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A diabetes é uma doença crónica comum, que atinge mais de 460 milhões de pessoas em todo o mundo. Caracteriza-se por hiperglicemia (níveis elevados de glicose no sangue) e resulta de defeitos na libertação e/ou ação da insulina.

A insulina é uma hormona que permite a entrada da glicose nas células, para ser utilizada como fonte de energia. Quando a ação da insulina é insuficiente, a glicose acumula-se no sangue mas as células são incapazes de produzir energia, e surgem sintomas típicos da doença: sede exagerada, maior necessidade de urinar, mais fome do que o habitual, mas, apesar disso, perda de peso progressiva. 

É essencial conhecer os principais sintomas e, em caso de suspeita, avaliar rapidamente a glicemia capilar (glicose no sangue medida numa gota de sangue por picada no dedo), disponível em qualquer instituição de saúde. 

A diabetes é uma doença complexa e heterogénea, classificada em múltiplos tipos, sendo os mais frequentes a diabetes mellitus tipo 1 e 2. 

A diabetes mellitus tipo 1, apesar de globalmente corresponder a apenas 10% de todos os casos de diabetes, representa cerca de 95% da diabetes em idade pediátrica. É uma das doenças crónicas mais comuns nas crianças e jovens, tem uma incidência crescente e atinge faixas etárias cada vez mais precoces (20% dos casos são diagnosticados abaixo dos 5 anos de idade). É uma doença autoimune, caracterizada pela destruição progressiva das células que produzem insulina, em jovens com predisposição genética. Não está associada a estilos de vida ou hábitos alimentares e implica uma dependência total de insulina, desde o diagnóstico e durante toda a vida. 

Na diabetes mellitus tipo 2, não há um defeito de produção, mas sim excesso de insulina, resultante de situações de excesso alimentar e obesidade. Representa uma pequena percentagem da diabetes em idade pediátrica, embora crescente, associada à epidemia da obesidade. O tratamento primordial é a intervenção no estilo de vida, podendo a doença e a necessidade de tratamento farmacológico ser reversíveis. 

No caso da diabetes tipo 1, a estabilização da doença ao diagnóstico pode ser difícil e a aprendizagem do tratamento exigente, necessitando de equipas experientes dedicadas à diabetologia pediátrica e de profissionais multidisciplinares (endocrinologista pediátrico, enfermeiro especialista, nutricionista e psicólogo). É ainda necessária uma constante atualização e formação regular das equipas e dos pais/cuidadores, dada a rápida evolução dos tratamentos. 

Quando se fala de diabetes, tende-se a generalizar “falsos mitos”, que importa esclarecer. Em idade pediátrica, considerando a diabetes tipo 1, convém reforçar que: não é provocada “por comer muitos doces”, podendo ocorrer em crianças que nunca provaram um doce; as crianças com diabetes podem comer de tudo, incluindo açúcar, com moderação, no contexto de uma alimentação saudável; a necessidade de insulina não é um sinal de que a diabetes piorou, é o tratamento vital; a diabetes não impede a criança de ter uma vida normal. 

Pais bem informados são parceiros fundamentais no diagnóstico precoce e tratamento adequado da diabetes. Embora tenha um impacto significativo no quotidiano das famílias, não é um obstáculo ao futuro destas crianças e jovens, que podem e devem ter uma vida plena, ativa e saudável. 

Joana Serra Caetano, pediatra no Hospital CUF Viseu – Consulta Endocrinologia Pediátrica

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