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O documentário/reportagem de Daniela Almas sobre o acidente de Alcafache é um dos 134 filmes que vai estar em exibição na 32.ª edição do Festival Caminhos do Cinema Português.
O documentário “Última Paragem” revisita o desastre ferroviário de Alcafache, ocorrido há 40 anos, através dos testemunhos de sobreviventes, familiares das vítimas e intervenientes na tragédia, procurando dar voz às marcas que o acidente deixou na memória coletiva.
A 11 de setembro de 1985, um comboio internacional Sud-Express colidiu frontalmente com uma composição regional junto ao apeadeiro de Moimenta-Alcafache, no concelho de Mangualde, naquele que é considerado um dos maiores acidentes ferroviários da história de Portugal.
O desastre provocou 49 vítimas mortais confirmadas e cerca de 150 não confirmadas, deixando marcas profundas nas famílias e na comunidade.
Quatro décadas depois, “Última Paragem” propõe uma abordagem centrada não apenas nos factos, mas sobretudo nas memórias e nas consequências humanas da tragédia. Sem recorrer a reconstituições ou ao sensacionalismo, a obra constrói um espaço de escuta a partir dos relatos de quem viveu aquele dia ou foi diretamente afetado pelo acidente.
Segunda a realizadora, o documentário “assente na escuta ativa e na experiência sonora dos lugares. “Mais do que reconstituir o que aconteceu em Alcafache, “Última Paragem” pretende revelar o que ficou por dizer e confrontar o espectador com aquilo que ainda permanece da tragédia na memória de quem a viveu”, explica Daniela Almas que contou com a produção de Beatriz Cajada e João Gabriel e assistência de produção de Joana Cajada.
O filme vai ser exibido a 21 de novembro nas sessões especiais.
O festival Caminhos do Cinema Português, que decorre de dia 14 a dia 21 em Coimbra, vai exibir 126 filmes, numa programação que conta com antestreias de João Botelho, Raquel Freire e Ivo Costa.
A 32.ª edição do festival dedicado ao cinema português vai exibir 126 filmes, entre as várias secções competitivas e não competitivas do festival, que terá como espaço central de exibição o Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV).
O evento conta também com sessões na Casa do Cinema de Coimbra, Auditório Salgado Zenha e Convento São Francisco (onde haverá programação para escolas e onde decorrerá a cerimónia de encerramento), havendo ainda extensões do festival na Mealhada e em Góis, afirmou o diretor do festival, Tiago Santos, em declarações à agência Lusa.
Tiago Santos disse que o festival “acaba sempre por responder aos estímulos do setor” e referiu que há várias temáticas que acabam por sobressair na presente edição, como o direito à habitação, a luta dos direitos das mulheres e questões “mais próximas das relações interpessoais e do corpo”.
Este ano, o Caminhos irá contar com a antestreia de “Mulheres de Abril”, de Raquel Freire, filme que celebra as mulheres que lutaram contra o fascismo e colonialismo português, assim como do novo filme de João Botelho, “O Velho Salazar”, sobre o ditador português, e “Povo e Poder”, de Ico Costa, a partir das presidenciais de Moçambique em 2024.
Na seleção principal do festival, estará também “O Jacaré”, o último filme de Basil da Cunha rodado no Bairro da Reboleira, na Amadora, “18 Buracos para o Paraíso”, de João Nuno Pinto, e “O Nosso Último Filme sobre Lisboa”, do coletivo Left Hand Rotation, que explora a especulação imobiliária na capital do país.
Na seleção “Outros Olhares”, o festival irá ter “Fordelândia Panacea”, de Susana Sousa Dias, “Auto da Casa”, filme de Tiago Bartolomeu Costa e Joana Cunha Ferreira sobre o Teatro Nacional D. Maria II, e “Nova ‘79”, de Rodrigo Areias e Aaron Brookner, sobre a contracultura nova-iorquina.
Nessa secção, haverá um grande destaque a filmes que se debruçam sobre artistas, como é o caso de “Esta Vida de Marinheiro”, de Paulo Miguel Antunes sobre o músico João Aguardela, “De Lugar Nenhum”, em que Miguel Gonçalves Mendes se debruça sobre o escritor Valter Hugo Mãe, e “Neste Quarto”, em que Ana Rocha de Sousa acompanha Carminho.
No dia 21, além da entrega dos vários prémios do festival, há um concerto de Surma.
Segundo o diretor, o festival acolheu cerca de 17% das propostas que lhe chegaram (cerca de 700).
Além das duas seleções referidas, o Caminhos conta ainda com uma secção competitiva dedicada a filmes realizados em contexto académico (onde também se abre a porta a filmes estrangeiros).
Além das extensões em Góis e Mealhada, o festival tem ainda uma extensão em Lisboa, no Cine-Teatro Turim, em Benfica.