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O presidente da Câmara de Moimenta da Beira reforçou a oposição à instalação de painéis solares no rio Távora e disse que está em curso uma petição online e já agendou uma reunião com a ministra do Ambiente.
“Este projeto é uma aberração. Dizemos isto desde 2021, quando foi falado pela primeira vez e nem se percebe porque é que o projeto ainda não foi readaptado para outra área, tendo em conta que os outros presidentes, autarcas das juntas e população no geral é contra este projeto”, vincou hoje, à agência Lusa, Paulo Figueiredo.
O presidente da Câmara de Moimenta da Beira falava do projeto solar fotovoltaico flutuante e híbrido eólico de Vilar-Tabuaço, cuja consulta pública termina em 23 de novembro, segundo publicação em Diário da República.
“Desde o dia 14 de outubro, quando abriu a consulta pública, já tem cerca de 900 participações”, adiantou o autarca.
O projeto prevê a instalação na albufeira de Vilar, em Sernancelhe, de 30.744 painéis fotovoltaicos bifaciais, agrupados em módulos energéticos e instalados sobre estruturas flutuantes que, ao serem interligados, formam ilhas fotovoltaicas, numa área total de 12 hectares sobre o rio.
“Não somos contra investimentos, este tem é de ser reajustado, que seja feito em terra. Há por aí muita área até com 200 hectares e que facilmente lhe poderiam acoplar mais 10% de painéis e até deve diminuir o valor do investimento e tudo. Porque é que tem de ser colocado na água?”, questiona.
Paulo Figueiredo, eleito pelo PS, adiantou que já agendou, “novamente, tal como em 2024, com a mesma ministra do Ambiente”, Maria da Graça Carvalho, uma reunião no dia 11 de novembro,
Tal como há dois anos, “na altura com outros autarcas, mas com a mesma posição”, ele irá com os presidentes dos municípios de Sernancelhe (PSD) e Tabuaço (PS), os três do distrito de Viseu, e da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Douro que são abastecidos de água pela albufeira do rio Távora.
Além da consulta pública do projeto, que o autarca afirma que ela está “a ser amplamente divulgada”, nomeadamente nas redes sociais, para que as pessoas se manifestem, “há já também uma petição pública” a circular na internet.
A petição “pela salvaguarda do território: rejeição do projeto do solar fotovoltaico flutuante e híbrido eólico de Vilar-Tabuaço”, é dirigida ao Presidente da República, António José Seguro, manifestando a “mais profunda discordância, oposição e total rejeição relativamente à implementação” do projeto, apesar de reconhecer a “importância estratégica da transição energética e das energias renováveis”.
“Contudo, defendemos convictamente que as metas ambientais nacionais não podem ser alcançadas à custa do sacrifício desproporcional dos territórios do interior, da destruição dos ecossistemas locais, da descaracterização extrema da paisagem e do prejuízo socioeconómico das populações que neles habitam”, sustenta o documento.
Paulo Figueiredo realça que já tem “mais de mil assinaturas e era muito importante reunir as suficientes” para chegar a debate (na Assembleia da República) “de forma a acabar de vez com essa ideia que é uma aberração para a região”, sublinha o autarca.
Tal como os outros municípios, os argumentos para se manifestar contra o projeto passam por razões ambientais, flora e fauna, a qualidade da água, o impacto no turismo local e também por razões de proteção civil.
“É possivelmente a maior albufeira no norte do distrito de Viseu e a sul do Douro e, no verão, são centenas de vezes que os meios aéreos ali vão buscar água diariamente para combater os fogos que, infelizmente, têm atingido a nossa região”, indica.