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"Espero que este abanão que levou dentro do PSD mostre a Rui Rio que estava no caminho errado"

Conversa Central, Almeida Henriques, fim de semana
 

Conversa Central com Almeida Henriques

Programa completo


27-01-2019
 

Numa altura em que se discute a transferência de competências, o que a Câmara de Viseu já aceitou?

Na área do estacionamento, nas lojas do cidadão, até porque estamos neste momento com o processo de transferência da Loja do Cidadão para o Mercado Municipal e porque estamos, também, a construir dez novos espaços. Temos também a competência na vertente da habitação e o património público sem utilização. Estas são para já as quatro áreas que aceitamos. Há outras em que temos de nos preparar para elas e conhecer o pacote financeiro.

Fala do património que pertence ao governo e que a autarquia está disposta a receber?

Sim, há um já que está sinalizado. O espaço em que esteve a GNR e queremos ali instalar o Tribunal do Desporto. Há outro junto à Pousada. Para já são estas as duas situações identificadas.

Com tantos espaços livres, porque razão então colocar o arquivo municipal numa igreja?

A seu tempo irei explicar o que vai ser o arquivo municipal. O arquivo distrital municipal é um projeto que se mantem em vigor. A Casa Amarela, que é propriedade da Câmara, vai ser ligada à vai ter os arquivos distrital e municipal. O que estamos a falar lá em cima é algo que explicarei nos próximos dias.

Escondeu o assunto?

Não. Eu acho que o pior defeito que se pode ter em política é a covardia. O PS teve acesso a toda a documentação que lá está e explica exactamente o que se pretende. Se foram enganados é porque não estudaram o dossier. O que lhes ficariam bem é terem assumido que votaram a favor. Quando fizer a consignação da obra perceberão que é a opção correcta do ponto de vista da gestão e marcará os próximos 50 anos.

Mas continua o projeto da Casa Amarela?

Sim, ele está praticamente concluido. A negociação com a Torre do Tombo está feita. O governo não quer investir um cêntimo no projeto, estamos a tentar enquadrá-lo no ponto de vista comunitário.

A última semana ficou marcada pela disputa interna no PSD e pela derrota de Luís Montenegro. O partido está preparado para os desafios eleitorais?

Eu acho que pelo menos isto teve um mérito e já está bem patente. O discurso de Rui Rio está diferente. Espero que este abanão que levou dentro do partido mostre que estava no caminho errado. Só há um caminho que é um discurso incisivo de oposição ao governo, um discurso que apresente uma alternativa credível aos portugueses e uma terceira vertente que é unir o partido e não aceitar perseguições a quem quer que seja. Na feitura das listas quer para as Europeias, quer para as Legislativas que não haja aqui um princípio de caça às bruxas ou que se constituam listas de facção.

Esteve ao lado de Santana Lopes e agora de Luís Montenegro. Custa estar do lado dos derrotados?

Eu não diria isso. Eu estou é sempre do lado das minhas convicções. Nunca ninguém viu o Almeida Henriques a ter uma posição tática que é o que muitos tiveram. Há muitos que estiveram a apoiar Rui Rio de uma forma indireta mas nunca fizeram o elogio do trabalho que ele fez ao longo deste ano. Há muitos que se fecharam em copas e não tomaram nenhuma posição. Eu não. Sou um homem de convicções e sempre que veja que deva intervir não me escondo atrás de biombos. Não me arrependo de nada. Estou no lado que um livre pensador como eu deve estar. Acho que o conselho nacional foi importante para a clarificação.

O que não está nada clarificado é o futuro do Reino Unido com o Brexit?

A derrota da Theresa May foi muito relevante. O que se segue agora é totalmente imprevisível. Há aqui grandes riscos sobre uma hipótese de uma saída descontrolada do Reino Unido sem acordo com a União Europeia. Este é o cenário mais provável e aquele que é pior para todos, sobretudo para nós europeus e nós portugueses que temos uma ligação muito forte com o Reino Unido.
É que há muitas questões: como é que vai ser a circulação de pessoas e bens de e para o Reino Unido, como vão ser as trocas comerciais e as regras fiscais e aduaneiros, como vai ser com os investimentos feitos ou a fazer por empresas? Como vai ser com todos os ingleses que vivem na União Europeia ou emigrantes a viverem no Reino Unido?
Nós temos empresários na nossa região que têm como destino o mercado britânico. Todos estão preocupados. Diria que estamos numa indefinição muito grande e que abala a União Europeia e à qual se junta alguma desaceleração da economia... tudo isto cria um conjunto de nuvens negras sobre a União Europeia e sobre Portugal que acabou de sair de uma crise, que não terá feito o percurso que deveria ter feito nestes três anos para se consolidar e poderá estar a ir frágil para algumas contrariedades que estão no horizonte.





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