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Mais de 20 atividades e 50 artistas profissionais e amadores vão, a partir de quinta-feira, transformar Viseu num palco de diálogos artísticos e sociais que promovem a reflexão sobre o mundo contemporâneo e as suas fronteiras.
Durante dez dias, vão realizar-se conferências, espetáculos, oficinas e exposições, integradas na bienal “What’s Beyond That Border” (“O que está para além da fronteira”), cuja programação foi hoje apresentada e que decorrerá no âmbito do Contrato Local de Desenvolvimento Social (CLDS) 5G promovido pelas Obras Sociais de Viseu.
“É um desafio, antes de tudo, relativamente à forma como estamos a ver a cidade, como sentimos e como olhamos para o desenvolvimento da nossa comunidade e como vivemos dentro do espaço urbano”, disse aos jornalistas o diretor artístico da bienal, Romulus Neagu.
O bailarino e coreógrafo natural da Roménia, que chegou a Viseu há 30 anos, explicou que tudo gira à volta da metáfora da fronteira, que não é apenas encarada como “a linha territorial, geográfica, dentro de um espaço determinado”.
As atividades vão acontecer sobretudo no espaço público, como a Escadaria de São Teotónio e ruas do centro da cidade, desde as 10:00 até ao final da tarde, para que as iniciativas se cruzem com o quotidiano das pessoas.
A abertura de “What’s Beyond That Border” acontecerá na quinta-feira à tarde com a exposição “From Russia”, da artista Vanessa Chrystie, no ‘hall’ da Junta de Freguesia de Viseu. Trata-se de uma mostra de pintura sobre o perigo de extinção e as novas rotas de migração das aves por causa da guerra na Ucrânia.
Nesse dia, realiza-se também a conferência “Onde nos encontramos: redes, territórios, futuros”, na qual, segundo Romulus Neagu, se falará sobre o que pode ser oferecido a quem chega ao território e o que está preparado em termos políticos, sociais, educativos, institucionais e culturais.
O diretor artístico destacou também a conferência marcada para sábado, sobre “Futebol e racismo dentro e fora de campo: o futebol é igual para todos?”, com a participação de atletas do Académico de Viseu.
“É uma reflexão muito interessante entre o que é que significa multiculturalismo, interculturalidade, dentro de um universo específico, que tem objetivos muito claros, muito concretos”, frisou.
Outro destaque do programa passa pelas pequenas sessões “People like us 3.0”, que possibilitarão assistir a duetos de dança, música e teatro (com a duração de 12, 15 ou 20 minutos) na Rua Formosa, na Rua da Paz e na Escadaria de São Teotónio.
“São momentos de encontro entre artistas profissionais, viseenses que têm as suas raízes cá, e que, através desta nossa proposta artística, vão criar uma espécie de diálogo com aqueles que chegaram a este território”, explicou Romulos Neagu.
O responsável considerou que se trata de “momentos de cumplicidade” a revelarem “uma generosidade muito grande, porque na maioria são pessoas amadoras” e “têm essa coragem, essa disponibilidade, de falar sobre elas utilizando a linguagem artística”.
“Vamos para as ruas ao encontro das pessoas. Esperamos que as pessoas nos recebam bem”, sublinhou.
A bienal será encerrada no dia 31 com “Arte sem fronteiras”, que cruza a música clássica com a urbana e junta alunos do Conservatório Regional de Música Dr. Azeredo Perdigão aos artistas Sinho, Dj-Ganso e MC Ghoya.
“What’s Beyond That Border” envolve pessoas de nacionalidade portuguesa, chinesa, ucraniana, moçambicana, angolana, cabo-verdiana, argentina, brasileira, inglesa, espanhola, romena e francesa.
O presidente das Obras Sociais de Viseu, José Carreira, sublinhou a importância de ter uma resposta multidisciplinar para os desafios sociais, que envolva também a arte e a cultura.
“Não vale a pena querermos resolver problemas antigos com as mesmas receitas. Não vai funcionar. Hoje temos novos desafios para os quais estamos pouco ou quase nada preparados e, se tivermos mais ferramentas, podemos usá-las”, considerou.