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A defesa do piloto do helicóptero que caiu no rio Douro, em 30 de agosto de 2024, vitimando cinco militares da GNR, classificou de “tendenciosa” e “parcial” a investigação do organismo que investiga os acidentes aéreos, hoje revelada.
O relatório final do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), divulgado pela agência Lusa, refere que a queda do helicóptero não se deveu a falha técnica ou irregularidades do aparelho, descartando também o envolvimento de aves no acidente.
Estas conclusões contrariam as versões apresentadas anteriormente pelo piloto, único sobrevivente, que, aos investigadores do GPIAAF, disse ter observado, antes do acidente, “uma ave de médio porte” na mesma linha de voo, obrigando a “um desvio”, e pelo seu advogado que apontou “falha mecânica” como causa para a queda do aparelho nas águas do Douro.
O relatório indica também que o piloto do helicóptero de combate aos incêndios, que caiu na zona de Cambres, concelho de Lamego, distrito de Viseu, causando a morte a cinco militares da GNR/ Unidade de Emergência de Proteção e Socorro (UEPS), violou a altitude mínima e fez desvios de rota.
O GPIAAF sustenta que “a decisão do piloto na escolha da trajetória de regresso à base” de Armamar, distrito de Viseu, após cancelada a missão de combate a um incêndio no concelho de Baião, distrito do Porto, ao sobrevoar o rio Douro “a elevada velocidade e baixa altitude, aumentando consideravelmente o risco do voo”, contribuiu para a queda do AS350 – Écureuil.
“Quanto à trajetória de voo é a mesma que todos os pilotos da Base de Armamar utilizavam para se deslocar no sentido em que foi reportado o teatro de operações, não existindo qualquer desvio de trajetória, o que vem até bem esclarecido no próprio relatório. Não tendo sido essa a causa do acidente”, defende o advogado Albano Cunha, em comunicado enviado à Lusa.
Segundo o defensor do piloto Luís Filipe Rebelo, “o GPIAAF tenta descrever a queda do helicóptero como uma possível manobra falhada, sustentando as suas conclusões em estudos e simulações realizadas pela empresa fabricante do dispositivo, a Airbus”.
“O que revela o caráter tendencioso da investigação, uma vez que, previsivelmente, não seria a fabricante da aeronave a apontar qualquer defeito de fabrico ou falha técnica do mesmo, quando estão em causa a perda de 5 vidas que muito lamentamos”, refere o advogado.
Para a defesa do piloto, que também foi constituído arguido no âmbito de um inquérito-crime em curso e sujeito à medida de coação de suspensão do exercício de funções, “o conteúdo do relatório não surpreendeu pela sua tendência de tentar encontrar uma falha humana para justificar o acidente”.
Albano Cunha aponta alegadas falhas e incongruências à investigação, concluindo que “é mais fácil conduzir uma investigação de forma parcial e sugerir a culpabilização do único sobrevivente deste acidente”, pondo em causa o trabalho do GPIAAF.
“De acordo com a investigação, ‘Não foi possível testar o painel de falhas devido aos danos extensos’, o que nos causa alguma estupefação, dadas as conclusões relatadas. Foi possível testar, pelo Gabinete de Investigação de Acidentes Francês, os vários equipamentos que o helicóptero dispunha, mas não foi possível testar o painel de falhas da aeronave, o que se afigurava essencial para o apuramento da causa do acidente”, aponta o defensor do piloto Luís Filipe Rebelo.
A defesa acrescenta que “dispõe de uma equipa de peritos de fabrico das peças analisadas da aeronave em causa”.
“Na contestação ao presente relatório irá solicitar ao GPIAAF a disponibilização de todos os contactos e peças danificadas, para que as mesmas possam ser analisadas, de modo a verificar a veracidade das conclusões retiradas, para que, no futuro, se possam evitar mais tragédias como a que sucedeu e, para que seja clara a razão do acidente que vitimou as seis pessoas envolvidas no mesmo”, lê-se no comunicado.