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Já se sente português e já o é no cartão de cidadão. Rahul Bhaskar Trivedi, nasceu em Bombaim, na Índia, e veio para Portugal há 28 anos. Quando chegou instalou-se logo na cidade de Viseu e de lá nunca mais saiu.
Rahul já viveu mais anos no nosso país do que na nação que o viu nascer. É também por isso que deixou de lado o passaporte indiano e desde 2006 possui a nacionalidade lusitana. Só não tem dupla nacionalidade, como muitos outros emigrantes, porque a Índia não o permite. Na hora de optar por um país, escolheu Portugal.
“Já me sinto mais português do que indiano. Estou bem aqui. Quando estamos bem não vale a pena mudarmos”, afirma perentório.
Este emigrante chegou a terras lusitanas quando tinha apenas 16 anos. Chegou com a mãe para se reunir com o pai e irmão que já se encontravam a viver e a trabalhar em Viseu.
“Vim porque o meu pai já cá estava. Na Índia a vida era mais complicada e ele saiu de lá. Ele queria ir para Inglaterra, mas como era mais fácil veio primeiro para Portugal e a ideia era mudar-se para Inglaterra. Acabou por não ir porque aqui é diferente, é mais sossegado e por isso não quis ir”, conta.
Com ele ficou também Rahul, que não esconde que a mudança “foi muito complicada”.
“Eu até chorava porque na Índia estava a tirar o curso de tecnologia eletrónica, não fazia mais nada. Quando vim comecei logo a fazer feiras com o meu pai. Não sabia falar português, ainda não sei, mas acho que já falo mais ou menos, diz.
O luso-indiano seguiu o ofício do pai. Ainda hoje é feirante. Tem também um armazém que se dedica à revenda de material.
Desde que chegou a Portugal, Rahul só voltou uma vez a Bombaim. Regressou à Índia em 2000 para casar, numa união que foi organizada pelos seus pais.
“Ainda temos as nossas tradições e nos nossos pais organizaram o nosso casamento. Naquela altura era assim, mas agora já está diferente. Naquele tempo tinha que ser mesmo”, explica.
Casado, este emigrante é hoje pai de duas raparigas.
Nunca se sentiu discriminado em Portugal e na região de Viseu. Garante que “as pessoas no início” o ajudaram “bastante porque não sabia falar” a língua. “Não tenho nenhuma razão de queixa. Há pessoas que têm, mas eu não tenho nada a apontar”, salienta.
A comida, o vinho e as mulheres é o que mais aprecia no nosso país, refere numa gargalhada.
Gosta de viver em Viseu, cidade onde, defende, “está tudo muito bem orientado”.
“Estamos muito bem. Só falta a praia aqui”, sustenta, entre risos, acrescentando que de negativo nada tem a apontar.
Tal como os restantes portugueses, a pandemia também lhe mudou a vida. Há mais de um ano, quando a Covid-19 chegou a terras lusitanas, ficou em casa, sem trabalhar. “Custou muito, mas já passou”, adianta.
Rahul Bhaskar Trivedi só espera que tudo comece a melhorar. É por isso que torce todos os dias.
“Se nos portamos todos bem vamos conseguir superar isto”, conclui.