A OUVIR 98.9 FM
           00:00:00 | 00:00:00        
      
  
 
        

Fernando Ruas: "Devia ter assinalado os dez anos de atividade do Teatro Viriato"

Conversa Central, Fernando Ruas, fim de semana
 

Conversa Central com Fernando Ruas

Programa completo


10-02-2019
 

A Câmara Municipal de Viseu assinalou os 20 anos de atividade do renovado Teatro Viriato com uma sessão evocativo em que estiveram presentes o ex-ministro da Cultura, Manuel Maria Carrilho, o coreógrafo Paulo Ribeiro, o encenador Ricardo Pais, e Paula Garcia, atual diretora-geral do Teatro Viriato. Como antigo autarca que reconstruiu o Teatro também foi convidado, porque não foi?

O meu nome foi colocado no programa sem ter sido abordado para isso. Mais tarde, num dos raros momentos, fui convidado por telefone pelo senhor presidente da Câmara de Viseu. O evento foi marcado para um dia, segunda-feira à noite, em que habitualmente tenho de estar em Bruxelas…

Teve conhecimento sobre o que lá foi dito?

Li o que saiu nos jornais. Sobre algumas coisas que se lá disseram não se terá sido muito claro. Foi dito, por exemplo, que também eu e a antiga secretária de Esatdo da Cultura, Teresa Patrício Gouveia, tivemos um papel relevante. Não foi relevante, foi determinante. O Teatro Viriato foi renovado enquanto fui presidente da Câmara, não foi mais ninguém. Antes de eu chegar à autarquia houve um espetáculo, organizado pelo Ricardo Pais, num armazém que funcionava no edifício do antigo teatro que havia ali. As obras de recuperação demoraram oito anos num processo muito difícil…

Difícil porquê?

Durante esses oito anos faliram três empresas que estiveram envolvidas nas obras de reconstrução, algumas de dimensão nacional e grande gabarito na altura. Quem acabou as obras foi uma empresa de Viseu, a Costa e Silva, e foi determinante. O projeto tinha algumas soluções técnicas, que diziam ser de difícil concretização, foi esta empresa de Viseu que as fez. Também é bom recordar que foi uma metalomecânica de Viseu, do senhor Alexandre Oliveira Pais, que fez a teia do palco, quando outras empresas vocacionadas…

O seu a seu a dono… é isso?

Não foi quem utilizou ou explorou de forma positiva o Teatro Viriato que foi a sua chave mestra.

Mas o projeto de reconstrução do Teatro Viriato não foi muito do seu agrado quando chegou à Câmara...

Não havia projeto. Havia, e bem, uma ideia que vinha da anterior administração do senhor engenheiro Carrilho. Projetar e fazer o trabalho pesado de reconstrução foi tudo na minha administração. Assim como a construção da Casa da Dança, entregue à Companhia Paulo Ribeiro, no prédio ao lado. Pelos visto isto também foi omitido. Se calhar devia ter sido assinalado apenas os dez anos de atividade do Teatro Viriato.

Receio de que a história seja apagada?

O seu a seu dono. Não quero louros. Fiz o que fiz com muito gosto. Sou viseense nascido e criado aqui e fico satisfeito com o que se faz na cidade, mas não se pode passar uma esponja no passado.

O Teatro Viriato sem apoio do Governo, só com o da autarquia, é viável?

Penso que não. Nesta altura não sei quanto custam os bilhetes, qual é a afluência de público, etc.. O protocolo que nós fizemos na altura com o poder central, com a secretária de Estado Teresa Patrício Gouveia e o ministro Manuel Maria Carrilho e quem devemos agradecer, foi muito importante para funcionamento do Teatro Viriato.

Paulo Ribeiro, antigo diretor do Teatro Viriato, disse nessa sessão evocativa que o Viriato precisa de um diretor criativo. Foi interpretado como um pedido para regressar depois de duas saídas para projetos em Lisboa que acabaram por encerrar ou de onde teve de sair. O Teatro Viriato deve estar recetivo a estes abandonos e regressos?

Fui eu que convidei o Paulo Ribeiro para primeiro diretor do Teatro Viriato. Fui eu também que o fui buscar de novo depois do fecho do Ballet Gulbenkian. Isso também não pode ser esquecido.
Tenho estima, sem ter relações de proximidade, pela atual diretora do Teatro Viriato que teve o cuidado de me convidar para uma sessão oficial que houve no teatro.
Não acompanho os pormenores da vida do Viriato, mas uma coisa eu sei: nem o Teatro, nem nenhuma instituição deste género pode ser utilizada como aeroporto, onde se aterra e descola a seu belo prazer. Tem de haver regras e estabilidade nos cargos de direção.

Outros assuntos abordados na Conversa Central: Regionalização e descentralização; a mensagem que passa aos jovens sobre o que é a Europa; a situação na Venezuela





  • 2002 - 2019 - Jornal do Centro é uma marca registada da Legenda Transparente, lda
  • Desenvolvido por: WLC.PT