Para dizermos a verdade, não sabemos se gostámos mais das vinhas instaladas numa espécie de bosque (que dá sabor aos vinhos), se da paisagem que nos permite vislumbrar as serras da região – da Estrela a Montemuro -, se da comida do chefe, se do conceito familiar da quinta ou se dos vinhos que nos ficam na boca e no nariz e que teimam em não nos largar (de tal forma que é impossível sair sem comprar uma ou duas garrafas).
Visitar a Quinta da Teixuga, em Vilar Seco, no concelho de Nelas, onde se localizam as vinhas e adega da Caminhos Cruzados, é como ir a casa de um familiar ou de um amigo, aquela casa onde nos sentimos bem e com a certeza de que queremos lá voltar. Seja no verão para admirar a paisagem e desfrutar de um sunset numa varanda com vista para as vinhas, seja no inverno junto à lareira, enquanto se degustam as propostas do chefe e bebemos um vinho cuidadosamente selecionado num conceito wine and food que aconselhamos.
Certamente já ouviu falar (e esperamos que já tenha provado) títulos como Caminhos Cruzados, Titular, Clandestino ou Vinhas da Teixuga. Qualquer um destes vinhos, produzidos no coração do Dão, pode encaixar na perfeição com as sugestões do chef Miguel Vidal, que alia os sabores da região e aquilo a que gostamos de chamar de “comida de conforto”.
Não queremos influenciar a escolha dos nossos leitores, mas como sabemos que quando lá chegar vai querer provar tudo, vamos partilhar o menu que, a convite da Quinta da Teixuga, tivemos oportunidade de degustar. Mas espere, antes disso queremos falar-lhe da visita à quinta e da vontade que dá sentar numa das muitas sombras e ficar logo ali a desfrutar de um piquenique (sim, é possível) ou da vontade com que ficámos em juntar um grupo de amigos e realizar uma prova de vinhos numa sala de estágio “forrada” de barricas com verdadeiros tesouros no seu interior (sim, também é possível).
Voltando ao menu (estamos a salivar enquanto escrevemos isto), começámos por uma entrada de tomate coração de boi e requeijão da região e um molho de pesto verde, aqui a seleção foi um Clandestino branco (um dos preferidos!), um vinho “feito em segredo” que é a união de duas castas internacionais, uma mais aromática e com apontamentos de frutos brancos maduros e outra com toques mais florais.
De seguida saboreámos um crocante de queijo Serra da Estrela com figo e uma redução de vinho (muito bem) acompanhado por mais um Clandestino, desta vez cuvée, que nos trouxe para a mesa duas das rainhas das castas do Dão notadas pela frescura característica do encruzado e as notas de frutos vermelhos e florais da touriga nacional.
Ainda sem estarmos refeitos destas verdadeiras explosões de sabores (da comida e do vinho), somos presenteados com um Caminhos Cruzados tinto e um saboroso arroz de carqueja com vinhas de alhos. E para o fim (last but not least) um exclusivo, um vinho que está ainda em barrica e que em breve deverá ir para o mercado. Não vamos contar muito, mas podemos garantir que combina na perfeição com uma sobremesa que alia a castanha ao doce de ovos (prove que não se vai arrepender!). E antes de terminarmos, fica mais uma dica, não saia da quinta antes de conversar com a diretora e enóloga da Caminhos Cruzados, Carla Rodrigues, e com o coordenador de enoturismo, Luís Filipe, porque são eles os “amigos e familiares” que encontramos nesta casa que, à moda beirã, tem sempre a porta aberta (e literalmente, porque por lá não existem portões).