A OUVIR 98.9 FM
           00:00:00 | 00:00:00        
      
  
 
        

José Junqueiro: "Estamos a andar para trás e não a caminhar para a frente"

Conversa Central, José Junqueiro
 

Conversa Central com José Junqueiro

Programa completo


28-04-2019
 

Nos últimos rankings sobre as melhores cidades para viver, visitar e investir, Viseu desceu em todos os parâmetros. Sinais preocupantes?

Devemos ter atenção porque indicam que estamos a andar para trás e não a caminhar para a frente. Quando a autarquia anuncia um novo paradigma para a economia local, mas vemos que há poucos negócios, menos investimentos, menos visitas e uma menor atratividade para viver em Viseu, devemos ficar atentos a estes sinais.

A descida nestes rankings pode acabar com a ideia de Viseu como a melhor cidade para viver?

Estes números não devem acabar com essa ideia. Mas é bom que as políticas públicas sejam avaliadas por estas empresas independentes para que o poder perceba como as coisas estão a evoluir e para não deixarem cair a ideia de que Viseu é uma cidade boa para viver.

Há algum fator que possa explicar estes números negativos para Viseu?

Houve em Viseu uma aposta na captação de empresas tecnológicas, e muito bem, mas isso não chega. Os grandes investimentos que geram mais mão de obra continuam a ir para os concelhos vizinhos onde as empresas têm melhores condições para se instalarem. É necessário, por isso, que os responsáveis autárquicos  olhem bem para os números destes rankings que ficam, de certeza, muito longe do que eles próprios pretendiam.

Viseu nunca teve grande capacidade para captar investimentos, principalmente indústria, que crie centenas de postos de trabalho. É uma questão estratégica ou falta de capacidade para atrair grandes empresas?

Se é uma questão estratégica é uma má estratégia. Devíamos captar mais empresas para a região…

Viseu também não pode ficar com tudo…

Mas também não pode ficar sem nada que possa alicerçar o volume de negócios e atratividade.

Números recentes confirmam também uma quebra acentuada no número de visitantes no Museu Nacional de Grão Vasco, em Viseu. Desde a comemoração do centenário, em 2016, tem sido sempre a descer. Há uma quebra na casa dos 50 mil visitantes. Mais um sinal negativo?

Tem que se alterar a estratégia para atrair mais gente ao museu. A instabilidade vivida na direção, com uma liderança provisória, após a saída do anterior diretor Agostinho Ribeiro, não explica tudo. A atual diretora, que tomou posse recentemente e por isso não tem responsabilidades nesta atual situação, veio dizer que também houve quebras nos museus x e y. Isso não pode ser justificação até porque também houve museus no país que cresceram no número de visitantes. O que não se compreende é a quebra acentuada que houve no nosso Museu Grão Vasco. E uma coisa é clara: não está a ser feito o que deve ser para manter o número de visitantes do museu.

Também há outra leitura que se pode fazer. O crescimento de visitantes no ano do centenário não foi um acréscimo sustentado, foi efémero?

Mas o desafio é esse. É manter o nível de visitantes conseguidos no centenário, para manter as organizações sempre no caminho da excelência. Podemos aceitar que o centenário provocou um pico de visitantes. Não se aceita que depois tenha havido a descida acentuada. Quem está a dirigir estes organismos públicos tem que ter estas preocupações e responsabilidades. Independentemente da análise política a valiação pública aí está, com os números que são claros.

A nova diretora do Museu Nacional de Grão Vasco fica desde já com a responsabilidade de aumentar os números para valores próximos dos conseguidos no ano do centenário que ultrapassou um milhão de visitantes?

Temos que lhe dar tempo para implementar políticas que possam inverter esta realidade. Cá estaremos para ver se resultaram ou não.

Os vereadores do PS anunciaram a apresentação de uma queixa ao Ministério Público por causa da nomeação de José Coelho, presidente da Junta de Repeses e São Salvador, para o cargo de chefe da Unidade de Atendimento ao Público da Câmara de Viseu. Nomeação que, como o Jornal do Centro noticiou há várias semanas, criou muita polémica entre os quadros superiores da autarquia que iriam ganhar menos que o novo diretor. Faz bem o PS levar o caso do combate político para a justiça?

Há uma clara incompatibilidade entre o cargo de presidente da junta e a função para a qual foi nomeado pelo presidente da Câmara de Viseu…

Mas o presidente da Junta já era funcionário da autarquia…

Mas agora passou a chefe de serviços e pelo que me dizem é incompatível com os cargos políticos de presidente da junta e membro da assembleia municipal. O tribunal irá decidir. É um direito que assiste à oposição. Penso que era uma situação desnecessária. Quem está em funções políticas tem que saber e cumprir as limitações que os cargos lhe impõem. 

Outros temas abordados na Conversa Central: como assinalar os 45 anos do 25 de abril e o aniversário do PS; a incerteza da vitória do PS nas eleições europeias; a eleição de um comediante para presidente da Ucrânia





  • 2002 - 2019 - Jornal do Centro é uma marca registada da Legenda Transparente, lda
  • Desenvolvido por: WLC.PT