No coração do Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros, há…
Reza a lenda que foi um árabe, há mais de mil anos,…
Seguimos caminho por Guimarães, berço de Portugal e guardiã de memórias antigas….
Faz, esta quarta-feira (24 de março), 20 anos que um acidente vitimou 14 pessoas de Viseu junto ao IP3, em Santa Comba Dão. O autocarro vinha do Santuário de Fátima, onde o grupo tinha feito uma excursão, e despistou-se junto à zona da Quinta da Memória.
Ao todo, cerca de 40 peregrinos estavam no autocarro. As vítimas moravam em Travassós de Cima, na freguesia de Rio de Loba, em Viseu. O Jornal do Centro falou com várias testemunhas que recordaram o acidente.
Ana Néri, uma das sobreviventes, recordou o que lhe aconteceu neste acidente. “Quando vim a mim, estava num ladrilho com a cara num paralelo, uma pessoa muito forte em cima de mim e com as mãos estendidas. Só dou conta das lanternas dos bombeiros e calcaram-me as mãos”, recordou acrescentando que foi nesse momento que foi socorrida.
Já António Mesquita Néri, marido de Rosa Almeida, uma das 14 vítimas mortais, recordou aquele que considerou como um dos piores momentos da sua vida: o dia em que perdeu a sua mulher. Disse que, quando soube do acidente, “chamei logo o meu filho e a minha filha e fomos todos para o hospital ver as ambulâncias”. “Vinha uma, vinha duas… Exaltei-me muito, disse coisas que não devia de falar”, afirmou.
António Mesquita recordou também as últimas palavras da esposa: “levo muita pena do meu marido, mas levo a minha neta no coração”. “Na verdade, isso ainda acabou comigo”, admitiu.
O acidente em Santa Comba Dão envolveu mais de 100 operacionais, entre bombeiros, forças da GNR e outras autoridades. Rui Santos, que era na altura o comandante dos Bombeiros Voluntários de Santa Comba Dão, falou de um cenário dantesco.
“O autocarro caiu na ravina e, portanto, não havia luz até montarmos os primeiros holofotes e ao descer realmente fazem relatos de gritos lacerantes a pedir socorro, agarrarem-se às pernas”, relatou falando de um cenário que “ficou para muito tempo na memória de todos os bombeiros” e que lhe marcou profundamente.
“Todas as corporações vieram para aqui porque efetivamente o autocarro ficou numa ravina, sem grandes acessos e tínhamos que trazer até à estrada, em maca, todos os feridos”, recordou Rui Santos, que considerou que os 20 anos “de um acidente tão trágico” seria um bom momento “para lembrar aqueles que aqui pereceram”.