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Vineyard path between rows of green grapevines on a sunny hillside with blue sky and distant valley.
People wearing over-ear headphones at an outdoor listening event, with a large headset prop in the foreground.
Group of pageant contestants in evening gowns/swimwear with sashes standing on a brightly lit stage, audience seated in foreground.
Home » Notícias » Diário » Aldeia da Guarda revela nome da ‘velha’ que oferece magusto há mais de 300 anos no dia a seguir ao Natal

Aldeia da Guarda revela nome da ‘velha’ que oferece magusto há mais de 300 anos no dia a seguir ao Natal

Mais de três séculos depois, o mistério vai ser desvendado com a edição do livro ‘Magusto da Velha – Uma Pitança pela Boa Alma’, de Daniel Martins

Aerial view of a sandy beach with large stone letters forming a message, promoting recycling; below, the slogan 'Começa por reciclar as desculpas' and a call to action with a URL.
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24.12.24
fotografia: Jornal do Centro
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24.12.24
Fotografia: Jornal do Centro
Aerial view of a sandy beach with large stone letters forming a message, promoting recycling; below, the slogan 'Começa por reciclar as desculpas' and a call to action with a URL.
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Há mais de 326 anos que, no dia a seguir ao Natal, a localidade de Aldeia Viçosa, no concelho da Guarda, cumpre religiosamente o “Magusto da Velha”, cuja identidade, desconhecida até agora, vai ser revelada na quinta-feira.

Reza a lenda que uma mulher muito abastada e proprietária da grande “Quinta do Lagar de Azeite”, na então povoação de Santa Maria de Porco – hoje Aldeia Viçosa –, deixou um testamento à igreja local em que mandava distribuir castanhas – o alimento principal à época – e vinho aos habitantes. Em troca, estes tinham que rezar “um Padre-Nosso” pela sua alma.

A tradição é mencionada no “Livro de Usos e Costumes da Igreja do Lugar de Porco”, de 1698, do padre António Meireles, que descreve este hábito e situa a sua origem na Idade Média.

Já o testamento garante anualmente à Junta de Freguesia uma renda perpétua de poucos cêntimos, depositada pelo Instituto de Gestão do Crédito Público na conta bancária da freguesia.

“É muito pouco, mas tem enorme valor simbólico”, realça Luís Prata, presidente da Junta de Freguesia de Aldeia Viçosa, em declarações à agência Lusa.

Mais de três séculos depois, o mistério vai ser desvendado com a edição do livro ‘Magusto da Velha – Uma Pitança pela Boa Alma’, de Daniel Martins, que será apresentado na quinta-feira, pelas 17:30, depois do lançamento das castanhas da torre da igreja e da missa pela alma da benemérita.

“O livro tem muitas pistas e dados sobre as origens e família da benemérita, com base numa investigação do historiador Daniel Martins, da Associação Hereditas, que consultou dezenas de documentos originais e cópias, sendo que o mais antigo data do século XIII”, adianta o autarca.

O autor também se socorreu de uma investigação de 2008, de José Manuel Coutinho, historiador natural de Aldeia Viçosa, já falecido, que escreveu o livro ‘O magusto – por obrigação e devoção’, onde avançava com 17 possibilidades de nomes para a “Velha”.

“Na quinta-feira será também revelada a casa onde a benemérita viveu. Vai ser um dia verdadeiramente especial, em que viajaremos até às origens da nossa ‘Velha’ e vamos conhecer a sua história”, acrescenta Luís Prata.

Para o presidente da Junta, o ‘Magusto da Velha’ é “um evento único no mundo” e, “mais do que uma lenda, é um acontecimento marcante na nossa comunidade”.

Na tarde de 26 de dezembro, depois da missa pela alma da ‘velha’, são lançados 150 quilos de castanhas da torre da igreja. O cerimonial tem hora marcada (15:30) e um costume mais recente associado – as ‘cavaladas’, em que quem se baixar para apanhar castanhas no adro da igreja fica sujeito a que lhe saltem para as costas.

A Junta oferece ainda 50 litros de vinho, da Quinta do Ministro, e tibórnias – pão torrado embebido em azeite. Ultimamente há também espaço para uma encenação teatral à volta do testamento, que está programada para as 15:30, pelo Grupo Hereditas.

Para as 17:00 está prevista a inauguração da exposição de fotografia ‘Territórios de Altitude’, de Filipe Patrocínio.

A Junta de Freguesia de Aldeia Viçosa pretende inscrever o ‘Magusto da Velha’ no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.

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