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A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) prevê realizar, ao longo desta semana, descargas controladas de água armazenada na albufeira da barragem do Caldeirão para reforçar temporariamente os caudais do rio Mondego, numa altura em que o reduzido escoamento a montante da barragem da Aguieira está a preocupar os municípios de Nelas, Fornos de Algodres, Celorico da Beira e Guarda.
Em comunicado, a APA explica que a operação pretende melhorar as condições de escoamento e contribuir para a recuperação das condições ambientais do rio, numa altura em que a disponibilidade de água tem diminuído de forma acentuada devido às condições meteorológicas registadas nas últimas semanas.
Segundo a APA, as descargas serão programadas e realizadas de forma controlada, procurando conciliar o reforço dos caudais com os restantes usos do rio. A operação será igualmente planeada de forma a minimizar eventuais impactos nas zonas balneares situadas a jusante, nomeadamente durante o período diurno.
“A situação está a ser acompanhada permanentemente pela APA, em articulação com os municípios envolvidos, tendo em conta a proteção dos recursos hídricos, a qualidade da água e a preservação dos ecossistemas aquáticos”, lê-se no comunicado.
O cenário é agravado pelas condições meteorológicas registadas em julho, que, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), foi o mês de julho mais seco deste século em Portugal continental e o oitavo mais seco desde 1931.
A precipitação média registada no continente foi de apenas 0,8 milímetros, menos de 8% do valor normal para o mês. A precipitação excecionalmente reduzida, conjugada com temperaturas elevadas e sucessivas ondas de calor, tem contribuído para uma redução significativa das disponibilidades hídricas.
Os efeitos da escassez de água já são visíveis em zonas de menor circulação, empoçamentos e pequenas albufeiras, onde têm sido observados sinais de eutrofização e proliferação de algas.
A APA alerta que estes fenómenos exigem especial atenção devido aos potenciais impactos na qualidade da água e no equilíbrio dos ecossistemas aquáticos.
Além do reforço temporário dos caudais, a agência assegura que continuará a acompanhar a evolução dos níveis de água e da qualidade do rio e a fiscalizar os usos dos recursos hídricos a montante, procurando assegurar uma gestão equilibrada das disponibilidades existentes.
“Os municípios envolvidos estão a acompanhar a evolução da situação em estreita articulação com a APA, considerando a proteção dos recursos hídricos, a salvaguarda da qualidade da água e a preservação dos ecossistemas. A APA adotará, sempre que necessário, as medidas adicionais que se revelem adequadas à evolução das condições hidrológicas e meteorológicas”, garante a Agência.