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Às 20h30 desta terça-feira, mais de uma centena de elementos da Guarda Nacional Republicana (GNR), da Polícia de Segurança Pública e da Guarda Prisional encontravam-se reunidos no Rossio, em Viseu.
A manifestação, que teve expressão um pouco por todo o país, principalmente nos grandes centros urbanos de Lisboa e Porto, teve como objetivo o protesto pela falta de condições financeira. Em causa está a atribuição do suplemento de missão aos elementos da Polícia Judiciária, no valor de cerca de 700 euros. Os profissionais da GNR, da PSP e da Guarda Prisional reclamam para si um valor igual, uma vez que, atualmente, o suplemento de risco destas forças de segurança ronda os 200 euros.
“A atribuição de um subsídio de risco à PJ que não foi atribuído às restantes forças de segurança. Nós somos os que correm o risco em primeiro lugar, somos a primeira linha de resposta e aqueles que enfrentam as situações, e acho que devíamos ser todos contemplados com o mesmo suplemento de missão”, afirmou Rui Sousa, coordenador do Centro da Associação dos Profissionais da Guarda. “O ministro [da Administração Interna] continua a dizer que às outras forças de segurança também foi atribuída uma valorização salarial, mas essa valorização salarial não foi para as forças de segurança, foi para a Função Pública no geral, que são 52 euros, e foi isso que nos foi contemplado”, disse ainda.
Junto da porta principal da Câmara Municipal de Viseu, quatro velas tinham sido acesas. Representavam, segundo explicou o militar da GNR que as acendeu, os “quatro anos que faltam para chegar à reforma”. “Neste momento temos recursos muito escassos na GNR. Temos uma frota envelhecida e falta de condições para conseguirmos desempenhar as nossas funções de forma correta e eficaz”, afirmou ainda um militar que optou por manter o anonimato.
No Rossio, foram vários os postos que estiveram presentes na sessão de vigília. Do lado da PSP, estiveram presentes elementos de Viseu e de Lamego. Do lado da GNR, marcaram presença membros não apenas de Viseu, como também de Lamego, Sernancelhe, Vila Nova de Paiva, Cinfães, Resende, Tarouca, Moimenta da Beira, Santa Comba Dão, Tondela, Mangualde e Mortágua.
“A nossa missão trata-se de salvaguardar a segurança das pessoas em todas as vertentes e somos esquecidos pelo poder político. A PJ recebeu agora um suplemento considerado elevado e tem um suplemento de risco superior ao nosso, que continuamos a ser esquecidos. Nós somos o garante da segurança da sociedade portuguesa” explicou aos jornalistas João Nunes, do Sindicato Nacional da Polícia. “A nossa missão, PSP e GNR, é idêntica em todo o contexto da segurança. Diferimos da PJ, que trata só e exclusivamente o crime. Nós tratamos o crime, a segurança rodoviária, o trânsito, a fiscalização de estabelecimentos, armamento, agora também aeroportos e fronteiras, com a extinção do SEF. Temos, portanto, um leque de serviços em que temos de estar sempre presentes. Temos de ser tratados pelo menos de igual modo do que a Polícia Judiciária. Continuamos com salários extremamente baixos numa altura em que tudo sobe com a inflação”, concluiu o sindicalista da Polícia de Segurança Pública.
Na internet, uma petição pública que exige a igualdade dos suplementos da GNR e da PSP aos da Polícia Judiciária, intitulada “Por um tratamento condigno e paritário da PSP, da GNR e do CGP”, conta já com mais de 20 mil assinaturas.