A OUVIR 98.9 FM
           00:00:00 | 00:00:00        
      
  
 
        

"Em campanha os partidos têm a obrigação de assumir os compromissos para o futuro do interior"

Conversa Central, Jorge Coelho
 

Conversa Central com Jorge Coelho

Programa completo


12-05-2019
 

A crise criada com as propostas para a contagem de todo tempo de serviço dos professores que foi congelado no tempo da Troika. Como acompanhou essa situação?

Com enorme preocupação. Ainda nos lembramos dos momentos difíceis porque passou o nosso país e os portugueses, com a presença da Troika, para de um momento para o outro com decisões irresponsáveis, do PSD e CDS, se ponha tudo de novo em causa. Quem está na política gosta de resolver os problemas das pessoas e responder às suas reivindicações, mas acima dos interesse de uma classe ou organização têm que estar os interesse do país. Mas, pior ainda, neste caso os partidos da direita sabiam que estavam a prometer uma coisa que nunca iam pagar. São decisões destas que põem em causa a credibilidade da política e dos políticos.

A decisão do primeiro-ministro, de ameaçar demitir-se, está certa?

Não podia ser outra para defender os interesses globais do país. Felizmente que tivemos um primeiro-ministro, assim como uma opinião pública no geral, contra este modo de fazer política onde tudo se promete, para não cumprir, e que põe em causa o futuro do país.

E como fica a credibilidade da política quando os portugueses percebem que os professores na Madeira e Açores vão receber o que é negado aos professores do continente? No mesmo país há professores de primeira e de segunda?

Como sabemos os orçamentos da Madeira e Açores são autónomos. Nesse caso estamos perante valores que os orçamentos das regiões autónomas podem incorporar. Não podemos comparar o que é incomparável. Eles também têm travões orçamentais. Se o estão a fazer é porque o podem fazer e se calhar tiveram cortes noutras áreas.

No futuro, se houver regionalização no continente poderemos assistir a situações idênticas?

Os professores do Algarve terem o tempo todo contado e os da Região Norte não? Não são coisas comparáveis. Isto acontece porque as Regiões Autónomas da Madeira e Açores já têm esses poderes.

Algum dia vai ser possível restituir todo o tempo de serviço congelado aos professores?

Penso que nos próximos largos anos não. E, depois, há ainda a questão de como se poderia aceitar a contagem do tempo de serviço congelado só para os professores. E os outros milhares de funcionários públicos e portugueses que também viram as suas carreiras congeladas durante a Troika? Quando se contar o tempo para uns tem que ser para todos.

Que efeitos pode ter este episódio nas eleições europeias de maio e legislativas de outubro?

Os eleitores vão lembrar-se que pessoas são estas, do PSD e CDS, que negociaram o que negociaram no Parlamento que põe em causa o futuro do país e a credibilidade do país lá fora.

O Presidente da República que habitualmente fala com regularidade sobre todos os temas da atualidade, ficou em silêncio. Até quarta-feira, 8 de maio, dia em que tivemos esta conversa, Marcelo Rebelo de Sousa não se tinha pronunciado. Surpresa?

O assunto era de tal gravidade que ninguém estava à espera de uma decisão dessas e apanhou as pessoas de surpresa. O Presidente da República fez bem em gerir a situação com silêncio porque parece que com o recuo do PSD e CDS a crise criada por estes partidos fica resolvida.

De que forma e como é que a região pode tirar proveito do debate que se vai fazer para as eleições do Parlamento Europeu e Assembleia da República?

Há que fazer o balanço do que foi prometido, o que foi concretizado e o que se propõe para o futuro. As campanhas eleitorais são importantes porque os partidos têm a obrigação de assumir os compromissos para o futuro. Temos que saber a que se dispõem os partidos para melhorar a vida de quem vive no interior. São períodos em que a opinião pública, também no interior do país, deve estar atenta para reclamar o que se considera necessário para aumentar a qualidade de vida e as coesão social em todo o país.

Que futuro para a Europa se no Parlamento Europeu for reforçada a presença dos grupos de extrema direita se são contra a atual organização da comunidade europeia?

A Europa deve mobilizar-se para que essa possibilidade não se torne realidade. A Europa Social que esteve na base da constituição da Comunidade Europeia são valores cada vez mais importantes à volta dos quais os povos europeus se devem unir. Tem que haver um maior consciencialização, mais transparência e abertura para que as pessoas se sentiam motivadas a participar mais porque a abstenção nas eleições europeias é sempre muito elevada. 

Outros assuntos tratados na Conversa Central: os efeitos da crise dos professores na governação do país e o futuro da “geringonça”.





  • 2002 - 2019 - Jornal do Centro é uma marca registada da Legenda Transparente, lda
  • Desenvolvido por: WLC.PT