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	<title>Colunistas - Jornal do Centro</title>
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	<description>Notícias de Viseu e da Região Centro</description>
	<lastBuildDate>Sat, 18 Apr 2026 14:02:11 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Colunistas - Jornal do Centro</title>
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		<title>Borlas nos autocarros e nabos </title>
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		<dc:creator><![CDATA[Sandra Rodrigues]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 18 Apr 2026 14:02:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>1. A câmara municipal de Viseu acaba de decidir transportes públicos gratuitos para os residentes no concelho, dando cumprimento a uma das mais emblemáticas promessas eleitorais do seu presidente, João Azevedo.Para a concretização da medida falta agora a votação na assembleia municipal onde o PS, apesar de estar em minoria, não terá dificuldades na sua [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>1. A câmara municipal de Viseu acaba de decidir transportes públicos gratuitos para os residentes no concelho, dando cumprimento a uma das mais emblemáticas promessas eleitorais do seu presidente, João Azevedo.<br>Para a concretização da medida falta agora a votação na assembleia municipal onde o PS, apesar de estar em minoria, não terá dificuldades na sua aprovação.<br>Causou-me surpresa a borla ser só para os residentes. Num primeiro olhar, esse “exclusivo” parece justo: quem paga o sistema com os seus impostos deve beneficiar, quem não paga, não. Mas, se pensarmos melhor, dificilmente a receita proveniente dos não residentes cobrirá os custos da bilhética &nbsp;— máquinas, cartões de residentes, validadores, fiscalização, pessoal administrativo, custos dos pagamentos electrónicos, controlos de fraude, manutenção tecnológica.<br>De qualquer forma, João Azevedo merece aplauso por ter honrado a sua palavra perante os eleitores.<br>A medida pode e deve ser afinada para o novo contrato de concessão que começa no segundo trimestre do próximo ano. Há que aumentar a quantidade e a qualidade da oferta de autocarros, colocar parques de estacionamento vigiados nas entradas da cidade e tornar o estacionamento no centro mais caro (para quem não usar os transportes públicos) e mais abundante e gratuito para os residentes. &nbsp;</p>



<p>2. Há uma semana, no Solar do Dão, Pedro Alves, perante o ministro Pinto Luz e as bases laranjas, afirmou que “não vai ser difícil recuperar a câmara de Viseu.”<br>Ora, se é assim como diz o novo presidente da concelhia do PSD-Viseu, se “não vai ser difícil recuperar a câmara de Viseu”, então, só um candidato laranja muito “nabo” é que não ganha em 2029.&nbsp;<br>Donde:<br>— ou Pedro Alves vai a votos contra João Azevedo;<br>— ou Pedro Alves não vai a votos contra João Azevedo porque nem ele próprio acredita naquela farronca.</p><p>The post <a href="https://www.jornaldocentro.pt/borlas-nos-autocarros-e-nabos/">Borlas nos autocarros e nabos </a> first appeared on <a href="https://www.jornaldocentro.pt">Jornal do Centro</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Viseu precisa de um Serviço Nacional de Saúde maisforte</title>
		<link>https://www.jornaldocentro.pt/viseu-precisa-de-um-servico-nacional-de-saude-maisforte/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandra Rodrigues]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Apr 2026 12:40:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A&#160;XIII&#160;Assembleia&#160;da&#160;Organização&#160;Regional&#160;de Viseu&#160;do Partido&#160;Comunista&#160;Português,realizada no dia 11 de abril, no Instituto Português do Desporto e Juventude, teve uma importância&#160;política assinalável. Não apenas porque reuniu militantes&#160;para discutir o reforço do PCP na região como para avaliar a&#160;situação do distrito, definir prioridades e reforçar a intervenção política, mas também porque constituiu um espaço de reflexão séria sobre os [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A&nbsp;XIII&nbsp;Assembleia&nbsp;da&nbsp;Organização&nbsp;Regional&nbsp;de Viseu&nbsp;do Partido&nbsp;Comunista&nbsp;Português,realizada no dia 11 de abril, no Instituto Português do Desporto e Juventude, teve uma importância&nbsp;política assinalável. Não apenas porque reuniu militantes&nbsp;para discutir o reforço do PCP na região como para avaliar a&nbsp;situação do distrito, definir prioridades e reforçar a intervenção política, mas também porque constituiu um espaço de reflexão séria sobre os problemas concretos das populações e sobre as respostas que lhes devem ser dadas. Num distrito marcado por desigualdades territoriais, envelhecimento demográfico, dificuldades de mobilidade e carências persistentes em&nbsp;serviços públicos essenciais, esta Assembleia assumiu um significado particular.</p>



<p>Desde o Pacote Laboral, a situação da Casa do Douro, a mobilidade e rede viária, a linha ferroviária, o poder local democrático, as eleições, o direito à habitação e a luta pela paz, a saúde ocupou um lugar destacado. E não podia ser de outra forma.&nbsp;Falar&nbsp;doServiço&nbsp;Nacional&nbsp;de&nbsp;Saúde&nbsp;é&nbsp;falar&nbsp;de&nbsp;uma&nbsp;das&nbsp;maiores&nbsp;conquistas&nbsp;de&nbsp;Abril&nbsp;e&nbsp;da democracia portuguesa. É falar de um direito&nbsp;fundamental. É falar da obrigação do Estado de garantir cuidados de saúde a todos, sem discriminações e sem barreiras económicas. É falar, em suma, de uma opção civilizacional.</p>



<p>Num&nbsp;tempo em&nbsp;que&nbsp;se&nbsp;aprofunda&nbsp;a&nbsp;desvalorização do&nbsp;Serviço&nbsp;Nacional&nbsp;de&nbsp;Saúde&nbsp;e&nbsp;seacentua o seu desmantelamento, importa afirmar uma evidência que a vida encarrega de confirmar todos os dias: é com o Serviço Nacional de Saúde que os portugueses contam. Quando surge&nbsp;a doença, quando é necessária uma consulta, uma cirurgia, um tratamento, um parto, uma urgência ou um&nbsp;acompanhamento&nbsp;prolongado, é ao serviçopúblico&nbsp;que as pessoas recorrem. É nele que depositam a sua confiança. É nele que procuram segurança. E é por isso que o seu enfraquecimento não é apenas um problema administrativo ou financeiro. É um problema político e social da maior gravidade.</p>



<p>No distrito de Viseu, esta questão é ainda mais sensível. Estamos perante um território onde&nbsp;a dispersão geográfica, a distância, a falta de transportes e o envelhecimento da população tornam a proximidade dos cuidados uma exigência decisiva. Para muitas pessoas, o acesso à saúde&nbsp;não&nbsp;depende&nbsp;apenas&nbsp;da&nbsp;existência&nbsp;formal&nbsp;de serviços.Depende&nbsp;da&nbsp;possibilidade&nbsp;real&nbsp;de lá chegar, do tempo de espera, da articulação entre respostas, da clareza dos percursos e da existência de profissionais em número suficiente. Cada falha, cada atraso, cada descoordenação pesa mais quando se vive longe dos grandes centros e quando a idade, a doença ou a fragilidade tornam mais difícil enfrentar esses obstáculos.</p>



<p>É neste quadro que a dispersão de serviços pode ter consequências graves, se não for acompanhada por planeamento, articulação e reforço de meios. O distrito de Viseu é servido por&nbsp;quatro&nbsp;Unidades&nbsp;Locais&nbsp;de&nbsp;Saúde.&nbsp;Esta&nbsp;realidade,&nbsp;que&nbsp;decorre&nbsp;da&nbsp;própriaconfiguração</p>



<p>territorial e administrativa, não pode traduzir-se em fragmentação da resposta, em confusão para os utentes ou em agravamento das desigualdades. Pelo contrário, exige maior capacidade de coordenação, maior responsabilidade do Estado e uma atenção redobrada às necessidades concretas das populações.</p>



<p>As dificuldades sentidas em múltiplas situações de acompanhamento regular, na resposta hospitalar, na fixação de profissionais e na garantia de cuidados de proximidade não caíram do&nbsp;céu.&nbsp;Não&nbsp;são&nbsp;fatalidades.&nbsp;Não&nbsp;são&nbsp;inevitabilidades.Resultam&nbsp;de&nbsp;opções&nbsp;políticas&nbsp;concretas. Resultam de décadas de subfinanciamento, da desvalorização das carreiras, do desgaste imposto aos profissionais e da insistência numa lógica que enfraquece o serviço público para depois apresentar o setor privado como solução.</p>



<p>É aqui que importa desmontar uma mistificação muito usada no debate político. Há quem procure apresentar a defesa do Serviço Nacional de Saúde público, universal, geral e gratuito como uma posição meramente ideológica, enquanto se tenta fazer passar por neutralidade&nbsp;ou pragmatismo a ideia de alargar a prestação de cuidados ao setor privado e social como forma de “melhorar” o sistema. Ora, a verdade é outra. A defesa do Serviço Nacional de Saúde é, sim, uma opção ideológica, no sentido mais nobre da palavra: a opção de colocar a saúde ao serviço de todos e de a afirmar como direito fundamental. O que não pode ficar escondido é que também aqueles que defendem a crescente transferência de valências, recursos e financiamento para interesses privados estão a assumir uma opção ideológica, profundamente marcada pela visão neoliberal de submeter direitos fundamentais à lógica do&nbsp;mercado.</p>



<p>Esse é o verdadeiro confronto em presença. De um lado, quem entende que a saúde deve continuar a ser um direito universal, garantido por um serviço público forte, acessível e gratuito. Do outro, quem quer transformar a doença, a necessidade de cuidados e o sofrimento em oportunidade de negócio para grupos económicos da área da saúde. Uns defendem a igualdade de acesso. Outros aceitam, mesmo quando o disfarçam com palavras suaves, um caminho em que os cuidados tenderão a ser cada vez mais diferenciados entre quem pode pagar e quem não pode. Uns colocam os direitos acima do lucro. Outros colocam o mercado acima dos direitos.</p>



<p>Também por isso é tão importante insistir numa forte resposta pública em cuidados continuados e paliativos. Num distrito com um índice de envelhecimento significativo, esta é uma necessidade central. Não estamos perante um pormenor do sistema. Estamos perante uma exigência humana, social e civilizacional. Garantir cuidados continuados e paliativos públicos significa assegurar dignidade, continuidade, alívio do sofrimento e apoio às famílias em&nbsp;momentos&nbsp;particularmente&nbsp;difíceis.&nbsp;Significaresponder&nbsp;melhor&nbsp;a&nbsp;situações&nbsp;de</p>



<p>dependência, doença prolongada e fragilidade acrescida. E significa também aliviar a pressão sobre outras estruturas do sistema, permitindo uma resposta mais ajustada às diferentes&nbsp;necessidades.</p>



<p>É neste sentido que a Assembleia da Organização Regional de Viseu do Partido Comunista Português se reveste de importância acrescida. Porque permite olhar para a realidade sem a mascarar. Porque permite identificar responsabilidades. Porque permite afirmar propostas, nomeadamente, a conversão do Hospital Psquiátrico de Abraveses numa unidade pública de cuidados continuados/paliativos; reabertura das extensões de saúde encerrados e ampliar a rede de cuidados primários; reforçar com meios técnicos e recursos humanos a resposta aos atrasos nas listas de espera; reforçar as estrutura de saúde pública com um delegado de saúde, um enfermeiro e um técnico por concelho; implementar, no quadro do reforço dos cuidados de psiquiatria e saúde mental, uma unidade hospitalar com internamento, cuidados ambulatórios e equipas de intervenção comunitária na ULS Viseu Dão Lafões; reactivar as valências hospitalares encerradas no Hospital de Lamego.&nbsp;</p>



<p>Viseu precisa de um Serviço Nacional de Saúde mais forte. Precisa de mais investimento público. Precisa de profissionais valorizados e fixados no território. Precisa de melhores cuidados de proximidade. Precisa de melhor articulação entre serviços. Precisa de uma resposta pública robusta nos cuidados continuados e paliativos. Precisa, acima de tudo, de uma política que não trate a saúde como mercadoria nem como campo de negócio.</p>



<p>É&nbsp;essa&nbsp;a&nbsp;escolha que importa&nbsp;fazer.&nbsp;Entre a&nbsp;saúde como&nbsp;direito&nbsp;e a&nbsp;saúde comonegócio.&nbsp;Entre o serviço público e a lógica do lucro. Entre a defesa das populações e a submissão aos interesses económicos. O PCP, no distrito de Viseu como no plano nacional, afirmará no dia 21 de Abril, com uma grande acção nacional a defesa do SNS, em Viseu numa acção de contacto com os trabalhadores do Hospital de São Teotónio às 7h.&nbsp;</p><p>The post <a href="https://www.jornaldocentro.pt/viseu-precisa-de-um-servico-nacional-de-saude-maisforte/">Viseu precisa de um Serviço Nacional de Saúde maisforte</a> first appeared on <a href="https://www.jornaldocentro.pt">Jornal do Centro</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Programa Regional de Ordenamento do Território do Centro: Uma perspetiva local com monitorização a partir de Viseu</title>
		<link>https://www.jornaldocentro.pt/rograma-regional-de-ordenamento-do-territorio-do-centro-uma-perspetiva-local-com-monitorizacao-a-partir-de-viseu/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandra Rodrigues]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Apr 2026 11:58:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Foi publicada em Diário da República a Resolução do Conselho de Ministros nº 57/2026 que aprovou o PROT-Centro &#8211; Programa Regional de Ordenamento do Território do Centro (https://files.diariodarepublica.pt/1s/2026/03/05700/0018700286.pdf). Tal como é referido no sumário desta Resolução, o PROT-Centro “constitui o quadro de referência estratégico para a elaboração dos programas intermunicipais e dos planos territoriais de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Foi publicada em Diário da República a Resolução do Conselho de Ministros nº 57/2026 que aprovou o PROT-Centro &#8211; Programa Regional de Ordenamento do Território do Centro (<a href="https://files.diariodarepublica.pt/1s/2026/03/05700/0018700286.pdf)">https://files.diariodarepublica.pt/1s/2026/03/05700/0018700286.pdf)</a>. Tal como é referido no sumário desta Resolução, o PROT-Centro “constitui o quadro de referência estratégico para a elaboração dos programas intermunicipais e dos planos territoriais de âmbito intermunicipal e municipal, e desempenha um papel de charneira entre a administração central (&#8230;) e os municípios, cabendo-lhes a função de integrar os objetivos e as orientações estabelecidas a nível nacional e ponderar as estratégias estabelecidas a nível sub-regional e municipal no âmbito da definição dos grandes objetivos de desenvolvimento sustentável à escala regional”.</p>



<p>O PROT-Centro estabelece&nbsp;<strong>nove objetivos estratégicos</strong>&nbsp;(em síntese):&nbsp;&nbsp;<strong>i</strong>) reforçar a competitividade da economia regional, (&#8230;) aumento da produtividade (&#8230;)</p>



<p><strong>ii</strong>) apostar na valorização do capital natural (&#8230;)</p>



<p><strong>iii</strong>) promover modelo de ocupação que minimize a vulnerabilidade a riscos naturais (&#8230;)&nbsp;</p>



<p><strong>iv</strong>) garantir uma abordagem territorial integrada nos domínios da habitação, educação, serviços de saúde e de apoio social, emprego, oferta cultural e mobilidade, (&#8230;)</p>



<p><strong>v</strong>) consolidar o modelo policêntrico (&#8230;)</p>



<p><strong>vi</strong>) reforçar a acessibilidade e conectividade intrarregional, a ligação às principais centralidades nacionais e a conexão transfronteiriça&nbsp;</p>



<p><strong>vii</strong>) desenvolver a rede logística e promover formas de mobilidade sustentável&nbsp;</p>



<p><strong>viii</strong>) promover a circularidade e a transição energética, (&#8230;)</p>



<p><strong>ix</strong>) estimular a identidade regional do Centro (&#8230;)</p>



<p>Para atingir estes objetivos, o PROT-C começa por definir na I parte os “Desafios Transversais e as Opções Estratégicas de Base Territorial” e os “Sistemas Territoriais e o Modelo Territorial” para, na II parte, estabelecer a operacionalização da estratégia (Programa de Execução, Normas Orientadoras, Modelo de Governação e Sistema de Monitorização e Avaliação).</p>



<p>Os&nbsp;<strong>Desafios Transversais</strong>&nbsp;identificados são, em síntese:&nbsp;&nbsp;<strong>i</strong>) Afirmar o posicionamento estratégico da Região (&#8230;)&nbsp;&nbsp;<strong>ii</strong>) Responder aos desafios da demografia&nbsp;&nbsp;<strong>iii</strong>) Responder às alterações climáticas&nbsp;&nbsp;<strong>iv</strong>) Impulsionar a economia do conhecimento, a circularidade e a reindustrialização&nbsp;&nbsp;<strong>v</strong>) Promover redes e competências digitais&nbsp;&nbsp;<strong>vi</strong>) Fomentar a governação, a descentralização e a participação pública&nbsp;&nbsp;<strong>vii</strong>) Estimular a identidade territorial e o multiculturalismo</p>



<p>Por sua vez, as&nbsp;<strong>Opções Estratégicas de Base Territorial</strong>, num total de 29, dividem-se por 5 Áreas Temáticas: Sistema Económico, Sistema Social, Sistema Natural, Sistema de Mobilidade e Energia e Sistema Urbano.</p>



<p>Sem pretendermos fazer uma análise exaustiva do PROT-C, limitamo-nos a olhar para dois aspetos, a partir da região de Viseu (Viseu Dão Lafões).</p>



<p>Logo no primeiro Desafio Transversal, é discutido o papel da Região Centro (RC) à escala peninsular afirmando a faixa litoral da Região Centro como o “centro de gravidade do eixo urbano que se estende da Galiza a Sines, a partir do qual se desvia um eixo transversal ligando Madrid e a Europa transpirenaica, com ramificações que configuram a conectividade entre o interior da região e as direções norte e sul”. Por outro lado, é reconhecido que “o sistema urbano policêntrico da região reflete perfeitamente esta visão estratégica: os aglomerados urbanos Aveiro/Águeda/Ílhavo, Coimbra/Figueira da Foz e Pombal/Leiria/Marinha Grande formam a espinha dorsal da faixa litoral, enquanto os aglomerados Tondela/Viseu/Mangualde e o eixo Guarda/Covilhã/Fundão/Castelo Branco desempenham a função de estruturar as ligações entre o litoral e o interior da RC, e entre a região e a sua vizinhança a norte, a sul e com Espanha”. Mas, particularmente importante é o reconhecimento de que a conectividade física entre os diferentes aglomerados urbanos, que é assegurada pelo sistema viário, “<strong>deve ser complementada pela conectividade em redes de relações económicas e sociais”</strong>, tanto entre o sistema urbano e o restante território, como deste com o resto do país e do mundo. Uma leitura possível destas últimas frases diz-nos da relevância da conetividade física, mas assinala de igual modo a importância das relações económicas e sociais. Ora, estas últimas são o resultado da vontade humana, dos agentes locais, dos líderes, de todos aqueles que intervêm nos diferentes setores da atividade humana – economia, cultura, ensino, investigação, etc. Significa isto que o posicionamento da RCentro no contexto do País, da Ibéria e à escala internacional depende da ação de cada um dos seus aglomerados urbanos em cada um dos territórios mais restritos. Depende, afinal, de nós, da densidade das nossas relações com os outros, mais próximos ou mais afastados. Porque se nós falharmos na construção das “redes de relações económicas e sociais” seremos apanhados pelo “reverso da moeda desta centralidade da região”, ou seja, estaremos a reduzir o “triângulo que une as três áreas metropolitanas a um espaço rarefeito, onde apenas os vértices |Lisboa, Porto, Madrid| importam, ligados por redes viárias e imateriais que atravessam o território como se fosse um conjunto de túneis”.</p>



<p>Este primeiro Desafio do PROT-Centro deve fazer-nos refletir sobre o nosso papel enquanto “aglomerado Tondela/Viseu/Mangualde” da RC e a função que nos é destinada de contribuirmos para “estruturar as ligações entre o litoral e o interior (&#8230;) entre a região e a sua vizinhança a norte, a sul e com Espanha”. Tendo presente que as ligações que importam são físicas, mas também sociais.&nbsp;</p>



<p>O PROT-C assinala a necessidade de “garantir um acesso eficiente da região aos transportes aéreos e marítimos” (nomeadamente porto de Aveiro, aeroportos de Porto e de Lisboa) que nos facilite as ligações ao resto do mundo e, para tal, descreve um conjunto de infraestruturas físicas necessárias – entre as quais o IP 3 em perfil de autoestrada, ligação ferroviária eficiente a Espanha para transporte de mercadorias (Linha da Beira Alta preparada com estações que permitam a transferência intermodal de mercadorias das áreas industriais de Viseu Dão Lafões) e de passageiros (mais mercadorias, eventualmente) “através de uma linha a construir que ligue Aveiro, Viseu, Guarda e Vilar Formoso”. Por último, é assinalada a possibilidade de “criação de uma rede regional de aeródromos, selecionada com base nas infraestruturas existentes ou previstas, com diferentes dimensões e vocacionada para valências específicas, como o combate a incêndios florestais, voos&nbsp;<em>charter</em>&nbsp;ou ligações&nbsp;<em>low cost</em>&nbsp;a destinos turísticos estratégicos, entre outras”.</p>



<p>Mas, a concretização destas infraestruturas, ou de algumas delas, do seu aproveitamento em função dos objetivos definidos para a RC não está assegurada. Ninguém poderá garantir a sua concretização se a nossa região de Viseu Dão Lafões não mostrar dinamismo, se os estabelecimentos de ensino superior não derem mostras de vitalidade nas suas relações para a formação dos jovens, na concretização de projetos de I&amp;D com as empresas e com outros organismos do SCT da RC e nacionais, se as empresas não trabalharem para melhorarem os seus níveis de produtividade que hão de passar, entre outros, pela criação de novos produtos (serviços) com mais valor ou pela melhoria dos níveis de gestão, se as organizações culturais e todas as demais ficarem fechadas na sua concha e não cooperarem com as de outros territórios, a começar pelos vizinhos (como, p.ex. com os territórios do Pinhal Interior ou do eixo Tábua-Oliveira do Hospital-Seia-Gouveia), etc., etc. É um caderno de encargos vasto, mas que se torna necessário cumprir. As infraestruturas que reivindicamos (Ferrovia, autoestrada, valorização do aeródromo, Universidade, etc.) apenas fazem sentido se integrarem um circulo virtuoso, em conjunto com as nossas atividades produtivas, de conhecimento, culturais, etc., do qual umas e outras beneficiem reciprocamente.&nbsp;</p>



<p>O segundo Desafio Transversal apresentado no PROT-Centro pretende “Responder aos Desafios da Demografia”, nomeadamente aos problemas levantados pela evolução do conjunto da população e, em particular, da população ativa. As previsões demográficas apontam para uma redução da população total, entre 2020-2030, de -7,0%, na RCentro, e de -7,4%, em Viseu Dão Lafões, valores que representam um registo significativamente pior que o do Continente, -2,9% para o mesmo período. A situação piora significativamente se considerarmos a evolução prevista para a população entre 0-19 anos: RCentro -16,2%; Viseu Dão Lafões -20,0% e Continente -11,3%. No conjunto da população mais idosa, a partir dos 65 anos, está previsto um crescimento de +7,9%, na RCentro, +6,5% em Viseu Dão Lafões e de +17,9% no Continente. Se atendermos apenas à evolução da população ativa, entre os 20-64 anos, a situação piora, ou seja, a RCentro terá um decréscimo de -11,7% e Viseu Dão Lafões -10,7% que comparam com o valor médio para o Continente, -8,7%.&nbsp;</p>



<p>A situação não será tão preocupante se forem introduzidos na análise os saldos migratórios previsíveis. Assim, assistiremos a um aumento da população total no Continente (+6,7%), na RCentro (+5,5%) e em Viseu Dão Lafões (+5,3%). Este crescimento, porém, não resultará num aumento da população ativa, pelo contrário esta poderá ter um ligeiro decréscimo de -0,3%, em Viseu Dão Lafões, apesar do saldo migratório positivo previsto de mais de 31 milhares de pessoas (entre 2020-2030). Esta situação repete-se no conjunto da RCentro e do Continente. Importa ter presente, como afirma o PROT-Centro, que o fator trabalho não é ilimitado e, por isso, pode representar uma restrição ao crescimento, “a oferta de força de trabalho, em todos os níveis de qualificação, tornar-se-á uma forte limitação ao comportamento da economia”. “Em suma – conclui o PROT-Centro -, é necessário alterar o paradigma e compreender que&nbsp;o crescimento já não depende exclusivamente do investimento produtivo, mas sim da sua conjugação com a dinâmica demográfica e as políticas dirigidas ao acesso à habitação e à integração social. Para isso, é fundamental desenvolver uma&nbsp;<strong>estratégia de atratividade populacional</strong>, combinando o acesso à habitação acessível, a redes educativas atrativas, a descentralização dos cuidados de saúde, e o reforço da oferta de transportes. A integração efetiva da população migrante deve basear-se numa ampla participação económica e social, suportada em políticas de base municipal ou intermunicipal”.</p>



<p>Poder-se-á dizer que o PROT-Centro, no quadro destes dois Desafios, explicita um conjunto de orientações genéricas que se traduzem, por um lado, na consideração do<strong>&nbsp;papel das infraestruturas integrado com a</strong><strong>intervenção dos agentes locais</strong>&nbsp;– sejam públicos ou privados, da economia ou do social -, tendo em vista a consolidação do posicionamento estratégico da RCentro nos contextos nacional e ibérico; e, por outro, na&nbsp;<strong>definição de politicas públicas municipais e intermunicipais&nbsp;</strong>para a concretização de uma estratégia de atratividade populacional e respetiva integração.</p>



<p><strong>O papel do Subsistema Viseu Dão Lafões</strong></p>



<p>Duas notas finais. Uma para a reafirmação, por parte do PROT-Centro, do modelo policêntrico da Região que importa reforçar, nomeadamente através do “aprofundamento do modelo decorre de estratégias que promovam a&nbsp;<strong>cooperação espacial (interurbana e urbano-rural</strong>) e atendam às especificidades e aos desafios de desenvolvimento que se colocam aos diferentes territórios”. Para o efeito, a estratégia de desenvolvimento deste Modelo Territorial “pretende integrar os recursos territoriais, a economia local e as várias dinâmicas urbanas e rurais da região, desenvolvendo redes que fortalecem conexões intersectoriais e multiescalares”. A concretização desta estratégia na Região Centro conta com, entre outros, três Sistemas de Estruturação Regional que “requerem políticas integradas e diferenciadas”: Sistemas do Litoral (Regiões de Aveiro, Coimbra e Leiria), do Interior (Eixo Guarda-Covilhã-Fundão-Castelo Branco e concelhos raianos) e de Transição (Viseu Dão Lafões; Tábua &#8211; Oliveira do Hospital &#8211; Seia – Gouveia; Pinhal Interior).&nbsp;</p>



<p>Como se refere no PROT-Centro, “Viseu é uma cidade média com uma dimensão relevante no contexto nacional, é um nó de acessibilidade máxima, resultante do cruzamento do IP3, A24 e A25, e tem um forte dinamismo comercial, industrial e de serviços. É o centro de gravidade de um conjunto de núcleos de média dimensão que, tirando partido da revolução viária iniciada nos anos 80 do século passado, transformaram uma economia de base rural num conjunto relevante de polos industriais e de serviços”. Mas é igualmente reconhecida a importância de&nbsp;<strong>concluir esta malha viária</strong>, nomeadamente com a conclusão da autoestrada que ligue Viseu a Coimbra, construir a&nbsp;<strong>Linha de Alta Velocidade</strong>&nbsp;“Aveiro-Viseu-Salamanca” e garantir que o&nbsp;<strong>sistema ferroviário</strong>, que conta com a Linha da Beira Alta, seja “servido por uma&nbsp;<strong>rede eficiente de centros logísticos</strong>&nbsp;e conectado com as principais áreas empresariais”.</p>



<p>Além disso, “mantendo o seu dinamismo graças às recentes ondas de imigração, o subsistema deve apostar em&nbsp;ações de regeneração e qualificação&nbsp;que promovam um&nbsp;<strong>urbanismo de proximidade</strong>, reforçando a atratividade residencial, a qualidade dos espaços públicos e a mobilidade sustentável”. A aposta em&nbsp;<strong>estratégias intermunicipais deve continuar</strong>, nomeadamente no que respeita a politicas de habitação ou de valorização dos ativos territoriais (património cultural e natural, termalismo, enoturismo &#8211; turismo). A economia de base rural, muito baseada numa&nbsp;<strong>agricultura familiar</strong>&nbsp;que importa preservar e renovar, “produz uma vasta gama de bens agroalimentares de qualidade, cuja&nbsp;<strong>organização em fileiras</strong>&nbsp;deve ser apoiada, tendo em vista a sua internacionalização”. Em consequência destas considerações inscritas no PROT-Centro, é importante que Viseu Dão Lafões intensifique uma&nbsp;<strong>estratégia ao serviço do desenvolvimento da economia de base rural</strong>&nbsp;que integre os diferentes espaços territoriais, os diferentes setores e fileiras e simultaneamente defina os papeis de cada agente relevante, seja do domino da formação e investigação, do domínio produtivo, do domínio politico, ou de interface entre eles.&nbsp;</p>



<p><strong>Monitorização a partir de Viseu, porquê?</strong></p>



<p>Por fim, uma breve nota apenas para assinalar um aspeto particularmente importante neste PROT-Centro: a apresentação de um conjunto vasto de&nbsp;<strong>Indicadores de Monitorização</strong>&nbsp;quer dos&nbsp;Desafios Transversais&nbsp;(p.ex. dos Desafios da Demografia), quer das&nbsp;Opções Estratégicas de Base Territorial, no âmbito das cinco Áreas Temáticas (ex. Sistema Económico, Sistema Social, etc.), quer ainda do uso dos Instrumentos de Ordenamento e Gestão Territorial (p.ex. PDMs ou P.U. e P.P. nos municípios).</p>



<p>A apresentação destes Indicadores, com as respetivas fontes de informação, constituem um excelente trabalho que deverá ser aproveitado para que possa ser feito o acompanhamento do desempenho da Região relativamente a cada Objetivo ou a cada Instrumento. Calculo que esse trabalho de monitorização vá ser feito no âmbito da CCDR-Centro. De qualquer modo, como já tenho defendido, este tipo de ação de monitorização deverá ser acompanhado, ao longo do tempo, numa perspetiva mais “local”, isto é, na perspetiva de cada uma das subrregiões que o queiram fazer. Sendo assim, penso que a CIM Viseu Dão Lafões, enquanto entidade de coordenação dos 14 municípios que, em conjunto, representam uma das unidades do “Sistema Territorial de Transição”, deverá&nbsp;<strong>organizar um pequeno núcleo local de monitorização</strong>&nbsp;do que se vai fazendo e dos resultados que se vão obtendo no&nbsp;<em>território de Viseu</em>&nbsp;no decurso da vigência do PROT-Centro, com a obrigação de ir prestando contas. A integração do ensino superior, das atividades empresariais, das associações culturais e das estruturas de integração social nessa estrutura parece-me fundamental.&nbsp;</p>



<p><a></a>Partindo da informação recolhida, organizada pela CCDR-Centro, esta estrutura local deve estudar a informação, a evolução que as diferentes varáveis vão apresentando e avaliar o comportamento do seu próprio caminho, mas também em comparação com as demais sub-regiões. Importa que Viseu Dão Lafões dê o seu contributo, tenha a sua própria perspetiva sobre o que se passa no seu território bem como no âmbito da RCentro. Desta forma, estaremos a colocar o nosso pensamento ao serviço de um importante objetivo estratégico da RC (“estimular a identidade regional &#8230;”) e das decisões que definirão o futuro coletivo enquanto grande Região que não serve apenas para aplicar politicas públicas definidas pela administração central, mas sim para estabelecermos estratégias e políticas públicas da própria Região Centro.</p><p>The post <a href="https://www.jornaldocentro.pt/rograma-regional-de-ordenamento-do-territorio-do-centro-uma-perspetiva-local-com-monitorizacao-a-partir-de-viseu/">Programa Regional de Ordenamento do Território do Centro: Uma perspetiva local com monitorização a partir de Viseu</a> first appeared on <a href="https://www.jornaldocentro.pt">Jornal do Centro</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Quando a idade se torna um crime: a petição que envergonha Portugal</title>
		<link>https://www.jornaldocentro.pt/quando-a-idade-se-torna-um-crime-a-peticao-que-envergonha-portugal/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandra Rodrigues]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Apr 2026 11:51:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em Portugal, começa a ganhar espaço uma ideia perigosa de retirar direitos com base na idade, algo que deve preocupar-nos a todos, independentemente da idade que tenhamos. O que está em causa não é apenas uma petição, é algo bem mais profundo, é a tentativa de transformar um preconceito em política pública. A ideia de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em Portugal, começa a ganhar espaço uma ideia perigosa de retirar direitos com base na idade, algo que deve preocupar-nos a todos, independentemente da idade que tenhamos. O que está em causa não é apenas uma petição, é algo bem mais profundo, é a tentativa de transformar um preconceito em política pública. A ideia de que, a partir de um determinado número, 75 anos, uma pessoa deixa de ser avaliada como indivíduo e passa a ser tratada como um problema tem um nome: idadismo. O idadismo é um preconceito, estereótipo e discriminação enraizado, normalizado e, demasiadas vezes, legitimado no espaço público. A proposta de proibir, automaticamente, todas as pessoas, com mais de 75 anos, de conduzir não é um ato isolado, resulta de uma cultura que continua a aceitar a exclusão com base na idade. Num país onde mais de 24% da população tem 65 ou mais anos, mais de 2,5 milhões de pessoas, e onde o envelhecimento é uma realidade estrutural, insistir neste tipo de soluções é errado, perigoso e inaceitável. Não estamos perante uma exceção demográfica, estamos perante o novo normal que exige<strong>&nbsp;</strong>políticas públicas consistentes e não medidas avulsas. Não pode ser aberta mais uma porta a um princípio inaceitável, ou seja, o de que os direitos têm prazo de validade, não têm, são inalienáveis. A premissa desta petição é simplista, logo redutora, e profundamente errada, presume a incapacidade a partir de uma certa idade, não avalia, não mede, não observa, simplesmente presume-se, sem qualquer sustentação científica, potenciando a substituição da evidência pelo preconceito. A idade não é um diagnóstico, tratá-la como tal é um erro político grave. Um Estado de direito não pode aceitar que direitos fundamentais sejam retirados com base em critérios cegos e arbitrários.&nbsp;</p>



<p>Se o objetivo, louvável, é a segurança rodoviária, então comecemos pelos factos. Durante a Operação Páscoa 2026, registaram-se mais de 2.000 acidentes, com 18 mortos, 42 feridos graves e centenas de feridos ligeiros. As principais causas são conhecidas: excesso de velocidade, álcool e uso do telemóvel ao volante. Nada disto tem idade…. Aliás, os dados mostram que os jovens adultos entre os 20 e os 24 anos estão entre os grupos com maior número de vítimas mortais. Se seguíssemos a lógica desta petição até ao fim, então teríamos de proibir também os jovens de conduzir. Não o fazemos, porque sabemos, ou deveríamos saber, que o problema não é a idade, são os comportamentos individuais.</p>



<p>Sabemos também que a legislação portuguesa já prevê mecanismos de controlo. A partir dos 70 anos, a carta de condução é revalidada de dois em dois anos, mediante avaliação médica. Este deve ser o caminho, avaliar as pessoas e não excluir os grupos. Queremos melhorar? Melhoremos! Adotemos exames mais exigentes, avaliações cognitivas mais rigorosas e novos instrumentos técnicos de aferição da condução. Tudo isto é discutível e desejável, contrariamente à ideia de substituir a avaliação pela proibição.</p>



<p>Recordo que a mobilidade não é um luxo, é uma necessidade, uma condição básica de autonomia, de participação e de dignidade. Limitar a mobilidade, com base na idade, é condenar milhares de pessoas ao isolamento, à solidão e à invisibilidade,<strong>&nbsp;</strong>empurrando-as para fora da sociedade, numa espécie de “morte social”. O problema não é a idade, é continuarmos a tolerar discursos que transformam o medo em argumento e o preconceito em proposta. Esta petição, apesar de legítima enquanto exercício cívico, não pode ser normalizada porque é uma proposta discriminatória, perigosa e inaceitável, num Estado de direito e deve ser travada. Na Associação Stop Idadismo, não ficaremos em silêncio, contestaremos, com firmeza, com dados e ação cívica, esta petição e todas as iniciativas que procurem legitimar a discriminação em função da idade. Quando a idade passa a ser critério para retirar direitos, deixamos de falar de segurança, passamos a falar de discriminação institucional.</p><p>The post <a href="https://www.jornaldocentro.pt/quando-a-idade-se-torna-um-crime-a-peticao-que-envergonha-portugal/">Quando a idade se torna um crime: a petição que envergonha Portugal</a> first appeared on <a href="https://www.jornaldocentro.pt">Jornal do Centro</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Escritores-fantasmas e oficinas de escrita para “Inteligência” Artificial</title>
		<link>https://www.jornaldocentro.pt/escritores-fantasmas-e-oficinas-de-escrita-para-inteligencia-artificial/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandra Rodrigues]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Apr 2026 11:27:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Apesar de haver cada vez mais gente a lançar livros e cada vez mais vanity-publishing&#160;(publicação-de-vaidade), isso não quer dizer que haja mais gente a escrever. É que, convém lembrar, há e sempre houve muito plágio, muitos&#160;ghostwriters&#160;(escritores-fantasmas) cujo nome não aparece nas capas, a que se soma agora a prosa diligente dos&#160;chatbots&#160;da IA.Há dois anos, num [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Apesar de haver cada vez mais gente a lançar livros e cada vez mais v<em>anity-publishing&nbsp;</em><em>(</em>publicação-de-vaidade), isso não quer dizer que haja mais gente a escrever. É que, convém lembrar, há e sempre houve muito plágio, muitos&nbsp;<em>ghostwriters&nbsp;</em><em>(</em>escritores-fantasmas) cujo nome não aparece nas capas, a que se soma agora a prosa diligente dos&nbsp;<em>chatbots</em>&nbsp;da IA.<br>Há dois anos, num Olho de Gato intitulado “Escrita Fantasmática”, contei aqui a história de Liam Pieper que tinha escrito um&nbsp;<em>best-seller</em>&nbsp;falado por toda a gente, que estava nas estantes de todos os seus amigos, mas ele não podia dizer que tinha sido o autor porque Liam é escritor-fantasma<em>.&nbsp;</em>Ele&nbsp;contou ao Guardian&nbsp;que&nbsp;não tinha mãos a medir, estava bem na vida,&nbsp;cheio de encomendas de gente importante “no desporto, nas artes, na política, no TikTok”.&nbsp;</p>



<p>Vamos agora à escrita-fantasma da “inteligência” artificial generativa. A 8 de Fevereiro, num artigo intitulado “The New Fabio Is Claude”, o New York Times apresentou ao mundo a escritora sul-africana “Coral Hart” — pseudónimo, claro.<br>A sra. “Hart” sempre foi muito produtiva. Antes de ter posto as máquinas a trabalhar para si, já se safava bem como <em>ghostwriter </em>e escritora de romances populares — dez a doze por ano, publicados sob cinco pseudónimos. Agora, com a IA, aumentou dramaticamente a sua produção que já era imensa. No ano passado, “produziu mais de duzentos romances numa variedade de subgéneros, desde romances sombrios da máfia a histórias doces para adolescentes” e publicou-os no Kindle da Amazon, com vinte e um pseudónimos diferentes. Nenhum foi campeão de vendas, mas ao todo “venderam cerca de 50 mil cópias”, rendendo “seis dígitos”, isto é, pelo menos 100 mil dólares, pelo menos 86 mil euros. Nada mau. <br>A arte da Sra. “Hart” (piadola fracota, eu sei) nunca pára: enquanto conversava por Zoom com o jornal norte-americano, tinha simultaneamente um romance a ser escrito — não por si, mas para si, uma história de “um rancheiro que se apaixona por uma rapariga da cidade que foge do seu passado” feita, de cabo a rabo, em “cerca de 45 minutos”.<br>Não admira que a sul-africana se tenha tornado “uma evangelista da IA” que saca também o seu dízimo com “coaching para autores”. Já “ensinou mais de 1600 pessoas a produzir um romance com IA”. O que não é fácil. Para dar uma ideia: se se encomendar uma novela erótica a um <em>chatbot</em> ele terá tendência a insubtilizar os preliminares e ir logo aos finalmentes. </p>



<p>A sra. “Hart” tem jeito para o marketing. Numa madrugada do início de Dezembro, “pouco antes das duas da manhã na Cidade do Cabo”, conectou vinte pessoas espalhadas pelo mundo para aprenderem “como escrever cenas de sexo com inteligência artificial”, no apelativo curso “Escreve Sujo Comigo”.&nbsp;</p>



<p>Enfim, já não nos bastava a “publicação-de-vaidade” que se farta de abater árvores inocentes, agora, como me disse o ChatGPT com uma assinalável capacidade autocrítica, temos também a “agricultura intensiva de clichés, com colheitas em 45 minutos”.</p><p>The post <a href="https://www.jornaldocentro.pt/escritores-fantasmas-e-oficinas-de-escrita-para-inteligencia-artificial/">Escritores-fantasmas e oficinas de escrita para “Inteligência” Artificial</a> first appeared on <a href="https://www.jornaldocentro.pt">Jornal do Centro</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>O esforço invisível de viver no território</title>
		<link>https://www.jornaldocentro.pt/o-esforco-invisivel-de-viver-no-territorio/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandra Rodrigues]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Apr 2026 10:50:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em muitos territórios do interior, o debate tende a centrar-se na disponibilidade de serviços, na presença de infraestruturas ou na existência de atividade económica. Essa leitura, embora relevante, parte de um pressuposto que nem sempre corresponde à experiência concreta de quem vive nesses contextos: o de que aquilo que existe funciona de forma previsível e [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em muitos territórios do interior, o debate tende a centrar-se na disponibilidade de serviços, na presença de infraestruturas ou na existência de atividade económica. Essa leitura, embora relevante, parte de um pressuposto que nem sempre corresponde à experiência concreta de quem vive nesses contextos: o de que aquilo que existe funciona de forma previsível e consistente.</p>



<p>Na prática, o funcionamento do território é hoje menos uma questão de presença e mais uma questão de fiabilidade.</p>



<p>Os serviços existem. As respostas existem. Mas a capacidade de antecipar como e quando essas respostas estarão disponíveis tornou-se mais incerta. Consultas que dependem de janelas variáveis, serviços que oscilam na sua capacidade de resposta, processos que exigem acompanhamento contínuo. O problema não é, na maioria dos casos, a inexistência. É a dificuldade em saber com o que contar.</p>



<p>Esta incerteza tem um efeito cumulativo pouco visível: transfere para o indivíduo uma parte crescente da responsabilidade de garantir o seu próprio acesso a direitos e serviços. Viver numa cidade média ou num território fora das áreas metropolitanas implica, cada vez mais, uma componente adicional de planeamento. Organizar deslocações, antecipar alternativas, ajustar horários, gerir imprevistos. Não se trata apenas de viver no território — trata-se de saber operá-lo.</p>



<p>Este esforço raramente é contabilizado. Não surge nos indicadores económicos nem nos diagnósticos tradicionais. Mas traduz-se em tempo, em energia e em atenção constante. É um custo difuso, distribuído, que se integra na rotina e, por isso, tende a ser normalizado.</p>



<p>Ao longo do tempo, esta adaptação torna-se estrutural. As pessoas ajustam expectativas, reduzem níveis de exigência e desenvolvem estratégias individuais para lidar com a variabilidade do sistema. O território mantém-se funcional, mas essa funcionalidade passa a depender, em larga medida, da capacidade dos seus residentes para compensar as suas fragilidades.</p>



<p>Esta dinâmica tem implicações que vão além do quotidiano. Quando o funcionamento do sistema assenta na adaptação individual, a pressão para a sua melhoria tende a diminuir. A resposta deixa de ser um padrão coletivo e passa a ser um conjunto de soluções dispersas. O que poderia ser identificado como falha estrutural é absorvido como uma dificuldade operacional.</p>



<p>Importa, por isso, deslocar ligeiramente o foco da análise. Mais do que discutir apenas o que o território tem — serviços, equipamentos, atividade — importa compreender como esses elementos funcionam na prática e que exigências colocam a quem deles depende.</p>



<p>A diferença não é meramente semântica. Um território pode ser funcional e, ao mesmo tempo, exigente. Pode oferecer condições gerais positivas e, ainda assim, implicar um esforço acrescido para quem nele vive. E esse esforço, quando acumulado, influencia decisões: onde viver, onde trabalhar, onde investir tempo e recursos.</p>



<p>Cidades como Viseu encontram-se hoje num ponto em que esta distinção se torna particularmente relevante. A perceção de qualidade de vida continua a ser um ativo importante. Mas essa perceção convive com uma realidade onde o acesso efetivo a determinados serviços e oportunidades depende cada vez mais da capacidade individual de antecipação e gestão.</p>



<p>O problema não está, portanto, apenas na existência ou ausência de respostas. Está na forma como essas respostas se materializam no quotidiano e no grau de previsibilidade que oferecem.</p>



<p>Porque, no fim, é isso que define a experiência real de um território: não apenas o que disponibiliza, mas o que exige, de forma silenciosa, a quem nele vive.</p><p>The post <a href="https://www.jornaldocentro.pt/o-esforco-invisivel-de-viver-no-territorio/">O esforço invisível de viver no território</a> first appeared on <a href="https://www.jornaldocentro.pt">Jornal do Centro</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Dia Mundial da Atividade Física: mexer para viver melhor!</title>
		<link>https://www.jornaldocentro.pt/dia-mundial-da-atividade-fisica-mexer-para-viver-melhor/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandra Rodrigues]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Apr 2026 08:52:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No Dia Mundial da Atividade Física, importa recordar que o movimento é um dos pilares fundamentais da saúde. A inatividade física constitui, atualmente, um dos principais fatores de risco para a mortalidade global, estando associada ao aumento de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, determinados tipos de cancro e perturbações da saúde mental. Apesar disso, estima-se [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>No Dia Mundial da Atividade Física, importa recordar que o movimento é um dos pilares fundamentais da saúde. A inatividade física constitui, atualmente, um dos principais fatores de risco para a mortalidade global, estando associada ao aumento de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, determinados tipos de cancro e perturbações da saúde mental. Apesar disso, estima-se que cerca de 31% das pessoas adultas a nível mundial não cumprem os níveis mínimos recomendados de atividade física.</p>



<p>A atividade física define-se como qualquer movimento corporal produzido pelos músculos esqueléticos, que implique gasto de energia. Isto inclui não apenas o exercício estruturado, mas também atividades do quotidiano, como caminhar, subir escadas, realização de tarefas domésticas ou deslocações ativas. Desta forma, todo o movimento conta, e mesmo pequenas mudanças podem ter um impacto significativo na sua saúde. Os benefícios da prática regular de atividade física são amplos e bem documentados. Ao nível cardiovascular, promove a redução da pressão arterial e do risco de enfarte agudo do miocárdio e de acidente vascular cerebral. Metabolicamente, melhora o controlo glicémico, ou seja, diminui os níveis de açúcar no sangue, contribuindo para a prevenção da obesidade e da diabetes. Para além disso, apresenta efeitos positivos na saúde mental, reduzindo sintomas de ansiedade e depressão e promovendo o bem-estar geral. Também desempenha um papel importante na manutenção da massa muscular, da densidade óssea e da capacidade funcional, particularmente relevante no envelhecimento saudável.</p>



<p>No que respeita às recomendações, a Organização Mundial da Saúde estabelece que as pessoas adultas devem realizar entre 150 a 300 minutos semanais de atividade física aeróbia de intensidade moderada, ou 75 a 150 minutos de intensidade vigorosa, podendo ainda combinar ambas. Paralelamente, é aconselhada a realização de exercícios de fortalecimento muscular envolvendo os principais grupos musculares, pelo menos, dois dias por semana.</p>



<p>É igualmente importante compreender as diferentes intensidades de atividade física. A atividade moderada corresponde a esforços que aumentam a frequência cardíaca e respiratória de forma percetível, como caminhar a passo acelerado ou andar de bicicleta em terreno plano. Já a atividade vigorosa implica um esforço mais intenso, com respiração acelerada e dificuldade em manter uma conversa, como correr ou praticar desportos competitivos. Ambas são benéficas, sendo a sua escolha dependente da condição física e das preferências individuais.</p>



<p>Outro aspeto fundamental é a redução do comportamento sedentário. Permanecer longos períodos na posição sentada — seja no trabalho, em deslocações ou em frente a ecrãs — está associado a consequências negativas para a saúde, independentemente da prática de exercício físico. Assim, recomenda-se interromper regularmente os períodos de inatividade, adotando pequenas pausas ativas ao longo do dia.</p>



<p>Importa também sublinhar que a prática de atividade física deve ser adaptada a cada pessoa. Pessoas com doenças crónicas, idosas ou com limitações funcionais beneficiam igualmente de exercício, desde que devidamente orientado. De facto, qualquer quantidade de atividade física é melhor do que nenhuma, sendo o aumento gradual da intensidade e duração uma estratégia segura e eficaz.</p>



<p>Neste dia, o desafio é simples: mexa-se mais!</p>



<p>Caminhe, suba escadas, pratique um desporto ou simplesmente reduza o tempo sentado. Pequenos passos, quando consistentes, traduzem-se em grandes ganhos na saúde. Afinal, investir na atividade física é investir numa vida mais longa, mais saudável e com melhor qualidade.</p>



<p></p>



<p><em><strong>Carolina Frade Moreira, Médica IFE de Medicina Geral e Familiar na USF Grão Vasco, em colaboração com a UCC Viseense</strong></em></p><p>The post <a href="https://www.jornaldocentro.pt/dia-mundial-da-atividade-fisica-mexer-para-viver-melhor/">Dia Mundial da Atividade Física: mexer para viver melhor!</a> first appeared on <a href="https://www.jornaldocentro.pt">Jornal do Centro</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Mais Produtividade precisa-se! – Objetivos, Estruturas e Políticas Públicas</title>
		<link>https://www.jornaldocentro.pt/mais-produtividade-precisa-se-objetivos-estruturas-e-politicas-publicas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandra Rodrigues]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Apr 2026 12:14:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.jornaldocentro.pt/?p=119419</guid>

					<description><![CDATA[<p>Como se viu no artigo anterior, a economia da região de VDL apresenta algumas caraterísticas que, no contexto do País, não são favoráveis, representam desafios que é necessário ultrapassar: Alguns aspetos do setor empresarial, porém, devem merecer realce como, por exemplo, a existência de um importante setor exportador, um peso significativo do setor das Indústrias [&#8230;]</p>
<p>The post <a href="https://www.jornaldocentro.pt/mais-produtividade-precisa-se-objetivos-estruturas-e-politicas-publicas/">Mais Produtividade precisa-se! – Objetivos, Estruturas e Políticas Públicas</a> first appeared on <a href="https://www.jornaldocentro.pt">Jornal do Centro</a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p></p>



<p>Como se viu no artigo anterior, a economia da região de VDL apresenta algumas caraterísticas que, no contexto do País, não são favoráveis, representam desafios que é necessário ultrapassar:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Baixa produtividade generalizada</li>



<li>Fraca capacidade de criação de empresas, nomeadamente as que exigem maiores competências técnicas e conhecimento</li>



<li>Insuficientes qualificações académicas da população e, em particular, na população ativa.</li>
</ul>



<p>Alguns aspetos do setor empresarial, porém, devem merecer realce como, por exemplo, a existência de um importante setor exportador, um peso significativo do setor das Indústrias Transformadoras e a localização de empresas relevantes no contexto da Região e do País como é o caso da Visabeira, de empresas do setor de saúde e bem-estar, do setor automóvel ou das madeiras/mobiliário, e mesmo do setor agro como a viticultura e frutas, entre outras. Representam uma base económica importante que tem dado mostras de resistir, de acompanhar a evolução das tecnologias, dos processos e das necessidades dos mercados internacionais. Toda a Região, porém, precisa de um impulso, de um “choque”, que lhe permita sair do patamar económico em que se situa há mais de duas décadas. Não é expectável que aconteça, como nos anos 70 e 80 do século passado, um crescimento significativo do consumo das famílias e do consumo intermédio, internamente e no exterior, nem teremos, no contexto dos circuitos financeiros mundiais, capacidade significativa para atrairmos outros setores ou empresas que sejam estruturantes para a economia de VDL. Mas vai ser preciso a Região continuar a atrair tudo isso, mais financiamentos exteriores, outras empresas, outras tecnologias, mais conhecimento. E deveremos ser capazes de criar um contexto local mais atrativo.</p>



<p>Para tanto precisamos de saber o que queremos alcançar e qual o caminho a seguir. Precisamos de ter capacidade mobilizadora dos agentes locais e da envolvente e de saber construir redes de cooperação interna e com o exterior que nos permitam ser mais fortes e mais inteligentes.&nbsp;<strong>Poderemos nós aspirar, numa década, a estar entre as primeiras 10 NUT III com maior contribuição para o PIB português ou sermos a terceira Comunidade mais relevante na economia da Região Centro?</strong></p>



<p>Para respondermos afirmativamente poderemos dizer – com cautelas por algum simplismo – que precisamos de mais investimento, precisamos de atrair mais empresas e ter empresas mais eficientes e mais inovadoras, precisamos fazer de Viseu uma cidade/região do conhecimento, do empreendedorismo e do desenvolvimento tecnológico, uma cidade/região atrativa para as pessoas onde seja possível cada vez mais jovens olharem o futuro, seu e dos seus filhos, com otimismo, isto é, olhar para Viseu como a cidade/região aberta, inclusiva, cosmopolita, onde é possível construir uma carreira profissional em crescendo e com qualidade de vida.</p>



<p>Para o efeito, apesar do que já alcançámos, importa ter presente que, comparativamente a outras cidades/regiões, estagnámos ou estamos a ter algum retrocesso. Olhemos para os nossos vizinhos do Litoral das regiões Centro e Norte, veja-se Aveiro e mesmo cidades mais afastadas como Guimarães, por exemplo. Não nos podemos conformar, é importante que tenhamos consciência de limitações (no campo cultural, na prestação de serviços de saúde, na oferta formativa de nível superior e na oferta de serviços tecnológicos) e que isso faça espoletar a nossa vontade para darmos mais um salto em frente.</p>



<p>E, para isso, o papel do Estado é importante, mas temos de ser nós a dizer o que pretendemos em especial da Administração Pública Central que possui os meios e a capacidade de decisão mais relevante. O mundo mudou tanto e tão depressa e o Estado continua a apostar num modelo de ensino superior que se iniciou nos anos 70 do século passado. Nessa mesma altura fomos capazes de começar a oferecer serviços de saúde para todos, mas hoje continuamos a alongar filas de espera nos hospitais. O conhecimento da humanidade sobre a sua própria natureza e sobre as condições ambientais já evoluiu tanto e nós, ainda hoje, continuamos a querer construir em leitos de cheia, a despovoar os campos e a desertificar as montanhas e os vales, sabendo que a consequência são as cheias como as deste ano e as dos próximos anos ou os incêndios como os que irão surgir nos próximos meses. Nas últimas décadas fomos aperfeiçoando – para o mau sentido! – os esquemas que têm conduzido a crescente concentração de recursos físicos e financeiros em Lisboa – decisões políticas que não respeitam o restante território.&nbsp;<strong>Num contexto com estas múltiplas vertentes, como pode VDL, em simultâneo, atingir os seus próprios objetivos e contribuir para resolução destes problemas?</strong></p>



<p>Já tenho ouvido quem entenda que a aposta VDL deveria centrar-se no “Turismo”. Embora não tenhamos mar nem praias temos, com efeito, outros atrativos. A começar nas termas, na oferta cultural, no património, histórico e natural, na gastronomia, incluindo o uso de produção endógena, no turismo natureza, de montanha, na capacidade de organização e atração de eventos como a Feira de São Mateus e outros. Além disso, a atividade turística em Portugal está num forte crescendo atingindo, em 2024, cerca de 34 mil milhões de euros, 11% do PIB, devendo os territórios como os de VDL aproveitar esse movimento e procurar atrair mais turistas aumentando, dessa forma, o consumo e, consequentemente, o PIB da região. Sendo isto verdade, falta-nos, porém, um fator fundamental para que o turismo possa ser um setor em que possamos suportar o nosso desenvolvimento: produtos turísticos de elevado valor acrescentado e com impactos significativos nas cadeias de valor de que necessitamos no território. Embora seja importante termos uma estratégia para o seu crescimento, por via do alargamento do mercado e por via do aumento da produtividade, importa reconhecer que na Região temos outro setor – a indústria &#8211; cujo desenvolvimento gerará impactos estruturantes mais amplos, nos restantes setores de atividade, e mais profundos e duradouros na economia da região. Na indústria de VDL nós temos os fatores que são determinantes para o crescimento económico não só da indústria, mas com potencial para se alargarem aos demais setores de atividade.</p>



<p>As indústrias, pela sua própria natureza, têm de procurar transformar-se, evoluir através de processos continuados e que a História nos mostra que essas transformações ocorreram sempre de forma rápida, e cada vez mais rápida, tendo como linha orientadora ganhos de produtividade que em termos simples quer dizer produzir mais com os mesmos ou com menos recursos. Naturalmente, todos os agentes económicos que se encontram a montante ou a jusante de cada indústria vão ter de se adaptar e introduzir processos próprios de transformação que trabalhem no mesmo sentido. Nenhum destes setores pode ficar para trás, não pode descurar os assuntos que tenham a ver com a produtividade sob o risco de serem ultrapassados e acabarem por morrer. Isto é válido para as demais indústrias assim como para os serviços que as servem (vejam-se, por exemplo, as mudanças que ocorreram nos últimos anos nos serviços comerciais e de transporte) e para os serviços que beneficiam destas transformações (lembremo-nos, por exemplo, nos serviços de saúde e, em particular, nos meios de diagnóstico e terapêuticos). Não podemos esquecer que à medida que o aumento da produtividade permitiu libertar recursos estes foram sendo aplicados em inovação, no desenvolvimento de novos processos produtivos ou de novos produtos, etc.</p>



<p>Ora, todas estas transformações foram possíveis porque a quantidade e a diversidade dos conhecimentos gerados nas universidades, nos centros de investigação, dirigiram-se, em larga medida, para a generalidade das indústrias, foram alimentar os processos de transformação da economia. Importa, no entanto, ter presente que estes&nbsp;<strong>circuitos do conhecimento entre universidades e empresas beneficiam da proximidade entre umas e outras e, além disso, precisam de estratégias, estruturas e políticas orientadoras – não surgem de geração espontânea</strong>. Ora, este papel deve caber, em primeiro lugar, ao Estado e isto é válido em economias fortemente centralizadas e nas economias mais liberais (Elon Musk e outros têm beneficiado deste papel do Estado que se traduz, para além da definição de objetivos para o futuro, em despesas com educação, com investigação, despesas com as compras públicas, etc.).&nbsp;</p>



<p>Mas, pensando apenas na nossa Região, o Estado tem sido pouco interventivo porque os governos têm sido demasiado “lisboetas” e são bons a decidir os grandes investimentos para a capital e depois inventam uma falácia que denominam de “descentralização” para as autarquias locais como se estas tivessem dimensão, recursos humanos e recursos financeiros para alterarem a situação de dependência que continuamos a ter em relação à Capital. É uma ilusão. As autarquias necessitam de descentralização (incluindo o reforço para o desenvolvimento da cooperação no quadro das CIM), acompanhada dos devidos meios financeiros, para a resolução dos problemas suscetíveis de solução à sua escala. Mas esta descentralização não pode resolver os problemas que estão identificados há décadas. A CIM não tem meios nem capacidade de decisão política para resolver as insuficiências de produtividade e de inovação na atividade económica, embora esteja a desempenhar um papel importante em resolver problemas de escala supramunicipal como os transportes públicos ou na mobilização especialmente de públicos jovens para a formação na área do empreendedorismo, etc.</p>



<p>Mas, para além de estruturas de cooperação como a CIM, regiões como VDL necessitam de formular a questão:&nbsp;<strong>como colocar a produtividade da economia de Viseu ao nível da média nacional nos próximos 10 anos&nbsp;</strong>e procurar encontrar resposta na mobilização e organização dos agentes locais mais relevantes, públicos e privados. Talvez seja objetivo ambicioso, mas nunca saberemos o poder da união de esforços se nunca a promovermos.</p>



<p>Há mais de 15 anos, na antecâmera da Troika, num artigo também publicado no Jornal do Centro, que se intitulava “<em><strong>Triple Helix<a href="#sdfootnote1sym" id="sdfootnote1anc"><sup>1</sup></a></strong></em><strong>&nbsp;em Viseu”,&nbsp;</strong>escrevi uma notícia sobre uma reunião realizada em Viseu:&nbsp;“Presidentes reúnem-se e aprovam plano para a Região de Viseu” e, em subtítulo, concretizava: “Inovação, empreendedorismo e internacionalização serão os eixos de acção da futura&nbsp;<em>Agencia de Promoção Económica da Região de Viseu</em>”. Mas quem seriam os Presidentes? Lá estavam: “Presidentes do Instituto Politécnico, da Câmara Municipal, da Comunidade Intermunicipal, da Associação Industrial e da Associação de Comerciantes, estes dois em nome da Federação das Associações Empresariais da Região de Viseu (em formação)”.</p>



<p>Tal reunião não se tinha realizado, foi apenas imaginada! Mas, e se há 15 anos atrás já tivéssemos inovado nas formas de liderança do processo de desenvolvimento, a Região de VDL seria a mesma?&nbsp;</p>



<p>Os objetivos das organizações a que pertencemos não são apenas aqueles que estão mais ou menos formalmente estabelecidos. De um modo geral ainda se aceita que o papel das empresas não é o desenvolvimento regional ou o papel da Câmara Municipal não é de fazer diplomacia ou a universidade não tem que estar preocupada com a resolução dos problemas das empresas. Cada um no seu papel que, se o cumprirmos bem, significará que os sucessos individuais se refletirão em toda a comunidade. Isto é verdade porque o exercício das funções de cada um tem sempre externalidades que impactam nos restantes. Mas, estaremos a ser eficientes se nos dedicarmos apenas a um objetivo – mesmo que seja o objetivo central da nossa atividade?</p>



<p>Não valerá a pena, todos nós e não individualmente, olharmos para a realidade com outra perspetiva e pensarmos: o que poderemos fazer tendo como objetivo a criação da Universidade pública, em Viseu? Como nos vamos organizar para apoiarmos o Estado a cumprir a promessa de termos comboio de alta velocidade (e a valorização do aeródromo, e a conclusão da autoestrada/IP3, &#8230;) na cidade e na Região? Que estruturas precisamos para cumprirmos o nosso desígnio de Região tecnológica, inovadora, ao serviço do crescimento económico? Que estruturas precisamos para cumprirmos o desígnio de Região inclusiva, ao serviço do bem-estar de todos?</p>



<p><a></a>Não são perguntas para os políticos ou para os empresários ou para os académicos. São perguntas cujas respostas exigem responsabilização e empenhamento coletivos e que colocam no centro do problema o desenvolvimento do&nbsp;<em>território de Viseu</em>&nbsp;que, ao contrário dos anos 80/90 do século passado, exige que sejamos mais proativos, que tenhamos iniciativa e objetivos claros no nosso pensamento. Não basta acolhermos bem o que pode chegar até nós.</p>



<p></p>



<p><a href="#sdfootnote1anc" id="sdfootnote1sym">1</a>&nbsp;Modelo de desenvolvimento (Etzkowitz, Leydesdorff)&nbsp;que implica uma intervenção estruturada numa parceria entre as instituições de conhecimento (investigação), administração pública (politicas públicas de incentivo) e empresas (viabilidade económica).&nbsp;</p><p>The post <a href="https://www.jornaldocentro.pt/mais-produtividade-precisa-se-objetivos-estruturas-e-politicas-publicas/">Mais Produtividade precisa-se! – Objetivos, Estruturas e Políticas Públicas</a> first appeared on <a href="https://www.jornaldocentro.pt">Jornal do Centro</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Verdade e mentira</title>
		<link>https://www.jornaldocentro.pt/verdade-e-mentira/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandra Rodrigues]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 04 Apr 2026 15:06:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Dediquei o dia das mentiras deste ano à leitura de&#160;O Futuro da Verdade, um livrinho de Werner Herzog, um cineasta alemão (ele prefere dizer-se bávaro) com mais de 70 filmes, vários deles a desafiarem as fronteiras entre ficção e documentário, entre o mundo da “verdade” e o da “mentira”. O realizador defende que há uma [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Dediquei o dia das mentiras deste ano à leitura de&nbsp;<em>O Futuro da Verdade</em>, um livrinho de Werner Herzog, um cineasta alemão (ele prefere dizer-se bávaro) com mais de 70 filmes, vários deles a desafiarem as fronteiras entre ficção e documentário, entre o mundo da “verdade” e o da “mentira”. O realizador defende que há uma “verdade dos contabilistas” (dos factos brutos, dos dados) e uma “verdade extática” (das emoções, da ficção) e que a segunda descreve melhor a experiência humana do que a primeira.&nbsp;<br>No livro, editado pela Zigurate, dedica cinco páginas ao seu filme&nbsp;<em>Family Romance&nbsp;</em>(2019). Vou tentar aqui descrever as várias camadas de verdade e de ficção deste “drama”, melhor dizendo, deste “docudrama”.&nbsp;<br><em>Family Romance</em>&nbsp;é uma empresa japonesa real, pioneira no aluguer de actores para substituirem membros da família ou amigos ausentes, um negócio de substituição emocional que emprega mais de dois mil actores e que dá resposta à solidão existente na sociedade japonesa. Muitas vezes este faz-de-conta é solicitado para preservar as aparências e a harmonia social que, como se sabe, é muito valorizada no Japão.<br>Exemplos de serviços:&nbsp;<br>— um pai bêbedo e inconveniente substituído por um actor no casamento da filha;<br>— uma lésbica contrata um actor para um casamento de fachada para consumo da família conservadora.<br>Um terceiro com mais detalhes:<br>— a mãe de Mahiro aluga-lhe um “pai” porque a menina, de 11 anos, nunca conheceu o seu verdadeiro progenitor; esta “encenação” proporciona “a Mahiro uma sensação de segurança” que “desenvolve um carinho cada vez maior por aquele pai manifestamente falso” que “entra no jogo, escuta-a, caminha afectuosamente com ela”; a certa altura, “Mahiro começa, pelo menos em pequenas questões, a mentir”, mostra uma fotografia sua a fazer ioga e diz ao “pai” que a tirou em Bali quando na verdade tinha sido numa praia perto de casa; depois tudo se complica ainda mais, a mãe começa a apaixonar-se pelo “pai”, isto é, por ela o “pai” virava pai.<br>Herzog delira com estas voltas nos enredos: o pai é falso, o encontro encenado, a relação contratual, mas o afecto e o crescimento e a segurança emocional de Mahiro é real, e, detalhe delicioso, ela começa a mentir, a mentira a gerar mais mentira. No livro, Herzog ronrona como um gato satisfeito: “tudo no filme é mentira, tudo é fingimento, tudo é uma performance profissional, mas o curioso é que há em todo ele uma constante de verdade: a dos sentimentos”.<br>Em vésperas da Páscoa, deixo aqui dois votos:<br>— que a “verdade extática” se fique pela ficção e as redes sociais;<br>— que o jornalismo se deixe deste 1º de Abril todos os dias, se cinja aos factos e não os misture com opinião, em suma, passe a praticar aquilo a que Herzog chama “verdade dos contabilistas”.&nbsp;</p><p>The post <a href="https://www.jornaldocentro.pt/verdade-e-mentira/">Verdade e mentira</a> first appeared on <a href="https://www.jornaldocentro.pt">Jornal do Centro</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Mais Produtividade precisa-se! Sinais de Alerta</title>
		<link>https://www.jornaldocentro.pt/mais-produtividade-precisa-se-sinais-de-alerta/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandra Rodrigues]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Apr 2026 12:13:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em meados dos anos 80 vim residir para Viseu. Na altura, a cidade era atrativa para quem vivia a 40 km de distância e Viseu era um centro que proporcionava serviços não existentes à sua volta (pelo menos com a qualidade desejada) – educação e saúde, especialmente -, o comércio era, comparativamente aos concelhos vizinhos, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em meados dos anos 80 vim residir para Viseu. Na altura, a cidade era atrativa para quem vivia a 40 km de distância e Viseu era um centro que proporcionava serviços não existentes à sua volta (pelo menos com a qualidade desejada) – educação e saúde, especialmente -, o comércio era, comparativamente aos concelhos vizinhos, mais diverso, representava uma oferta que permitia mais opções aos clientes num conjunto de lojas que procuravam satisfazer diferentes necessidades e camadas da população.&nbsp;</p>



<p>Depois de um primeiro impulso ocorrido no pós-25 de abril (com o aumento do poder de compra, a fixação das pessoas vindas das ex-colónias – grupo de novos residentes com mais elevada taxa de empreendedorismo &#8211; e a contenção da emigração), a economia recebeu, a partir de meados dos anos 80, um novo estímulo (investimento externo e abertura dos mercados europeus; infraestruturas) e a cidade e a Região responderam com a criação e a melhoria de fatores de acolhimento: a cidade foi-se tornando num centro de serviços (mais do que de comércio) para as pessoas e para as empresas e a Região recuperou algum do seu atraso em termos de industrialização. Ainda em meados dos anos 80 é lançada a iniciativa “Área Urbana” que representou um detonador da vida cultural da cidade, e começam as ações de sensibilização que levam, mais tarde, à recuperação do Teatro Viriato e, pela mesma altura, é criado o Conservatório Regional de Música Dr. José Azeredo Perdigão. Com o desenvolvimento do ensino superior, que começa com a Universidade Católica (inicio dos anos 80) e se destaca com o Politécnico de Viseu (Escola Superior de Educação, em 1983, ESTecnologia, em 1985), e dos serviços de saúde, em especial com a expansão da oferta do Hospital Distrital, chegamos ao inicio do século XXI com uma cidade e uma Região dinâmicas, atrativas. As oportunidades surgiram, nomeadamente para quem tinha formação superior. A cidade crescia e, em especial, a cidade funcional constituída pela atual freguesia de Viseu mais as freguesias envolventes acolheram milhares de novos residentes (mais do que compensaram as perdas das freguesias mais afastadas).&nbsp;</p>



<p>A resposta que a cidade e a Região souberam dar aos impulsos vindos do exterior proporcionou a construção de um ecossistema produtivo mais denso, mais moderno, associado a mercados internacionais. Viseu tinha começado uma mudança e gradualmente foi passando de uma cidade socialmente compartimentada, fechada, tornando-se numa cidade aberta e, de algum modo, inovadora no contexto das cidades médias nacionais.&nbsp;</p>



<p>Com a entrada do novo século (e já no final dos anos 90) a economia (portuguesa e da Região) começa a dar sinais de fraqueza: os investimentos externos deixam de ser tão frequentes e o ritmo de crescimento da economia abranda. Não devemos esquecer que já tinha começado a entrada de dois parceiros ativos da cena internacional, a China e os Países de Leste, que passam a ser grandes recetores de investimento externo e atores competitivos no comércio internacional. Isto teve repercussões em toda a economia nacional e, em particular, nos territórios que não estavam dotados suficientemente de infraestruturas, conhecimento, tecnologia, meios de inovação e poderes de decisão para avaliarem e reagirem à situação. Apesar dessas dificuldades, o setor industrial da região de Viseu resistiu e mantém um peso relevante na economia local. Sem dúvida que esta resistência resultará da natureza das empresas que se instalaram na Região, nomeadamente empresas do setor automóvel, da saúde, ligadas a recursos locais (madeiras, p.ex.) e, nalguns casos, ligadas simultaneamente a grupos exteriores à região e/ou ao próprio País, mas também foi resultado das capacidades próprias das lideranças locais, públicas e empresariais, para a adaptação a novas situações.&nbsp;</p>



<p>Se houver uma palavra apenas que resuma o comportamento da economia da região de Viseu – muito suportada no setor industrial –, ao longo dos tempos, e que foi exigindo respostas a diferentes desafios – a integração da economia nacional numa união monetária incompleta (o Euro), “desarmada” (sem orçamento comunitário), a saída da crise internacional pós-2008 e da Troika e, mais recentemente, da pandemia -, essa palavra deve ser “resistência”. Tem sido esta capacidade de resistir que mantém Viseu, cidade e região mais próxima, como uma autêntica “ilha” demográfica e económica num vasto território despovoado e economicamente frágil.</p>



<p>Depois de um período de forte crescimento económico seguido de alguma estagnação do PIB – de algum modo acompanhando o caminho da economia nacional -, a região de Viseu precisa de se adaptar aos novos fatores que fazem a diferença e vão liderar os avanços das economias: a relevância crescente do conhecimento e da tecnologia, a adaptação às novas condições climáticas e digitais, à inteligência artificial. Não estaremos na linha da frente em nenhum destes campos – porque o passado pesa e o nosso ponto de partida fica mais longe -, mas para já é preciso não ficar para trás, não descolar.</p>



<p>Deitemos um olhar sobre o que se tem passado com a economia da Região. Isso pode-nos ajudar a perceber algumas dificuldades por que estamos a passar e que é preciso resolver, mas também pode dar-nos indicações sobre o caminho para o futuro.</p>



<p>Vejamos como se tem “comportado” o PIB<a href="#sdfootnote1sym" id="sdfootnote1anc"><sup>1</sup></a>&nbsp;da região (NUT III “VDL &#8211; Viseu Dão Lafões”) e utilizemos alguns indicadores simples:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>O peso da economia da Região no conjunto do País tem-se mantido, desde os anos 90 do século passado, com pequenas oscilações, a um nível sempre inferior, mas muito próximo dos 2% do PIB nacional: passou de 1,75%, em 1995, para 1,89%, em 2000, 1,96%, em 2020 e 1,85%, em 2024. Aparentemente, a recuperação do peso de VDL na economia nacional está a fazer-se com alguma dificuldade, no pós-pandemia – valerá a pena acompanhar os próximos anos. No conjunto das atuais 26 NUT III, e no que respeita ao contributo para o PIB nacional, VDL tem-se mantido ligeiramente abaixo do meio da tabela, 15º/16º lugar; </li>



<li>Esta evolução do PIB de VDL apresenta algumas diferenças face às regiões que mais contribuem para o PIB nacional (Grande Lisboa, Área Metropolitana Porto, Península de Setúbal, Região Coimbra e Algarve): a importância destas regiões com “<strong>+Peso</strong>” (61,7% do PIB nacional, em 2024) está a crescer desde os anos 90 e, em particular, nos últimos anos depois da pandemia (entre 2020 e 2024 o PIB destas NUTs aumentou cerca de um ponto percentual). Ao contrário, as regiões que menos contribuem para o PIB nacional (Alto Tâmega e Barroso, Terras de Trás-os-Montes, Beira Baixa, Alentejo Litoral e Alto Alentejo &#8211; chamemos-lhes com <strong>“</strong><strong>&#8211;</strong><strong> Peso</strong>”) representa apenas 3,8% do PIB nacional e o seu contributo tem vindo quase sempre a diminuir (em 1995 e em 2015 era de 4,4%).</li>
</ul>



<p><strong>Pode a economia de VDL estar a aproximar-se do comportamento das regiões com mais baixos níveis de produção? Por que razão a economia de VDL não estará a recuperar tão rapidamente</strong>? A taxa de crescimento do PIB português (+44%) – a preços correntes -, entre 2020 e 2024, foi oito pontos percentuais superior ao crescimento do PIB de VDL (+36%). Para esta saída mais rápida da crise da pandemia por parte do conjunto do País importa assinalar o crescimento maior do Emprego, cerca de 8% entre os dois anos referidos, simultaneamente com o crescimento mais robusto da Produtividade<a href="#sdfootnote2sym" id="sdfootnote2anc"><sup>2</sup></a>, + 33%. Em VDL, o menor crescimento da economia está associado a um crescimento menor do Emprego, cerca de 6,6%, e da Produtividade, cerca de 27%, entre os dois anos. Aparentemente, em VDL está a verificar-se um acréscimo da Produção, do Emprego e da Produtividade, mas este acréscimo é menos relevante do que na média do País. Parece evidente que VDL está perante um&nbsp;grande desafio da sua economia:&nbsp;<strong>fazer mais e melhor pela Produtividade que, em 2024, representava cerca de 85% da produtividade média nacional</strong>.</p>



<p>Se considerarmos apenas o valor da produção mercantil, que reflete um preço de mercado, &#8211; excluímos assim, serviços prestados pela Administração Pública e pelas instituições sem fins lucrativos ao serviço das famílias – poderemos determinar o valor acrescentado pelas empresas bem como a sua produtividade. Assim, a Produtividade das empresas<a href="#sdfootnote3sym" id="sdfootnote3anc"><sup>3</sup></a>&nbsp;em VDL apresenta um comportamento mais próximo dos valores médios nacionais, ou seja, em vez de representar 85% da produtividade média nacional, a&nbsp;<strong>produtividade&nbsp;</strong><strong>aparente</strong><strong>&nbsp;do trabalho nas empresas é de 87,2% da média nacional do setor empresarial</strong>. Considerando apenas a produtividade do setor mercantil, VDL ocupa o 12º lugar entre as atuais 26 NUT III e desce para o 20º lugar quando considerado o conjunto da economia, incluindo a prestação de serviços por parte do Estado e das instituições sem fins lucrativos (valores de 2024). É caso para dizer que o Estado está a faltar a esta nossa Região.</p>



<p>De entre os setores mercantis, vale a pena assinalar a importância da “Indústria Transformadora” em VDL. Com efeito, este setor é responsável por 43% do volume de negócios de todas as empresas em VDL, quase o dobro do que se passa no País (22%) e com uma produtividade que representa 156% da média das empresas da Região. Outros setores relevantes para a Região são o “Comércio”, com cerca de 25% do volume de negócios das empresas, e a “Construção”, quase 10% do volume de negócios. Assinale-se, porém, que ambos os setores têm níveis de produtividade inferiores à média da Região, embora, a nível nacional, um e outro apresentem produtividades mais elevadas do que as respetivas médias setoriais no País. De um modo geral, os “Serviços”, em VDL, têm um peso menos significativo na atividade empresarial da Região, cerca de 17% do volume de negócios total das empresas, que compara com cerca de 29% no País. Além disso, todas estas atividades empresariais de prestação de serviços têm mais baixa produtividade em VDL do que no conjunto do País.&nbsp;</p>



<p>Num sentido mais positivo tem-se comportado o setor exportador de VDL que se situa na primeira metade da tabela das NUT III, em 12º lugar, com 2,2% do total das exportações portuguesas, reflexo do papel das “Indústrias Transformadoras”.</p>



<p>Sendo certo que as empresas, em VDL, têm ainda um caminho a percorrer para se aproximarem dos valores médios nacionais da produtividade, vale a pena olharmos também para a mais fraca presença do Estado na prestação de serviços (e também para as instituições sem fins lucrativos embora estas com peso pouco significativo). Já voltaremos ao papel do Estado.</p>



<p>Em VDL a atividade empreendedora, isto é, a&nbsp;<strong>capacidade para a criação de empresas</strong>, não sobressai no conjunto das NUT III do País e a alteração desta situação representará um&nbsp;segundo desafio da Região. Com efeito, na última década (2013-23) a taxa média anual de natalidade de empresas<a href="#sdfootnote4sym" id="sdfootnote4anc"><sup>4</sup></a>&nbsp;tem andado à volta dos 13% enquanto a média nacional se situa nos 15%. A Região precisará de ter taxas de natalidade empresarial maiores para fazer subir de forma mais substancial as atuais 32 mil, número que coloca VDL em 15º lugar nas 26 NUT III. Acresce que a esmagadora maioria destas empresas são pequenas unidades com menos de 10 pessoas ao serviço e com mais baixo volume de negócios, 297 mil euros anuais que compara com 362 mil na média nacional.&nbsp;</p>



<p>Para além da mais baixa capacidade empreendedora em VDL, acresce que é igualmente reduzido o peso do numero de empresas criadas em Industria de Alta e Média-Alta Tecnologia (2,1% do número total nacional) e, em VDL, são responsáveis apenas por 1% da riqueza gerada por este tipo de empresas no País. Por outro lado, enquanto em Portugal a proporção das despesas em Investigação &amp; Desenvolvimento no PIB era de 1,7%, em VDL esta proporção baixa para menos de metade (0,81%). Estes valores menos expressivos em VDL estão em linha com a situação escolar da população empregada por altura dos Censos de 2021. Com efeito, um pouco mais de 30% da população empregada em Portugal possuía um curso superior completo que compara com 27,5% em VDL; enquanto nesta Região apenas 0,6% de residentes empregados possuíam um curso de doutoramento, bastante abaixo do que se verificava no conjunto do País, cerca de 1%.&nbsp;</p>



<p>Já ninguém duvida da relação existente entre melhor desempenho económico e despesas em conhecimento e tecnologia e níveis mais elevados de formação dos trabalhadores e dos dirigentes/empresários. Por isso, a Região deve olhar para esses valores e assumi-los como&nbsp;<strong>sinais de alerta</strong>&nbsp;de um&nbsp;terceiro desafio&nbsp;que importa atender, acelerando no caminho positivo que tem sido percorrido.</p>



<p></p>



<p><a href="#sdfootnote1anc" id="sdfootnote1sym">1</a>&nbsp;Produto interno bruto (B.1*g) a preços correntes (Base 2021 &#8211; €) por Localização geográfica (NUTS &#8211; 2024); Anual &#8211; INE, Contas económicas regionais</p>



<p><a href="#sdfootnote2anc" id="sdfootnote2sym">2</a>&nbsp;Produtividade aparente do trabalho (Base 2021 &#8211; €) por Localização geográfica (NUTS &#8211; 2024); Anual &#8211; INE, Contas económicas regionais.</p>



<p><a href="#sdfootnote3anc" id="sdfootnote3sym">3</a>&nbsp;Produtividade aparente do trabalho (€) nas empresas por Localização geográfica (NUTS &#8211; 2024) e Atividade económica (Divisão &#8211; CAE Rev. 3); Anual &#8211; INE, Sistema de contas integradas das empresas</p>



<p><a href="#sdfootnote4anc" id="sdfootnote4sym">4</a>&nbsp;Taxa de natalidade (%) das Empresas por Localização geográfica (NUTS &#8211; 2013) e Atividade económica (Divisão &#8211; CAE Rev. 3); Anual &#8211; INE, Demografia das empresas</p><p>The post <a href="https://www.jornaldocentro.pt/mais-produtividade-precisa-se-sinais-de-alerta/">Mais Produtividade precisa-se! Sinais de Alerta</a> first appeared on <a href="https://www.jornaldocentro.pt">Jornal do Centro</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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