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Como ontem, em que me apareceu de saia curta, e blusa decotada por baixo de um casaquinho que retirou à entrada. O calor não justificava a indumentária. Não confiei na inocência da coisa. E tive razão. Depois de se beber meia garrafa, ela veio sentar-se ao meu colo. E tomou a iniciativa de me seduzir. Detestei o hálito a bebida e cigarro que me cercava o rosto. Mas a biologia tem razões que a razão não domina. E fomos para baixo. Desviei-a para o quarto de hóspedes, para que o pecado fosse menor. Ela desembrulhou o seu desejo na perfeição, e eu deixei-a convencer-se da minha ingenuidade. Mas arrependi-me da fraqueza. Tão depressa não lhe abro a porta. Mil vezes prefiro a companhia da amante de poesia. Vem ter comigo muitas vezes. Se a partilha da leitura de poemas é o pretexto maior, também vem para desabafar mais uma arrelia com o namorado. Sinto vontade de lhe dizer que o deixe, que ele a não merece, mas calo-me, suavizo-lhe as mágoas sobretudo pela paciência de a escutar e não me intrometo.
Ando com muitas dúvidas. Não tenho lido, não ouço música, apenas pensado. No meu imenso tempo livre, neste luxo do ócio, a minha ocupação tem sido pensar, fazendo um balanço das ideias e opções. A começar pela política. Hoje mantenho uma certa equidistância entre esquerdas e direitas. Dificilmente me aproximo da extrema-esquerda, a não ser pontualmente. Sem prejuízo de alguma generosidade que lhe reconheço, parece-me que o seu aparelho ideológico assenta num certo autismo. E, nos piores casos, no folclore e no ridículo. Penso que essa esquerda lavra no erro de um conceito romântico de natureza humana; que se ilude com uma argumentação ou retórica muito lógica mas incapaz de compreender a teimosia de muitas realidades sociais e económicas.
Por outro lado, a esquerda mais moderada já em muitas áreas se equivoca: na educação, por exemplo. Parece-me que se tem dado um fenómeno curioso e que consiste na aplicação de receitas que não frutificaram noutros campos e que, na escola, têm conduzido ao permissivismo, ao descrédito da autoridade, à destruição de valores, ao facilitismo e na promoção de um sucesso artificial.
De qualquer modo, interrogo-me se valerá a pena mudar, se, afinal, este modelo não será o mais adequado a este tipo de sociedade superficial, fútil, americanizada, plástica, vulgar, rápida e materialista.
Bateram-me à porta. Era ela. Não abri. Na escola, aborda-me com segredinhos de orelha. Repete-me que gostou muito. Também lhe digo que sim. Ela diz-me que é uma pena à noite não poder. Vive com a mãe, doente. Sinto-me tentado a agradecer à mãe.
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