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A Companhia de Bombeiros Sapadores de Viseu (CBSV), uma das entidades mais antigas do concelho e o sétimo corpo de bombeiros mais antigo do país, assinalou hoje o seu 199.º aniversário, numa cerimónia realizada pela primeira vez na Praça da República (Rossio), marcada pelo apelo ao reforço de meios humanos e materiais e pela entrada da primeira mulher na história da corporação, enquanto bombeira profissional.
Na cerimónia, o comandante Rui Nogueira destacou os quase dois séculos de serviço público da companhia, recordando que foi o primeiro corpo de bombeiros criado no distrito de Viseu e que continua a ser o único profissional da região.
“Quase 200 anos passaram, e nós aqui estamos, respeitando o legado, honrando o passado e preparando o futuro”, afirmou.
O comandante sublinhou que a Companhia de Bombeiros Sapadores dispõe atualmente de dois quartéis, 18 viaturas e um efetivo de 80 profissionais, número que passa a incluir 13 recrutas apresentados durante a cerimónia. Entre eles encontra-se, pela primeira vez em 199 anos de história, uma mulher bombeira sapadora.
Rui Nogueira considerou o momento “histórico”, explicando que os novos recrutas iniciarão um percurso de formação superior a mil horas, incluindo seis meses de internato na Escola do Regimento de Bombeiros Sapadores de Lisboa e estágio operacional em Viseu.
Apesar do reforço do efetivo, o comandante alertou que tanto a Companhia de Bombeiros Sapadores como o Serviço Municipal de Proteção Civil continuam “subdimensionados para as exigências atuais”, adiantando que decorrem processos de recrutamento para operadores de telecomunicações da Sala Municipal de Operações e Gestão de Emergência (SaMOGE) e para técnicos superiores.
No plano dos equipamentos, anunciou que já foi adjudicada a aquisição de uma nova autoescada de 32 metros e de um veículo urbano de combate a incêndios, investimentos que classificou como “reivindicações antigas” e que permitirão reforçar a capacidade de resposta operacional da corporação.
Segundo Rui Nogueira, os Bombeiros Sapadores são responsáveis pela proteção e socorro de mais de 100 mil residentes do concelho, além da população flutuante, num território com 507 quilómetros quadrados e 25 freguesias. Em 2025, registaram-se mais de 5.000 ocorrências de proteção e socorro, um aumento significativo face à média das últimas duas décadas, tendência que o comandante relacionou com o crescimento urbano e com o aumento dos riscos naturais e tecnológicos.
O responsável defendeu ainda um maior investimento da administração central na área da proteção civil, considerando que os apoios estatais e comunitários “tardam em chegar”, obrigando o município a suportar uma parte significativa do esforço financeiro.
Durante a cerimónia tomaram também posse 16 subchefes de 1.ª classe, que Rui Nogueira apontou como “o presente e o futuro” da companhia, confiando-lhes a liderança das equipas e a gestão operacional das missões de proteção e socorro.
No final da intervenção, o comandante enalteceu o trabalho desenvolvido pelos profissionais da corporação e reafirmou o compromisso de continuar a garantir um serviço público de qualidade.
“Viseu, os viseenses e quem por cá passa podem contar com o nosso serviço público de elevada qualidade e competência. Garantimos a proteção e o socorro e contribuímos para que a segurança seja um dos pilares da reconhecida qualidade de vida da cidade”, concluiu.