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Os artistas e a arte, assim como o ambiente e a ecologia são o foco da Marcha dos Sonhos, uma das componentes do festival Outono Quente, que se realiza em outubro, em Viseu, anunciou hoje a organização.
“Participei nas primeiras edições da Marcha dos Sonhos com [o professor, ator e encenador] Jorge Fraga [1953-2024] e quando me desafiaram a criar a marcha para esta edição do Outono Quente, a primeira ideia que que me veio foi a obra literária ‘Gigantes da Montanha’, de [Luigi] Pirandello”, revelou Florbela Cunha da da ZunZum Associação Cultural, que organiza o festival.
Esta responsável falava hoje aos jornalistas, com os responsáveis da associação e do festival, que este ano realiza a sua 15.ª edição, de 02 a 05 de outubro, na cidade de Viseu.
Para Florbela Cunha – que guarda “belas recordações” dessas primeiras edições –, a obra de Pirandello é “a marcha, a itinerância a deslocação de uma trupe de artistas que tem o sonho de fazer uma peça, levar a palavra, a poesia, e que querem ser ouvidos”.
“E isto fez-me muito no sentido de querermos ser ouvidos, de os artistas quererem ser ouvidos – querem um lugar para apresentar a sua arte. As várias companhias da nossa cidade também se lamentam continuamente por falta de espaços para se apresentarem e então fez-me todo o sentido a Marcha dos Sonhos ter a ver com os ‘Gigantes da Montanha’”, justificou.
Florbela Cunha desvendou que além dos artistas e da arte “há outra questão que preocupa muito” todas as pessoas, na atualidade, que é o ambiente: “Quase semanalmente há notícias de inundações, incêndios, sismos, é uma constante”.
“E por isso achei que não fazia muito sentido ser só a arte e, na minha cabeça, surgiu esta ideia de juntar dois parentes muito necessitados, que é também esta questão da ecologia”.
Para isso, acrescentou Florbela Cunha, há três grupos a trabalhar, e já começaram as oficinas, “apesar de ainda haver espaço para quem se queira juntar aos cerca de 30 elementos que estão atualmente a preparar” as apresentações.
“É o grupo dos artistas que dá início à marcha e que se encontra com o grupo da terra, que tem os animais e os elementos da natureza, e cada um deles tem o sonho de ser ouvido e de levar a sua voz longe”, revelou.
Evitando “desvendar tudo”, Florbela Cunha acrescentou que esses dois grupos, depois de unidos, chegam ao terceiro ponto, no Parque Aquilino Ribeiro, comummente chamado de Parque da Cidade, local central das atividades do Outono Quente, para se juntar ao terceiro grupo, constituído pelos “gigantes da montanha”.
“E eles mostram que a arte pode ser apresentada em qualquer lado, o teatro pode ser feito aqui ou ali, mas há isto de os gigantes lutarem contra os gigantes da matéria, do consumismo e da economia, que não os gigantes dos sonhos, da arte e da palavra”, adiantou.
A Marcha dos Sonhos é um dos “pontos altos” do festival, assim como o Projeto Comunidade e o Ciclo de Conversas que este ano promove uma conversa diária, “sempre com intervenientes e áreas diferentes, mas sempre à volta do tema principal: arte e realidade”, disse Isabel Legoinha, da ZunZum.
A presidente da associação, Sónia Almeida, realçou que a edição deste ano “consegue chegar a todas as áreas que a ZunZum se propõe”, como é o caso da música, dança, teatro, oficinas e conta com “artistas locais e de fora do país”.
Sem quererem destacar um ou outro artista ou interveniente desta 15.ª edição, as responsáveis realçaram que “o programa pode ser consultado ao detalhe na internet”, através da página oficial do festival (https://outonoquente.zunzum-ac.pt/).