Man in blue sports jersey gives interview, facing microphones in a press setting with a dark backdrop behind him.
festival trip viseu
Suburban house with stone accents and a red-tiled roof, a low wall with mailboxes along the sidewalk.
Modern single-story house exterior at dusk with large glass sliding doors showing warmly lit living and dining areas outside landscaped yard.
arrendar casa
Casas Bairro Municipal Viseu 5

No coração verde do concelho de Viseu, Côta é uma aldeia onde…

16.02.26

Nasceu, em Cinfães, a Quinta da Maria, um projeto turístico com alma…

12.12.25

No coração do Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros, há…

21.08.25
jose-damiao-tarouca-232
ps campanha
camapnha10
Vineyard path between rows of green grapevines on a sunny hillside with blue sky and distant valley.
People wearing over-ear headphones at an outdoor listening event, with a large headset prop in the foreground.
Group of pageant contestants in evening gowns/swimwear with sashes standing on a brightly lit stage, audience seated in foreground.
Home » Notícias » Colunistas » Fragmentos de um Diário – 6 de Fevereiro de 1982

Fragmentos de um Diário – 6 de Fevereiro de 1982

06.08.22
partilhar

Que faço eu do meu corpo, da minha vida?
Que contas darei das minhas potencialidades desperdiçadas?

12 de Fevereiro de 1982

De novo só. Pesa-me a solidão. De novo sozinho na cidade. Afinal, o que quero? Tenho o futuro adiado para daqui a sete anos. O tempo que a Fátima tem para saldar as suas dívidas e regressar. Mas pesa-me a solidão. A colega com quem saía dava-me o que tinha, o corpo e companhia. Eram momentos de algum prazer. Ela não era estúpida, percebia que eu estava numa outra dimensão. Não a esclareci. Porque dizer seja o que for do meu amor pela Fátima seria como se conspurcasse as asas de um anjo.
Será o homem uma paixão inútil?

1 de março de 1982

Perguntei a uma moça que encontrei casualmente numa exposição de pintura do meu pai em Tondela se queria sair comigo. Assim, porque calhou, porque ela me olhava mais que para os quadros. Fiquei logo arrependido. Mas o corpo subverteu-me o juízo.  A tarde era de inverno, e habitava-me a melancolia. Sempre fui dar uma volta com a Laura, que, ao dizer-me o nome, me fez emudecer de emoção. À velocidade da luz, viajei no tempo, e imediatamente me surgiu a imagem da minha namorada noturna de outrora, a primeira que conheci, que biblicamente conheci e amei. Há tanto que não me recordava dela! Oh! memória frágil e ingrata! Retive a emoção, para mais tarde a reviver. Afastámo-nos por uma estrada em direção à Ermida, caminhos desertos, caminhos ainda murados de pedra antiga, comida pelo musgo. Apenas conversámos e caminhámos. Não sei se ela esperava algo mais. Mas eu só não queria estar sozinho e ela era uma boa companhia. Também me disse da sua tristeza, da melancolia dos dias, da esperança de um amor. Respondi-lhe que o amor é o pão da vida, mas de uma farinha especial, rara, poucos sabem do roteiro do moinho onde ela se produz. Ela gostou da minha conversa. Eu fiquei com pena que ela alimentasse ilusões. Decidi que à Laura não lhe vou tocar nem com um dedo. Se um dia a situação se tornar insustentável, digo-lhe a verdade, que não tenho lugar no coração para partilhar com ninguém. Mas hoje tão só caminhámos, a conversar.

Jornal do Centro

pub
  • Janelas 4Life. Qualidade, inovação e sustentabilidade
  • Habifactus - Viseu cresce e nós crescemos consigo. A sua imobiliária de confiança há 23 anos.
  • ReMax Dinâmica, a agencia numero 1 no Distrito de Viseu

Colunistas

Procurar