A OUVIR 98.9 FM
           00:00:00 | 00:00:00        
      
  
 
        

"O mau funcionamento do urbanismo na Câmara de Viseu é da responsabilidade do PSD há décadas"

Conversa Central, José Junqueiro
 

Conversa Central com José Junqueiro

Programa completo


15-09-2019
 

O presidente da Câmara de Viseu veio queixar-se mais uma vez do mau funcionamento do Departamento de Urbanismo do município dizendo mesmo que é uma vergonha. Seis anos depois continua na mesma?

O que eu digo é que 26 anos depois tudo continua na mesma. Já na minha primeira campanha para as eleições autárquicas de 1993 um dos temas era o Departamento de Urbanismo. Depois em 1997, o candidato do PS na altura, José Manuel Oliveira, dizia que afastaria o responsável do urbanismo municipal porque os serviços não funcionavam. Portanto tudo na mesma ao longo destas décadas em que o poder autárquico é do PSD e em que o atual presidente da Câmara de Viseu, sempre teve influência enquanto deputado e presidente da Assembleia Municipal. Portanto não são apenas seis anos de responsabilidades são muitos mais. Ao longo destes anos ouviu as críticas públicas ao Departamento de Urbanismo e nada fez.

O Departamento de Urbanismo da Câmara Municipal de Viseu é um “polvo” difícil de dominar?

Exatamente. Quando agora o presidente da câmara se propõe digitalizar os processos e criar o atendimento com hora marcada, propostas antigas que nunca se concretizaram, está a querer mudar. Mas não pode apresentar-se como queixoso e admirado do mau funcionamento dos serviços de urbanismo porque foi parte do problema.

A ideia de que há vontade política para mudar mas que depois esbarra nos técnicos é uma realidade ou uma desculpa?

As duas coisas. Isto é um pouco como nos Governos. Há ministros e secretários de Estado que se deixam capturar pelas direções gerais dos ministérios. Ou se lidera uma equipa para utilizar os serviços que tem à disposição ou então passa a ser utilizado pelos serviços. Nas autarquias é a mesma coisa.

Mas para além dos problemas no Departamento de Urbanismo, que se arrastam no tempo, temos mais situações idênticas. O Rio Pavia, para o qual o PS veio apresentar um plano de revitalização é mais do mesmo. Há quantos anos ouvimos falar disto?

É mais um tema recorrente. Há muitas propostas. O problema de quem está no poder é não querer ouvir as oposições. Negar sempre essas propostas só prejudica as populações. Iniciou-se no tempo de Fernando Ruas a resolução do problema da ETAR de Vildemoinhos com a nova estrutura de tratamentos de esgotos em Faíl que foi inaugurada já com o atual presidente da câmara. No Rio Pavia podia fazer-se mais e melhor.

Mas também na política nacional não saímos do mesmo. Vem aí a campanha eleitoral para as eleições legislativas de 6 de outubro e os temas em agenda são os mesmos de sempre: IP3, portagens das antigas SCUT, ferrovia, obras no hospital de Viseu, radioterapia, etc. Os mesmo temas há décadas. Não saímos disto?

Um antigo primeiro-ministro dizia que todos estávamos de acordo que era preciso fazer e que só faltava era fazer. De facto na nossa região estamos todos de acordo com os problemas que é preciso resolver. Só falta mesmo é fazer. Este ruído em vésperas de eleições é o habitual.

A campanha não vai trazer nada de novo?

Esta campanha está muito morna. Como durante a legislatura não houve discussão e nem se provocou o debate a campanha é para cumprir calendário e tirar umas fotos com os militantes. 





  • 2002 - 2019 - Jornal do Centro é uma marca registada da Legenda Transparente, lda
  • Desenvolvido por: WLC.PT