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A criação “Conversa Após Espectáculo”, de António Alvarenga, chega ao Teatro Municipal da Covilhã, nos dias 30 e 31 de outubro, e ao Salão Nobre do Clube de Viseu, em 6 e 7 de novembro, propondo uma reflexão sobre os limites entre teatro, performance e conversa.
Com dramaturgia e encenação do próprio António Alvarenga, o espetáculo parte de uma premissa invulgar: o público assiste a uma conversa sobre uma peça que não viu, intitulada provisoriamente “Betão, ou porque o paraíso é concreto”.
Aquilo que habitualmente acontece depois de uma representação, num encontro entre artistas e espectadores, transforma-se, nesta criação, no próprio acontecimento teatral.
Antes destas apresentações, o projeto promove dois momentos de aproximação ao público. O primeiro está previsto para 21 de outubro, com o lançamento do podcast “Conversa Antes da Conversa Após Espectáculo”, da autoria de André Albuquerque.
A 24 de outubro, pelas 18h00, o Ponto Cultural São Lázaro, em Viseu, acolhe uma prequela e antestreia do projeto, num primeiro encontro com o público.
Em palco, juntam-se o criador, a intérprete principal, um moderador, um consultor técnico e a responsável pelo acompanhamento visual da cenografia, além de três figuras designadas como “quase-filósofos”, que atravessam a conversa.
A proposta cruza texto, improvisação, música, movimento e dança, explorando a fragilidade da comunicação, a instabilidade dos significados e a forma como palavras, silêncios, corpos e gestos podem produzir sentidos sem necessidade de explicação.
Ao retirar da equação o espetáculo sobre o qual habitualmente se conversa, António Alvarenga desloca o foco para a própria linguagem e para a relação entre quem fala e quem escuta.
“Não é por se chamar ‘Conversa’ que passa a ser uma conversa”, escreve o criador, numa frase que sintetiza a natureza desta experiência cénica.
A interpretação reúne Leonor Barata, António Alvarenga, Óscar Silva, Hugo Costa, Kátia Sá, Léonard Murys, Tomás Alvarenga e André Albuquerque, com participação especial de Maria R. Soares.
A produção está a cargo da ALVA, com acompanhamento crítico de João Fiadeiro.