos comunitários para pagar as obras. Falta apenas assinar a portaria que autoriza a despesa da comparticipação nacional. Penso que será resolvido em breve. Falta uma assinatura.

Os seus camaradas do Partido Socialista de Viseu não têm força para conseguirem que um secretário de Estado do Tesouro coloque a assinatura que falta?

Tem existido um forte silêncio perante esta situação que não devia acontecer, principalmente por parte dos deputados do Partido Socialista.

Não tem chovido e diz estar preocupado. Porquê?

Porque, lamentavelmente, nos esquecemos rapidamente do que vivemos há dois anos com uma forte seca e nada foi feito. Os autarcas da região, irresponsavelmente, a única coisa que souberam fazer foi desentenderem-se e não assegurarem o futuro do abastecimento de água. Continuo a defender que a solução da barragem de Girabolhos, que os autarcas deixaram cair pela troca de meia dúzia de euros, era a melhor solução. Espero que alguém com coragem recupere esse projeto que não serviria apenas para a produção de eletricidade como se disse. Tinha uma albufeira que garantia o abastecimento de água para esta região de Viseu por muitos anos.

Em Viseu acabaram os Jardins Efémeros. Era um festival que levava milhares de pessoas ao centro histórico da cidade...

Está tudo triste. É de facto uma tristeza, mas não vai haver festival. Vão-se atirar as culpas de uns para outros. Triste mesmo é que ninguém deu um passo para evitar este desfecho lamentável.

Confirmou-se Fernando Ruas fora da lista dos candidatos do PSD ao Parlamento Europeu. Almeida Henriques defende como prémio de consolação que Rui Rio, líder do PSD, indique Fernando Ruas como cabeça de lista dos deputados social democratas por Viseu à Assembleia da República. É uma boa sugestão?

Prémio de consolação não é uma expressão feliz. Embora tenha uma discordância política profunda com Fernando Ruas a vida dele fala por si, tem obra feita, quer se concorde ou não, e essa expressão não faz sentido.

O Tribunal Constitucional arquivou o processo contra o secretário de Estado da Juventude e Desporto, João Paulo Rebelo, por ter acumulado funções de governante com a de administrador de uma empresa de produção de mirtilos. Era o que estava à espera?

Acreditei desde o início na boa fé e explicações que João Paulo Rebelo deu na altura, dizendo que não sabia da incompatibilidade. Fico satisfeito e penso que ele sai reforçado deste processo.

Outros temas abordados na Conversa Central: As decisões das agências de rating e as perspetivas da economia portuguesa; os primeiros incêndios florestais com os meios de combate ainda desativados; a decisão do Tribunal Constitucional que vem repor o valor das reformas atribuídas em 2013; o relatório Robert Mueller que iliba Trump nas relações com a Rússia





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