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O título deste Olho de Gato não tem nada a ver com nenhum apocalipse, é só a transcrição, tim-tim-por-tim, de uma “boca” que um angolano genial mandou a um canal de televisão daquele país.
O mundo não acabou, claro, e o importante é não desanimar. E insistir. Insistir sempre. Vejamos os dois exemplos que se seguem.
1. Passam amanhã exactamente dez anos sobre o 1º de Maio de 2012, um dia de fortíssima “luta” nas lojas do Pingo Doce.
Recordemos o que se passou:
— o Pingo Doce estava em crescimento, tinha-se livrado de um negócio infeliz no Brasil e a sua Biedronka, na Polónia, estava a correr bem;
— na segunda metade de 2011, acumulou nos armazéns um bom stock de produtos cujo IVA ia passar de 13 para 23%, havia ali um lucrinho potencial de 10%;
— primeiro imprevisto: nas mãos da Troika, Portugal caiu numa recessão brutal em 2012, os armazéns a abarrotar de tralha e o povo não comprava;
— se o mundo estava a acabar, havia que insistir, como bem diz o nosso amigo angolano: para o dia 1 de Maio, a administração lançou uma campanha de descontos de 50% em compras acima de 100 euros de produtos Pingo Doce, bem como noutros seleccionados (os tais amontoados em armazém);
— só que surgiu um segundo imprevisto: a mensagem correu mal; o povão percebeu que os 50% era para tudo o que estivesse nas prateleiras e não só sobre alguns produtos; formaram-se filas quilométricas logo de manhãzinha cedo; foi uma desbunda e uma confusão; as prateleiras ficaram vazias e as contas daqueles supermercados com um enorme buraco;
— o Pingo Doce aguentou estoicamente a pancada; pagou aos seus trabalhadores aquele dia a 500% e organizou uma promoção igual só para eles; pagou multa à ASAE — 30 mil euros, depois reduzidos, em recurso, para 12 mil; para a empresa não foi o fim do mundo, mas infelizmente não seguiu o conselho do nosso angolano e nunca mais insistiu numa promoção igual àquela.
Uma pena, queixei-me eu aqui na semana seguinte, pesaroso por não poder comprar por metade do preço uns Alvarinhos excelentes do enólogo Anselmo Mendes.
2. Entre nós, a Hoover não é tão conhecida como o Pingo Doce. É uma marca forte no mercado norte-americano e inglês de electrodomésticos, por cá nem por isso.
Nos anos de 1990, aquela companhia protagonizou uma campanha de marketing “original”: se um cliente comprasse um aspirador ou uma máquina de lavar roupa, no valor mínimo de 240 dólares ou 100 libras, tinha direito a duas viagens de avião para a Europa ou a América. Convém lembrar que, na altura, não havia low-costs, as viagens de avião eram muito caras.
Resultado: as vendas subiram muito, milhares de pessoas compraram os aparatos mesmo sem precisar deles e trataram de marcar viagem. A avalanche foi tão grande que as coisas entupiram. A agência de viagens parceira da Hoover perdeu capacidade de resposta. Clientes furiosos. Processos em tribunal. Má imprensa. Uma confusão. Um desastre reputacional.
A Hoover teve que pagar viagens a 220 mil clientes. O aumento de vendas rendeu 30 milhões de libras, os vouchers viajeiros custaram 50 milhões. O mundo deles ia acabando. Mas insistiram e ainda estão no mercad
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Maria João Alves, Vera Abreu, Filipa Fernandes
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André Tojal, médico especialista em Cirurgia Geral no Hospital CUF Viseu