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O treinador do Académico de Viseu assegurou, na apresentação pública dos atletas, que tem um “plantel coeso e humilde” para enfrentar a I Liga de futebol, escalão a que o clube regressa após 37 anos.
“Temos um grupo muito unido, muito humilde e ao mesmo tempo ambicioso e acho que vamos conseguir ter uma equipa competitiva que vai disputar todos os jogos com vontade de ganhar”, defendeu Bruno Pinheiro.
O novo técnico do Académico de Viseu falava aos jornalistas no centro histórico da cidade na noite de quinta-feira, depois da apresentação pública dos atletas que vão iniciar a época na I Liga, 37 anos após a última presença do clube nesse escalão.
“Haverá, certamente, adversários mais fortes, mas, com alguma astúcia, havemos de conseguir ser competitivos todos os jogos e, acima de tudo, acho que vamos fazer com que as gentes de Viseu, os adeptos do clube e da região, se sintam orgulhos pela equipa que vamos apresentar”, realçou.
Entre as mais-valias do grupo de trabalho, destacou o técnico, “a maior mesmo é a coesão”, reconhecendo que chegou a Viseu e viu “coisas que nunca tinha visto” entre os jogadores.
“Há um ambiente muito saudável, de cobrança uns aos outros, são muito exigentes uns com os outros”, sublinhou e, também por isso, reconheceu que, apesar do plantel não estar ainda fechado, “a entrar alguém, será alguém que acrescenta alguma coisa ao grupo e pode entrar um ou vários” atletas.
Questionado sobre os motivos que o levaram a aceitar o convite do emblema viseense, depois de uma carreira feita sobretudo fora de Portugal, o treinador admitiu o desgaste de estar longe da família, mas sublinhou a vontade de regressar a “um projeto competitivo, numa Liga competitiva”.
Sobre a preparação para a estreia, marcada diante do Benfica a 9 de agosto no Estádio da Luz, o técnico referiu um jogo-treino recente frente ao Celta de Vigo, da La Liga espanhola, como parte do processo de adaptação da equipa. “Fizemos duas horas de jogo. Acabou por ser um bocadinho violento para nós, mas crescemos bastante”, afirmou, considerando que o grupo ainda não está a 100%, mas “a crescer”.
Entre as principais mais-valias do plantel, o treinador voltou a apontar a coesão do grupo. “É mesmo a família. Há um ambiente muito saudável”, disse.
Quanto ao mercado, o treinador não deu o plantel como fechado, admitindo tanto reforços como possíveis saídas de jogadores caso cláusulas contratuais sejam acionadas por outros clubes. Ainda assim, garantiu que qualquer contratação terá de respeitar o carácter do grupo. “Que sejam jogadores que sejam mais valiosos ou preferimos que não venha ninguém”, realçou.
Para a época que se aproxima, o técnico traçou como principal objetivo a manutenção na 1.ª Liga, com “realismo”. “Vamos ser humildes e ambiciosos. Vamos olhar o mais acima possível. Mas sendo realistas e corretos, a manutenção era excelente, o mais tranquilo possível”.
No momento da apresentação, o capitão Luís Silva fez uma única promessa, a de que a equipa irá “representar da melhor forma” a cidade e todos os adeptos a cada fim de semana que entrarem em campo, na esperança de que “se revejam na equipa durante toda” a temporada.
“Nos momentos menos positivos precisamos de vocês. Não vai ser fácil, nunca foi, nunca nos deram nada, mas com a nossa força, com a vossa força, vamos ser felizes no final”, afirmou.
Já presidente da SAD do Académico de Viseu, Mariano Lopez, manifestou-s confiante na capacidade da equipa para singrar na 1.ª Liga, com base no desempenho mostrado nos jogos de preparação, e apelou aos adeptos para encherem o estádio do Fontelo na estreia na prova.
“Os jogos que fizemos com os adversários nos testes na pré-temporada mostraram que a equipa é capaz de subir um patamar e poder rivalizar com os melhores. Este é o primeiro passo de uma ascensão”, afirmou o dirigente, elogiando ainda o trabalho do treinador na procura de soluções e de novos jogadores. “Temos um potencial interessante”, sublinhou.
Questionado sobre o que espera da cidade nesta nova etapa, o presidente pediu aos adeptos que mantenham a mesma euforia da subida de divisão. “Essa euforia, esse apoio, essa energia que os adeptos estão a viver neste momento, que continuem, em casa e fora, porque vai ser difícil na 1.ª Liga. Só assim vamos conseguir”, disse.
Sobre as obras no estádio do Fontelo, o dirigente adiantou que a intervenção no exterior do recinto, a cargo da Câmara Municipal, está a meio caminho, prevendo-se a conclusão das primeiras fases em breve, dada a complexidade da obra. Já os trabalhos no interior do estádio estão “quase prontos”, com conclusão prevista para “mais uma semana, dez dias”. “Vamos ter uma casa bonita, diferente, como merece uma equipa da 1.ª Liga. Espero bem que seja uma casa cheia”, declarou.
Questionado sobre as diferenças entre a estrutura do clube na II Liga e a que se apresenta agora na I Liga, o presidente da SAD disse que o desafio passa por planear os “próximos três anos” de forma faseada. “Não vamos construir o Académico num dia, numa temporada. Vamos dar um passo lógico a seguir ao outro”, referiu, apontando a criação de infraestruturas e a valorização do Fontelo como prioridades, incluindo a remodelação completa dos balneários para receber equipas visitantes e o reforço de pessoal da estrutura interna.
Confrontado com a possibilidade de o clube vir a dotar-se de uma cidade do futebol ou, pelo menos, de um centro de treinos próprio, o dirigente afirmou partilhar essa visão com o presidente da Câmara Municipal de Viseu. “A SAD está disposta a fazer a sua parte. Estamos juntos a ver como conseguimos dar esse próximo passo, que não é fácil, por motivos burocráticos e políticos, mas estamos aqui para ser parceiros da Câmara”, concluiu, mostrando-se confiante em concretizar o projeto “nos próximos anos”.
A cerimónia de apresentação do Académico de Viseu ficou marcada por uma passagem de testemunho simbólica entre duas gerações do clube, com José Cruz, antigo médio dos viseenses que integrou a equipa que garantiu a subida ao principal escalão em 1987/88, a entregar a braçadeira de capitão a Luís Silva, novo líder do balneário dos beirões.
O momento pretendeu assinalar a ligação entre a história do clube e a nova etapa que o Académico de Viseu inicia no regresso à I Liga.
Foi ainda feita uma homenagem a Paulo França, antigo técnico de equipamentos dos “Viriatos” que faleceu este ano.
Da equipa técnica liderada por Bruno Pinheiro, fazem parte os adjuntos Jorge Almeida, André Gil e João Coimbra, o treinador de guarda-redes, Stefen Olímpio, e ainda Pedro Costa, João Rocha e João Carvalho.
Do plantel fazem parte:
– Guarda-redes: Marcos Lavin, Mateus Sampaio e Ewerton Ferreira.
– Defesas: Nikos Michelis, Pedro Barcelos, Tomás Domingos, Anthony Correia, Rúben Pereira, Gustavo (Gu) Costa, Igor Milioransa e Robinho.
– Médios: André Ceitil, Luís Silva, Cihan Kahraman, Soufiane Messeguem, Cristian Ferreira, Nils Mortimer, Alejandro Mestanza e Tomás Silva.
– Avançados: Álvaro Zamora, Dominik Steczyk, João Guilherme, André Clóvis, Lorougnon Gohi e Simão Silva.







