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Quarenta anos depois, Jorge Antunes deixa o corpo ativo dos bombeiros. O médico de profissão iniciou a sua atividade como soldado da paz em 1982, nos Voluntários de Viseu e, anos mais tarde, em 1998 assumiu funções como comandante dos Sapadores. Foi na corporação do município que passou os últimos 24 anos, agora despede-se com “orgulho” por ter feito parte desta nobre causa.
“Foi com grande orgulho que fiz parte dos bombeiros. Fiz muitos amigos em todo o distrito e sei que sempre fizemos de tudo para solucionar os problemas que iam aparecendo. Mas, tudo tem um fim”, disse ao Jornal do Centro Jorge Antunes.
Recentemente, na comemoração dos 195 anos dos Sapadores de Viseu, foi-lhe atribuído o Crachá de Cidadania e Mérito, pela Liga dos Bombeiros Portugueses, uma forma de enaltecer o contributo ao longo destes anos ao serviço dos bombeiros. Uma distinção proposta pelo presidente da Câmara Municipal de Viseu, Fernando Ruas, e que acabou por assinalar o fim de um ciclo.
Jorge Antunes diz sair com um sentimento de satisfação, pois ao longo dos últimos anos viu os bombeiros tornarem-se cada vez mais capazes. “Agora a Proteção Civil já tem outras perspetivas e já abarca mais ocorrências. A corporação foi crescendo e hoje já é uma casa muito grande”, disse.
O agora antigo comandante recorda a chegada aos Sapadores de Viseu e o trabalho que foi sendo feito, sempre com o objetivo de “garantir o melhor socorro à população”.
“Tive que fazer uma avaliação ao que era preciso e foi pôr mãos à obra e colocar as necessidades ao serviço da autarquia e dos nossos habitantes. Melhorámos sempre que possível o parque automóvel, o fardamento, que na altura não tinha a proteção que era necessária e, aos bocadinhos, fomos equipando ao nível de viaturas, de pessoas, mais formação e conseguimos fazer um corpo de bombeiros experiente e satisfazer todas as ocorrências que iam aparecendo”, frisou.
Jorge Antunes recorda ainda a dificuldade que é ser bombeiro, mas destaca a capacidade que estes homens sempre tiveram de viver com o que se tinha.
“Ser bombeiro não é fácil, os subsídios não abundam, mas sempre fomos capazes e nos adaptar. E, claro que gostávamos de poder estar em todos os lados, ter um bombeiro em cada sítio, o que não é possível e por vezes as pessoas não compreendem isso”, desabafou.
Em quatro décadas ao serviço dos bombeiros foram muitas as histórias e ocorrências com a qual Jorge Antunes se deparou, questionado quais as que o marcaram mais, conta que “o que mais impressiona são as pessoas queimadas”.
“Lembro-me de uma situação, quando estava nos bombeiros voluntários, numa pedreira, um senhor ficou com a cara desfeita. Essa imagem nunca mais me saiu da cabeça”, contou, lembrando que o facto de ser médico também foi ajudando a que partilhasse experiências e conhecimentos.
“Pela minha profissão tentei sempre ajudar, dando alguns conhecimentos e o que fosse preciso para minimizar os danos”, revelou.
Para o futuro, Jorge Antunes espera que os bombeiros continuem a apostar no profissionalismo e que consigam ultrapassar sempre as exigências a que estão sujeitos.
A Câmara Municipal de Viseu ainda não anunciou o sucessor de Jorge Antunes, Rui Nogueira, 2º comandante da corporação está agora como comandante em suplência.