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Misericórdia de Lamego: "Temos de garantir a sustentabilidade da instituição"

Centro Solidário, entrevista
 

Centro Solidário com António Marques Luís

Programa completo


14-04-2019
 

Criada a 21 de abril de 1519, a Santa Casa da Misericórdia de Lamego está a assinalar os 500 anos. Com as valências destinadas à infância e velhice mas também a pensar nas famílias mais desfavorecidas, a instituição apoia mais de 500 utentes e dá emprego a mais de 130 pessoas. O provedor, António Marques Luís, fala do trabalho desenvolvido.

A comemorar 500 anos de atividade, a Misericórdia de Lamego é das instituições mais antigas do país…

É sem dúvida a mais antiga do concelho de Lamego e ao nível do país é uma das 16 a 20 misericórdias que têm mais de 500 anos.

Em que circunstâncias surgiu a Misericórdia de Lamego?

Surgiu no reinado de D. Manuel I quando as misericórdias foram implementadas pela rainha D. Leonor pelo facto de nessa altura também se viver um tempo difícil a nível social devido aos homens que iam para os Descobrimentos e muitos não conseguiam regressar deixando a família desprotegida.

Qual foi a primeira valência da instituição?

A Misericórdia começou por acolher um hospital para leprosos e mais tarde construiu um hospital de raiz que funcionava onde agora é o Teatro Ribeiro Conceição. Unidade que esteve em funcionamento durante muitas décadas.
Valências que com o passar dos séculos se foram multiplicando… Obviamente… foi tomando conta de crianças que ficavam órfãs, muitos idosos que não tinham quem tomasse conta deles, existiu também a Sopa dos Pobres. Não podemos esquecer que durante muitos anos quase todos os hospitais eram das misericórdias cujo lema era, e ainda é, estar ao lado dos que mais precisam. Esses hospitais foram depois, em 1978, integrados no Serviço Nacional de Saúde (SNS), mas até essa data foram as misericórdias as grandes responsáveis pela assistência médica e medicamentosa à população.

Depois do hospital passar para a alçada do SNS, outras valências surgiram. Quais?

A partir de 1978 a Misericórdia de Lamego passou a dedicar-se aos idosos com o lar, também o lar de infância e juventude, creche e jardim infantil, o ser viço de atendimento temporário, mais recentemente ao serviço de apoio domiciliário e também fizemos protocolos na área do rendimento social de inserção e da Rede Local de Intervenção social em conjunto com a Segurança Social de Viseu.

A Santa Casa é uma das maiores empregadoras do concelho de Lamego…

Sim, é uma das maiores. Neste momento empregamos cerca de 130 pessoas.

Gerir uma instituição com esta dimensão é complicado…

Cerca de 50 por cento dos nossos funcionários estão abrangidos pelo salário mínimo nacional, que nos últimos anos tiveram um incremento enorme desse salário. Uma realidade que coloca diversas instituições numa situação preocupante ao nível financeiro. Não temos nada contra que o salário mínimo nacional sofra uma melhoria mas tem de haver contrapartidas, ou seja, se não houver um reforço dos acordos para incorporar os custos, o deficit vai-se acentuando progressivamente e torna-se insuportável.

De que forma é que a Misericórdia de Lamego está a assinalar os 500 anos?

O ponto alto das comemorações aconteceu no dia 12 deste mês de abril com a realização de umas jornadas e uma sessão solene. A noite ficou marcada com um espetáculo “Unidos pela Misericórdia”, aberto a toda a população com artistas do concelho. O dia 13 (sábado) ficou marcado por uma caminhada. As atividades prolongam-se pelo resto do ano, nomeadamente concertos, jornadas temáticas e jornadas sobre a importância histórica das misericórdias em Portugal ao longo destes 500 anos.

E qual seria o melhor presente para a Misericórdia de Lamego nestes 500 anos?

O melhor presente seria o ministro do trabalho e da Segurança Social rever alguns acordos e também inaugurarmos, em dezembro, a remodelação profunda do lar de idosos.

Como vê o futuro da instituição?

Se por um lado vejo o futuro com otimismo porque a Santa Casa tem dinamismo e tem valências capazes também por outro lado vejo o futuro com muita preocupação porque nos último ano tem tido algumas dificuldades do ponto de vista económico e financeiro e por isso poderemos ter de tomar algumas medidas que não serão aquelas que queríamos tomar. Uma coisa é certa, temos de garantir a sustentabilidade da instituição.





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