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Esta terça-feira, 24 de março, assinalam-se os 25 anos do acidente rodoviário ocorrido no IP3, na zona de Santa Comba Dão, que provocou 14 mortos, a maioria naturais de Travassós de Cima, na freguesia de Rio de Loba. A data é evocada com uma cerimónia religiosa e uma homenagem às vítimas.
O acidente envolveu um autocarro que transportava cerca de 40 peregrinos, em regresso do Santuário de Fátima, tendo o veículo despistado-se junto à zona da Quinta da Memória.
Segundo a informação divulgada pelo Município de Viseu, o acidente “marcou de forma profunda toda a região, em particular a comunidade de Travassós de Cima, de onde era natural a maioria das vítimas”.
Ao longo de duas décadas e meia, a data tem sido evocada como “um momento de memória e homenagem àqueles que perderam a vida de forma trágica, bem como de solidariedade para com as famílias e todos os que foram afetados por este acontecimento”.
As cerimónias desta terça-feira incluem uma missa de sufrágio pelas vítimas, na Igreja Paroquial de Rio de Loba, marcada para as 18h30, seguindo-se uma romagem ao cemitério, onde será depositado um ramo de flores.
O acidente mobilizou mais de 100 operacionais, entre bombeiros, GNR e outras entidades. Rui Santos, à data comandante dos Bombeiros Voluntários de Santa Comba Dão, descreveu o cenário ao Jornal do Centro em 2021: “O autocarro caiu na ravina e, portanto, não havia luz até montarmos os primeiros holofotes e ao descer realmente fazem relatos de gritos lacerantes a pedir socorro, agarrarem-se às pernas”.
O responsável recordou ainda que “todas as corporações vieram para aqui porque efetivamente o autocarro ficou numa ravina, sem grandes acessos e tínhamos que trazer até à estrada, em maca, todos os feridos”.
Testemunhos de sobreviventes e familiares continuam a marcar a memória do acidente. Ana Néri recordou, também há cinco anos, que “quando vim a mim, estava num ladrilho com a cara num paralelo, uma pessoa muito forte em cima de mim e com as mãos estendidas. Só dou conta das lanternas dos bombeiros e calcaram-me as mãos”.
Já António Mesquita Néri, que perdeu a esposa, afirmou que, ao saber do acidente, “chamei logo o meu filho e a minha filha e fomos todos para o hospital ver as ambulâncias”. “Vinha uma, vinha duas… Exaltei-me muito, disse coisas que não devia de falar”, disse, recordando também as últimas palavras da mulher: “levo muita pena do meu marido, mas levo a minha neta no coração”.
Vinte e cinco anos depois, é evocada a tragédia que se mantém como um momento de reunião da comunidade e de homenagem às vítimas do acidente ocorrido no IP3, em Santa Comba Dão.