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os autarcas de Viseu e do Porto defenderam hoje que estas duas autarquias podem assumir um papel pioneiro na partilha de experiências e na promoção da gratuitidade dos transportes públicos junto de outros municípios, considerando que a medida traz benefícios económicos, sociais e ambientais.
“Quisemos perceber como é que podemos aperfeiçoar o que já estamos a aproveitar e até como é que nos podemos juntar para proporcionar a outros municípios seguirem este caminho”, afirmou Pedro Duarte, presidente da Câmara do Porto, no final de uma reunião de trabalho com o presidente da Câmara de Viseu.
O responsável destacou que os dois municípios, a par de Cascais, estão a experimentar soluções inovadoras de mobilidade, com o objetivo de incentivar a utilização dos transportes públicos e aliviar os encargos das famílias.
“É um motivo de orgulho podermos beneficiar as nossas populações desta forma”, afirmou, considerando que a gratuitidade assume particular importância numa altura em que o custo de vida e o preço dos combustíveis pesam no orçamento das famílias.
O presidente da Câmara do Porto sublinhou, contudo, que os benefícios da medida vão além da poupança financeira, abrangendo também a melhoria da mobilidade, a redução dos tempos de deslocação e o conforto dos passageiros.
A estes fatores juntam-se as vantagens ambientais e para a qualidade de vida, uma vez que a redução do número de automóveis em circulação contribui para diminuir a poluição e libertar espaço urbano para zonas de convívio e lazer.
Também o autarca a de Viseu defendeu que a experiência de Porto e Viseu deve ser partilhada com outros territórios, de forma a alargar o alcance destas políticas públicas.
“Num cenário ideal era nós termos todo o país com a mesma realidade que felizmente Viseu e o Porto já conseguiram atingir”, afirmou João Azevedo, garantindo que os municípios não têm uma visão fechada sobre esta matéria.
“Se pudermos ajudar a que estas medidas sejam disseminadas, acho que ganhamos todos com isso”, concluiu.
O turismo foi outro dos assuntos que esteve na agenda da reunião de trabalho entre os dois autarcas que convergem na ideia de que os dois concelhos podem beneficiar de um trabalho turístico conjunto, admitindo que o aeródromo de Viseu possa vir a desempenhar um papel complementar ao aeroporto Francisco Sá Carneiro.
“Há caminhos que nós podemos aqui trilhar para conjuntamente encontrarmos roteiros diferentes que permitam que muito turismo que vai para o Porto possa também usufruir desta região, que tem características excecionais”, afirmou Pedro Duarte (PSD). Segundo o presidente da autarquia portuense, a experiência turística não deve ficar limitada ao centro da cidade do Porto, podendo ser enriquecida com visitas a outras regiões, nomeadamente através da gastronomia, da paisagem natural e do contacto com as populações.
O objetivo, acrescentou, passa por criar novas oportunidades para os dois territórios, permitindo que os turistas que visitam o Porto prolonguem a sua experiência na região de Viseu e no Dão-Lafões.
A articulação entre as duas cidades deverá envolver outras entidades ligadas ao setor, nomeadamente o Turismo do Porto e Norte e o Turismo do Centro, que o autarca considera fundamentais para o desenvolvimento de uma estratégia conjunta.
Outro dos temas abordados na reunião foi a possibilidade de o aeródromo de Viseu funcionar como estrutura complementar ao aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto.
O presidente da Câmara do Porto reconheceu que essa ligação já acontece de forma informal e pontual, referindo que há turistas que recorrem ao aeródromo de Viseu para depois permanecerem no Porto, evitando, em algumas situações, a maior pressão sobre o aeroporto portuense.
“Podemos evidentemente trabalhar isso para dar outra consistência”, afirmou, por seu lado, João Azevedo (PS), defendendo que a capacidade instalada no aeródromo viseense deve ser aproveitada no âmbito de um novo modelo de ligação entre os dois territórios.
O autarca adiantou que o próximo passo será trabalhar a proposta com outras entidades, com vista à preparação de um movimento de deslocação entre Porto e Viseu que permita consolidar a ligação turística.
“Este movimento pendular entre Porto e Viseu vai ter de ser preparado, planeado e depois, desculpem a expressão, vendido, para que as pessoas possam consumir esse movimento pendular”, afirmou o autarca de Viseu.