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Jogadores de futebol a ajeitarem o terreno de jogo para um colega bater uma grande penalidade. O terreno de jogo, literalmente. Não se notava relva naquela área do campo. Aconteceu este sábado, 7 de janeiro, no Estádio do Fontelo em Viseu. O jogo pôs frente a frente Académico de Viseu e FCPorto B. As imagens correram nas redes sociais. As partilhas multiplicaram-se. Vários adeptos pediam solução para o estado da relva do Fontelo.
Também Jorge Costa se mostrou preocupado e manifestou-se nesse sentido no pós-jogo. Disse o técnico que um relvado nestas condições coloca em risco a saúde dos jogadores. “São várias condicionantes que me começam verdadeiramente a preocupar. Este relvado é mais do mesmo. Não nos permite fazer o que sabemos e o que gostamos de fazer, que é jogar bem”, lamentou. Já não é a primeira vez que Jorge Costa se refere ao mau estado do terreno.
Mas afinal, que consequências pode ter um mau relvado? As lesões é o primeiro grande risco, defende Carlos Agostinho, antigo treinador de futebol e comentador de desporto do Jornal do Centro. “O treinador do Académico de Viseu ao dizer que pode pôr em causa a lesão de jogadores, tem todo o sentido porque a bola não anda, a chuteira enterra. Para lesões nos ligamentos, entorses… Um mau relvado também provoca mais contactos que levam a lesões”, começa por explicar Carlos Agostinho que afirma mesmo que um “tapete verde” em más condições pode lesionar um atleta para toda a época.
O treinador que já treinou o Académico, lembra que nessa altura já se tratava o relvado do Fontelo ‘com pinças’. “Também já passei por aí [Académico] e na altura só podíamos usar o Fontelo uma vez por semana. Depois, quando chovia mais, havia sempre zonas do campo que ficavam com muito mais água e lama. O relvado foi substituído, poderá ter a ver com a localização. Não sei a forma como são ou devem ser cuidados. Agora é importante apostar em alguém muito especializado”, defende.
Diz o ex-treinador de futebol que um clube para funcionar tem de ter reunidas um conjunto de condições. “O Académico está num patamar alto, com grandes possibilidades de chegar à Primeira Liga e é preciso um Fontelo com melhores condições. Para estar no patamar mais elevado do futebol português não basta uma boa SAD, uma boa organização, um bom plantel e equipa técnica de qualidade, também são importantes os espaços de treino”, vinca.
O Jornal do Centro ouviu também o vereador do Desporto do município. Diz Pedro Ribeiro que “desde há 15 dias que o Município e o Académico estão a trabalhar conjuntamente numa solução”. O autarca que, a propósito do relvado há dois concursos diferentes em causa. “Um deles é a construção das infraestruturas e o próprio relvado e outro é a manutenção. A mesma empresa ganhou ambos os concursos”, diz Pedro Ribeiro, referindo que os contratos foram assinados pelo anterior executivo.
O responsável pela pasta do Desporto no executivo viseense referiu estar a haver um esforço conjunto entre Câmara e Académico para resolver a questão. “Não estamos a desleixar coisa nenhuma. O nosso máximo esforço não consegue superar os eventos extremos que temos tido. É pouco tempo para recuperar o relvado”, garante.
Diz Pedro Ribeiro que houve “um golpe de calor grande no verão e houve um excesso de pluviosidade nestas últimas semanas, o que impediu qualquer manobra corretiva”. O autarca deixou ainda a garantia de que há um mês “foi a Câmara que fez uma pressão junto da empresa” para corrigir os problemas do relvado” e confessa que ao ver o jogo entre Académico e FCPorto B sentiu que “na segunda parte o campo não aguentou”.