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	<title>Colunistas - Jornal do Centro</title>
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	<description>Notícias de Viseu e da Região Centro</description>
	<lastBuildDate>Sat, 30 May 2026 14:20:24 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Colunistas - Jornal do Centro</title>
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		<title>Bitolas ferroviárias, os trinta e quatro trabalhos de Aguiar-Branco e o burro de Tróia</title>
		<link>https://www.jornaldocentro.pt/bitolas-ferroviarias-os-trinta-e-quatro-trabalhos-de-aguiar-branco-e-o-burro-de-troia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandra Rodrigues]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 30 May 2026 14:20:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>1. Para os ucranianos, ter comboios é uma condição de liberdade. Mesmo em situação de guerra, acabam de inaugurar uma linha entre Chop e Uzhhorod, com bitola europeia, que lhes permite uma ligação directa à Hungria e à Eslováquia. Isto é, a rede ferroviária ucraniana já tem uma conexão directa à rede ferroviária da UE. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>1. Para os ucranianos, ter comboios é uma condição de liberdade. Mesmo em situação de guerra, acabam de inaugurar uma linha entre Chop e Uzhhorod, com bitola europeia, que lhes permite uma ligação directa à Hungria e à Eslováquia. Isto é, a rede ferroviária ucraniana já tem uma conexão directa à rede ferroviária da UE.</p>



<p>Por sua vez, Portugal é uma ilha ferroviária e assim vai continuar, pois teima num TGV em bitola ibérica (1668 mm), em vez da bitola europeia (1435 mm), enquanto, aqui ao lado, Espanha está a fazer ligações TGV de Madrid a Lisboa e de Madrid a França em bitola europeia. Essa decisão permite-lhe, para além dos óbvios benefícios operacionais no futuro, optimizar os apoios europeus no presente.</p>



<p>2. José Pedro Aguiar-Branco é um dínamo, perdão, um alternador, perdão, um gerador, perdão, um estropício fotovoltaico virado a sul num dia sem nuvens. O presidente da Assembleia da República tem energia para dar e vender.O homem, para além de manter na ordem uma grosa e meia de egos parlamentares, o que, como se sabe, é tudo menos fácil, desempenha ainda mais trinta e quatro cargos, dos quais mantém trinta e um secretos. Não se sabe o que faz, para quem faz, quanto aufere de cada um deles. “Sigilo profissional”, invoca ele na sua declaração à Entidade Para a Opacidade, perdão, na sua declaração à Entidade Para a Transparência. </p>



<p>Esta aceita este desconchavo. Logo, a dita Entidade Para a Transparência não serve para nada. Fechem-na.</p>



<p>3. A polarização política está a fragmentar os eleitorados em todo o lado. Até no Reino Unido, em vez dos tradicionais dois grandes partidos, agora há cinco partidos médios, a saber: Reform UK, Partido Conservador, Liberais Democratas, Partido Trabalhista e Partido Verde. </p>



<p>Nas eleições locais de 7 de Maio, o Partido Trabalhista de Keir Starmer perdeu forte e feio para os Verdes, que atraíram o voto jovem e islâmico. O <em><a href="http://esquerda.net/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">esquerda.net</a></em>, do Bloco de Esquerda, publicou um artigo entusiasmado com a subida “verde”, intitulado “Uma vitória colossal da esquerda”, mas até aí se  reconhece que, “infelizmente”, “muitos” dos candidatos “enraizados nas comunidades muçulmanas” não têm “uma inclinação progressista”.</p>



<p>Cada vez mais se vê a esquerda anti-ocidental na cama com islamistas. Não é um caso de amor, é de ódio ao Ocidente. Ataviada de keffiyeh, mesmo sabendo que o parceiro não tem qualquer “inclinação progressista”, a esquerda radical, como escreve João Tiago Proença, no Observador, “perdeu a dignidade do cavalo, não passa de um burro de Tróia”.</p><p>The post <a href="https://www.jornaldocentro.pt/bitolas-ferroviarias-os-trinta-e-quatro-trabalhos-de-aguiar-branco-e-o-burro-de-troia/">Bitolas ferroviárias, os trinta e quatro trabalhos de Aguiar-Branco e o burro de Tróia</a> first appeared on <a href="https://www.jornaldocentro.pt">Jornal do Centro</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Todos somos consumidores, todos temos direitos</title>
		<link>https://www.jornaldocentro.pt/todos-somos-consumidores-todos-temos-direitos-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandra Rodrigues]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 May 2026 13:37:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A sociedade de consumo em que vivemos impele-nos incessantemente para o consumo. O consumo de bens e serviços cada vez mais sofisticados é algo que já está interiorizado em cada um de nós. Convém saber que temos direitos (e deveres) enquanto consumidores, sendo os mais relevantes o direito à informação, à proteção da saúde e [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A sociedade de consumo em que vivemos impele-nos incessantemente para o consumo. O consumo de bens e serviços cada vez mais sofisticados é algo que já está interiorizado em cada um de nós. Convém saber que temos direitos (e deveres) enquanto consumidores, sendo os mais relevantes o direito à informação, à proteção da saúde e da segurança física, à qualidade dos bens e serviços, à formação e à educação para o consumo, à proteção dos interesses económicos, à prevenção e reparação dos danos patrimoniais e não patrimoniais que resultem da ofensa de interesses ou direitos individuais homogéneos, coletivos ou difusos, à proteção jurídica e a uma justiça acessível e pronta. Todos estes direitos constam da Lei de Defesa do Consumidor, uma lei que todos deveríamos conhecer.</p>



<p>Quando, numa situação concreta surge um problema na relação de consumo estabelecida entre o consumidor e o vendedor de um bem de consumo ou o prestador de um serviço, podemos afirmar que estamos perante um conflito de consumo.</p>



<p>O surgimento de conflitos de consumo seja com o operador de telecomunicações, a empresa comercializadora de energia, ou a empresa de águas, ou ainda com a loja onde compramos um telemóvel ou uma peça de vestuário, ou também na oficina onde pusemos o carro a reparar, são mais frequentes do que o que desejaríamos. Infelizmente, muitos consumidores desconhecem ainda a existência da rede de arbitragem de consumo, que integra o serviço público destinado a auxiliar os consumidores e as empresas a resolver estes problemas.</p>



<p>Assim, nunca é de mais, dar a conhecer aos nossos leitores e consumidores, e recomendar o recurso a estas entidades sempre que se esteja perante um conflito de consumo que pretendemos resolver de forma fácil, sem custos ou a um custo muito reduzido e de forma rápida e eficaz.</p>



<p>A rede de arbitragem de consumo integra sete Tribunais de Consumo no território continental, que são entidades independentes, com pessoal especializado, atuando de forma imparcial e ajudam o consumidor e a empresa a chegar a uma solução amigável por via da mediação.</p>



<p>Caso este acordo não seja alcançado pode ainda recorrer-se ao Tribunal destas entidades, através de um processo simples e rápido e em muitos casos gratuito. Caso o juíz-árbitro não consiga conciliar as partes, a sentença destes Tribunais tem força executiva (caráter obrigatório), sendo equiparada à decisão judicial de um Tribunal de primeira instância.</p>



<p>Estes Tribunais de Consumo devem cumprir com um conjunto de obrigações que constam da lei, onde se inclui a manutenção de um sítio eletrónico na Internet atualizado que permita às partes um acesso fácil a informações relativas ao acesso a estes serviços e que dê ao consumidor a possibilidade de apresentar as suas reclamações contra os agentes económicos de forma presencial ou em linha (online).</p>



<p><a></a>Na nossa região,&nbsp;para apoio ao Consumidor pode procurar a&nbsp;<strong>Beira Amiga Associação de Defesa do Consumidor</strong><strong>&nbsp;</strong>e para resolver conflitos de consumo pode recorrer ao&nbsp;<strong>Tribunal de Consumo de Viseu, Polo do CNIACC (Centro Nacional de Informação e Arbitragem de Conflitos de Consumo)</strong>, sitos no Largo de Santa de Santa Cristina (Casa Amarela), 3500-181 Viseu, Telefone 232 451&nbsp;135/965651141;&nbsp;<a href="mailto:beiraamiga@gmail.com">beiraamiga@gmail.com</a>;&nbsp;<a href="mailto:viseu@cniacc.pt">viseu@cniacc.pt</a>; no Horário: Segunda a Sexta-feira das 9H00 às 16H00, com intervalo para almoço das 12h30 às 13h30.&nbsp;</p>



<p>Para mais informações:&nbsp;<a href="http://www.beiraamiga.com/">www.beiraamiga.com</a>&nbsp;e&nbsp;<a href="https://www.cniacc.pt/pt/">https://www.cniacc.pt/pt/</a></p><p>The post <a href="https://www.jornaldocentro.pt/todos-somos-consumidores-todos-temos-direitos-2/">Todos somos consumidores, todos temos direitos</a> first appeared on <a href="https://www.jornaldocentro.pt">Jornal do Centro</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Nunca É Só Futebol</title>
		<link>https://www.jornaldocentro.pt/nunca-e-so-futebol/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandra Rodrigues]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 May 2026 09:43:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Diário]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Confesso, sem grande dúvida, que poucos momentos da minha ainda curta vida se assemelharam em nível de felicidade aos passados no Estádio do Fontelo e no Rossio no passado Sábado, dia dezasseis de maio. Apesar de acreditar que os mais primários sentimentos ligados ao desporto-rei não devem ser analisados em demasia por medo de complexificar [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Confesso, sem grande dúvida, que poucos momentos da minha ainda curta vida se assemelharam em nível de felicidade aos passados no Estádio do Fontelo e no Rossio no passado Sábado, dia dezasseis de maio. Apesar de acreditar que os mais primários sentimentos ligados ao desporto-rei não devem ser analisados em demasia por medo de complexificar algo que, no fundo, é simples, dei por mim a questionar-me por diversas vezes sobre a verdadeira razão por trás do meu eufórico estado na festa da promoção academista, e penso ter chegado a uma conclusão.</p>



<p>Primeiro que tudo, e antes de mais ressalvas, quero, inequivocamente, dar os parabéns a todo o plantel do Académico de Viseu, bem como à equipa técnica e staff que compõe toda a estrutura que permitiu que, ao fim de trinta e sete longos anos, se cumprisse um até então longínquo sonho de disputarmos olhos nos olhos a primeira divisão do campeonato de Portugal com potências do futebol nacional que, à falta dos nossos Viriatos, nos víamos forçados a torcer por.</p>



<p>Seguidamente, quero estabelecer um ambiente contextual para justificar a necessidade da escrita de um artigo de opinião sobre um tema cuja natureza binária, certamente dispensa o tecimento de juízos de valor. Quero confessar que, apesar de apreciar como qualquer outro o desporto-rei, nunca fui propriamente movido pelas vitórias e derrotas de qualquer equipa de futebol ao longo da minha vida, à exceção da consagração de Portugal enquanto campeão da Europa em dois mil e dezasseis, daí-me ter sentido espantado quando me apercebi das lágrimas que me caíram no momento do apito final do zero-zero entre Académico e Sporting B, no Estádio do Fontelo.</p>



<p>A verdade é que, apesar de não ser ingénuo ao ponto de acreditar que os mais de seis mil adeptos presentes no jogo da tão aguardada subida sentiram o mesmo que eu, sinto que a real razão para a festa na qual culminaram as quase 4 décadas de espera vai para lá do colocar de um esférico numa área retangular de sete metros e trinta e dois de comprimento por dois metros e quarenta e quatro de altura.</p>



<p>Quero acreditar, e acredito, que também compõe esta epopeia de razões o facto de que no Rossio, não esteve apenas presente uma massa adepta de um clube, mas a sociedade de uma cidade que se farta de ouvir que o país está todo no litoral, seja esse o país futebolístico ou não.</p>



<p>Quero acreditar, e acredito, que ao se cantar o “Somos de Viseu” do rapper Tilhon, não só se vangloriou apenas a vitória de uma equipa de futebol, mas também os contínuos esforços de toda uma região para que se não continue a viver num país fechado em três divisões: ambas as áreas metropolitanas, e o resto.</p>



<p>Quero acreditar, e acredito, que no hastear de cada bandeira e no colocar de cada cachecol negro e branco, estão carimbados o orgulho e a necessidade de mostrar ao mundo que, nos confins da Ibéria, existe um povo que se orgulha de ser Beirão, acima de tudo o resto.</p>



<p>Quero acreditar, e acredito, que por trás da celebração de subida de toda uma equipa à primeira divisão do principal desporto português, está o sentimento egoísta que eu confesso partilhar de forçar o resto do país a olhar para Viseu de igual para igual em mais uma área da vida nacional, ainda que seja algo tão pouco significativo no dia-a-dia das pessoas como o futebol.</p>



<p>Quero acreditar, e acredito, que nada disto foi só futebol, mas sim o brado retumbante de um povo heroico que, apesar de distanciado por dois mil e duzentos anos, continua a vivero orgulho de Viriato em cada passo que toma, em cada grito que dá, e em cada golo que marca.</p>



<p>Quero acreditar, e acredito, que quem escreveu este artigo e celebrou incessantemente a promoção da equipa que se via forçado a criar em videojogos em criança por não a ver representada em mais nenhum pedaço de <em>media</em>, foi apenas um de milhares que sentem nesta conquista o avançar de uma cidade e de um povo a passos largos rumo a um país que, aparentemente, não se fastidia em vê-los ficar para trás.</p>



<p>Sou suspeito, porque acredito verdadeiramente que nutro maior sentimento pela minha cidade que pelo meu país… Mas, apesar de poder estar redondamente enganado, a festa ocorrida aos dezasseis dias do mês de maio de dois mil e vinte e seis fez-me acreditar que não estou sozinho… Ou se estou, que sou feliz assim.</p>



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		<item>
		<title>Ronda, turistas e F for Fake</title>
		<link>https://www.jornaldocentro.pt/ronda-turistas-e-f-for-fake/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandra Rodrigues]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 May 2026 08:46:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A deslado da Praça de Touros de Ronda, há um monumento de homenagem a Orson Welles, com um busto do realizador e uma placa com os seguintes dizeres:&#160;Ronda a Orson Welles / “Un hombre no es de donde nace sino donde elige morir”, y Ronda fue la elegida. Quiso ser un rondeño más para siempre. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A deslado da Praça de Touros de Ronda, há um monumento de homenagem a Orson Welles, com um busto do realizador e uma placa com os seguintes dizeres:&nbsp;<em>Ronda a Orson Welles / “Un hombre no es de donde nace sino donde elige morir”, y Ronda fue la elegida. Quiso ser un rondeño más para siempre. Sus cenizas fueron depositadas aquí, em el recinto de San Cayetano para la eternidad. Ronda — 2015</em></p>



<p>Não há muito tempo, pus-me a pensar qual dos filmes do mestre norte-americano melhor descreveria estes tempos prodigiosos que estamos a viver. <em>Cidadão Kane (Citizen Kane</em>,1941), a obra-prima que “inventou” a profundidade de campo?, <em>A Sede do Mal  (Touch of Evil</em>, 1958) que “inventou” o suspense com o seu plano-sequência inicial com uma bomba-relógio a tiquetacar?, a trilogia <em>Macbeth</em> (1948), <em>Othello</em> (1951) e <em>Falstaff</em> (1965)? <br>Todos bons filmes, uns resistiram melhor ao tempo (que, como se sabe, é um patife), outros menos. Mas, ao observar toda aquela ronda de turistas, mai’los seus cicerones humanos e electrónicos, todo aquele stress à procura do ângulo mais instagramável da Puente Nuevo e do desfiladeiro que divide em duas aquela cidade andaluza, tudo aquilo tão anos-vinte-do-século-XXI fez-me remeter para uma obra-prima de Orson Welles que devia ser mais lembrada: <em>F for Fake</em> (1973). Este filme é uma matriosca de ludíbrios, mergulhamos nele exactamente da mesma maneira que agora ouvimos certas “notícias” feitas por jornalistas enviesados ou <em>scrollamos</em> nas redes sociais posts fechados em bolhas e em teorias da conspiração. <br>Em <em>F for Fake</em>, Welles é o narrador, o explicador, o prestigitador. No início, de frente para a câmara, anuncia-se como um charlatão enquanto tira moedas de trás da orelha de um puto e nos atira com uma mentira descarada: “Durante a próxima hora tudo o que vai ouvir de nós é verdade baseada em factos sólidos”. Mergulhamos de cabeça num polígrafo avariado onde nos é apresentado Elmyr de Hory, um falsificador de arte que pintava “Picassos” ainda melhores do que os do mestre nascido em Málaga (por sinal, bem perto de Ronda).<br>Nos seus longevos vinte e quatro anos, o Olho de Gato nunca fez um “estraga-fins” (um <em>spoiler</em>, como se diz em estrangeiro) mas hoje vai executar, sem remorso nenhum, um “estraga-princípios”: procuremos o genérico inicial e os grandes planos do abanar de ancas de Oja Kodar (mulher de Orson Welles), entremeados com imagens de basbaques mesmizados perante aquela sensualidade insolente, reparemos naquela montagem nervosa, nas dezenas e dezenas de planos, naquele <em>swing</em> visual, ancas, olhos arregalados, turistas, flashes, montras, passos, cortes súbitos, acelerações de automóveis, meneios, repetições. É todo um gag visual, um TikTok feito meio século antes de os chineses inventarem o tiquetocanço: estímulo, corte nervoso, captura de olhar, erotismo fragmentário. Tudo real, tudo fake. <em>F for Fake</em> é fácil de achar online. Mas não no TikTok.</p>



<p></p><p>The post <a href="https://www.jornaldocentro.pt/ronda-turistas-e-f-for-fake/">Ronda, turistas e F for Fake</a> first appeared on <a href="https://www.jornaldocentro.pt">Jornal do Centro</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>PRR — homicídio de fundos e desenrascanço católico</title>
		<link>https://www.jornaldocentro.pt/prr-homicidio-de-fundos-e-desenrascanco-catolico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandra Rodrigues]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 May 2026 08:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por inícios destes anos 20 do século XXI, a UE começou a mexer-se um pouco. Ao mesmo tempo que se mobilizava contra a pandemia, ultrapassava tabus em matéria de dívida comunitária. Em 2021, começou a bombar o Plano de Recuperação e Resiliência, anunciado ao povo com charangas e foguetes, ia ser um dilúvio de milhares [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Por inícios destes anos 20 do século XXI, a UE começou a mexer-se um pouco. Ao mesmo tempo que se mobilizava contra a pandemia, ultrapassava tabus em matéria de dívida comunitária. Em 2021, começou a bombar o Plano de Recuperação e Resiliência, anunciado ao povo com charangas e foguetes, ia ser um dilúvio de milhares de milhões, boa parte a fundo perdido. Foi mais um&nbsp;“agora é que é!” que me fez sorrir.<br>É que, em Portugal, desde os tempos da cavacal figura, há uma indústria de “execução” de fundos comunitários que pouco mais faz do que isso: “executá-los”, isto é, matá-los, homicidiá-los. Lisboa parte e reparte e fica com a melhor parte, as sobras vão para a “paisagem”. Depois de quatro décadas de “fundos estruturais”, Portugal continua encalhado nos últimos lugares, a ser ultrapassado por países do leste que entraram na UE duas décadas depois.<br>Desta vez, na negociação do PRR, os ditos países frugais (Países Baixos, Áustria, Dinamarca, Suécia, Finlândia, &#8230;), nada entusiastas da mutualização de dívida, só cederam nas subvenções a fundo perdido quando conseguiram impor um prazo — tudo tinha que estar pronto em 2026. As brumas do norte impuseram aqueles prazos apertados porque já sabiam os costumes ensolarados do sul.&nbsp;<br>Portugal não os desiludiu. Por cá, decide-se devagar, executa-se mal, responsabiliza-se pouco. O Estado, infiltrado por boys dos partidos e profissionais da “execução” de fundos, é uma múmia paralítica nas unhas da grande advocacia de negócios. Um PRR do século XXI, manobrado por uma máquina do século passado. Vai ser bonito quando o nosso “jornalismo” começar a receber as “fugas de informação” deste festim. É que as pessoas andaram estes anos todos a ouvir falar nos milhares de milhões do PRR e só estão a ver a sua vida a andar para trás.&nbsp;</p>



<p>No meio disto tudo, Viseu. O dr. Ruas regressou ao Rossio, em 2021, no início do PRR. Um enorme desafio para o qual já não tinha andamento. O tempo, já por si, é um patife. Com aquela corrida contra-relógio, imposta pelos países do Norte, ainda mais. <br>Viseu passou ao lado do PRR. Concepção, concursação, execução de novos centros de saúde? Está quedo. Um Mercado de Frescos a sério em vez da tenda de 822 mil euros (!) junto à segurança social? Isso é que era bom.<br>Até a construção de uma Residência de Estudantes, na Prebenda, deu barraca. Em desespero, João Azevedo acaba de lançar um plano B, aproveitando a falta de vocações sacerdotais. Vai tentar arranjar 75 camas no antigo seminário de Viseu para não perder dois milhões de euros. Do mal o menos: temos aqui o desenrascanço católico a dar a volta aos calvinistas do norte.</p><p>The post <a href="https://www.jornaldocentro.pt/prr-homicidio-de-fundos-e-desenrascanco-catolico/">PRR — homicídio de fundos e desenrascanço católico</a> first appeared on <a href="https://www.jornaldocentro.pt">Jornal do Centro</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>OPA: anos a ignorar, meses a remediar</title>
		<link>https://www.jornaldocentro.pt/opa-anos-a-ignorar-meses-a-remediar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandra Rodrigues]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 May 2026 11:02:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A crise da habitação em Viseu não se resolve com anúncios nem medidas de emergência. Há problemas que deixam de poder ser ignorados. A habitação é hoje um deles. Em Viseu, aquilo que durante anos foi sendo desvalorizado tornou-se um drama concreto. Jovens que não conseguem sair de casa dos pais. Famílias esmagadas por rendas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="has-text-align-center"><strong>A crise da habitação em Viseu não se resolve com anúncios nem medidas de emergência</strong>. <strong>Há problemas que deixam de poder ser ignorados. A habitação é hoje um deles.</strong></p>



<p>Em Viseu, aquilo que durante anos foi sendo desvalorizado tornou-se um drama concreto. Jovens que não conseguem sair de casa dos pais. Famílias esmagadas por rendas e prestações. Trabalhadores que, mesmo com emprego estável, deixaram de ter acesso a uma casa digna. Esta não é uma realidade distante — é o quotidiano de quem vive e trabalha no concelho.</p>



<p>Os números confirmam o que as pessoas já sentem na pele. Nos últimos anos, o preço da habitação subiu de forma acentuada. Dados do Instituto Nacional de Estatística e da Pordata mostram uma subida contínua do valor mediano das casas desde 2021. No mercado anunciado, segundo a plataforma Idealista, os preços passaram de cerca de 1.050 euros por metro quadrado em 2022 para mais de 1.300 euros em 2025, com aumentos anuais que, em vários momentos, ultrapassaram os 15%. Em algumas zonas da cidade, os valores aproximam-se já dos 1.800 euros por metro quadrado.</p>



<p>No arrendamento, a situação não é melhor. As rendas continuam a subir, com aumentos acumulados que, em muitos casos, ultrapassam os 20% a 30%, num contexto de escassez de oferta. O resultado é simples: os preços disparam, os salários não acompanham e o acesso à habitação torna-se cada vez mais difícil.</p>



<p>Mais do que uma subida de preços, estamos perante um desfasamento profundo entre o custo da habitação e o nível de vida dos trabalhadores. E este é o ponto central do problema. Hoje, em Viseu, trabalhar já não chega para ter casa.</p>



<p>Perante isto, importa dizer com clareza: não podemos esperar que seja o mercado a resolver aquilo que ele próprio criou.</p>



<p>Ainda assim, foi isso que aconteceu durante anos. Os sinais estavam lá — subida dos preços, escassez de casas, dificuldades crescentes no arrendamento — mas faltou uma resposta pública à altura.</p>



<p>Chegados a 2025, tornam-se evidentes as dificuldades na execução da Estratégia Local de Habitação, obrigando o município a recorrer a medidas de recurso como a chamada OPA da habitação. A própria informação divulgada pela autarquia confirma o carácter excepcional desta medida: das 83 habitações inicialmente identificadas na Estratégia Local de Habitação, apenas 17 tinham projecto e financiamento aprovados, reconhecendo-se igualmente que não seria possível concluir a sua reabilitação dentro dos prazos do PRR.</p>



<p>Mais do que uma estratégia estruturada de reforço do parque público habitacional, a OPA surge assim como tentativa de recuperar atrasos acumulados e evitar a perda de financiamento comunitário. E fá-lo através de um modelo praticamente sem paralelo no país, procurando adquirir em massa imóveis já existentes no mercado privado para posterior integração no parque municipal. Assente na aquisição de imóveis ao mercado privado, parte do princípio de que é possível corrigir os efeitos da especulação recorrendo aos mesmos mecanismos que contribuíram para a alimentar. Não só não aumenta estruturalmente a oferta pública, como sujeita o município aos preços de um mercado profundamente desajustado da realidade social e dos rendimentos locais.</p>



<p>Os próprios limites definidos para aquisição por tipologia revelam essas contradições: ou ficam abaixo dos valores praticados e não conseguem atrair oferta suficiente, ou aproximam-se desses valores e acabam por legitimar a escalada dos preços. Em qualquer dos casos, não resolvem o problema de fundo. A reduzida adesão à medida demonstra precisamente os limites desta opção.</p>



<p>Se a OPA evidencia os limites desta abordagem, o projecto de requalificação da zona de Repeses, já apresentado por este executivo municipal, levanta preocupações de fundo ainda mais estruturais. Prevê-se a criação de novas áreas de construção habitacional, num volume significativo, mas permanece uma ausência que não pode ser ignorada: não há uma aposta clara na habitação pública, nem garantias de integração de habitação a custos controlados. Num contexto em que o mercado tem demonstrado incapacidade para responder às necessidades da população, avançar com novos projectos urbanísticos sem assegurar quotas de habitação acessível é perpetuar a mesma lógica que conduziu à situação actual. Fala-se de construção, mas não se define para quem se constrói. E essa é, hoje, a questão essencial.</p>



<p>Mas a dimensão deste problema é também profundamente política.</p>



<p>É verdade que houve uma mudança política na liderança do Município nas últimas eleições autárquicas. Mas isso não apaga o facto de o actual presidente da Câmara ter exercido funções como vereador na oposição durante o mandato anterior, acumulando simultaneamente responsabilidades políticas ao nível nacional. O problema da habitação já era então evidente e exigia intervenção política firme, capacidade de proposta e pressão pública continuada.</p>



<p>O reconhecimento actual do atraso levanta, inevitavelmente, uma questão política: se o problema da habitação era já conhecido e os sinais eram evidentes, porque não foi assumido mais cedo como prioridade? Fica a sensação de que a resposta foi sendo sucessivamente adiada no tempo político, por razões que hoje se tornam difíceis de compreender, surgindo apenas como tema central num momento em que a situação já não podia ser deixada para segundo plano. Esse atraso teve consequências concretas — e são hoje muitas as famílias e trabalhadores do concelho a pagar o preço da falta de antecipação e de uma intervenção política atempada.</p>



<p>Também no plano nacional a resposta tem falhado. A cada nova medida anunciada pelo Governo corresponde, na prática, mais pressão sobre o mercado e novos aumentos de preços. Em vez de travar a especulação, alimenta-se o mesmo modelo que está na origem do problema.</p>



<p>A solução exige outra política — uma política que coloque o direito à habitação acima da lógica da especulação e do lucro.</p>



<p>Isso passa pelo reforço efectivo do papel do Estado e das autarquias, pela construção e reabilitação massiva de habitação pública, pela mobilização de imóveis devolutos para fins habitacionais, pela regulação do mercado de arrendamento, pela fixação de rendas compatíveis com os salários e pelo combate firme à especulação imobiliária. Passa também por garantir que os recursos disponíveis, nomeadamente do PRR, são utilizados para aumentar efectivamente a oferta pública e acessível e não para alimentar novas dinâmicas de valorização imobiliária.</p>



<p>Mais do que medidas avulsas ou respostas de emergência, exige-se uma política de habitação estrutural, capaz de responder às necessidades de quem trabalha e vive no concelho.</p>



<p>Viseu está hoje perante uma escolha. Continuar no caminho das medidas tardias e insuficientes, ou assumir uma política pública de habitação capaz de dar resposta às necessidades da sua população.</p>



<p>Porque, no fim, a questão é simples: uma cidade onde trabalhar não chega para viver é uma cidade que está a falhar.</p><p>The post <a href="https://www.jornaldocentro.pt/opa-anos-a-ignorar-meses-a-remediar/">OPA: anos a ignorar, meses a remediar</a> first appeared on <a href="https://www.jornaldocentro.pt">Jornal do Centro</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Portugal tornou-se curto no longo prazo</title>
		<link>https://www.jornaldocentro.pt/portugal-tornou-se-curto-no-longo-prazo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandra Rodrigues]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 May 2026 10:47:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Durante demasiado tempo, Portugal habituou-se a discutir o imediato com enorme intensidade e o estrutural com surpreendente superficialidade. O debate público tornou-se rápido, fragmentado e excessivamente condicionado pela urgência do momento. Discutem-se medidas, anúncios, polémicas semanais e ciclos políticos curtos, mas raramente se mantém uma reflexão suficientemente consistente sobre aquilo que o país pretende ser [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Durante demasiado tempo, Portugal habituou-se a discutir o imediato com enorme intensidade e o estrutural com surpreendente superficialidade. O debate público tornou-se rápido, fragmentado e excessivamente condicionado pela urgência do momento. Discutem-se medidas, anúncios, polémicas semanais e ciclos políticos curtos, mas raramente se mantém uma reflexão suficientemente consistente sobre aquilo que o país pretende ser a médio e longo prazo.</p>



<p>A consequência não é apenas política. É estratégica.</p>



<p>Portugal parece ter-se tornado um país progressivamente mais competente a gerir o presente e simultaneamente mais frágil a construir visão de futuro.</p>



<p>Esta tendência é visível em múltiplas áreas. Na habitação, reage-se à pressão dos preços, mas continua por consolidar uma estratégia estrutural de ordenamento, mobilidade e oferta urbana. Na ferrovia, o debate reaparece ciclicamente há décadas, sem continuidade suficiente para alterar verdadeiramente o posicionamento logístico do país. Na floresta, acumulam-se reformas parcelares sem estabilização de um modelo de gestão territorial duradouro. Na economia, sucedem-se programas, incentivos e agendas, mas permanece pouco clara a estratégia nacional para aumentar escala empresarial, sofisticação produtiva e capacidade de inovação.</p>



<p>O problema não resulta da ausência de discussão. Pelo contrário: poucos países discutem tanto o presente como Portugal. O que escasseia é continuidade estratégica.</p>



<p>As democracias contemporâneas vivem inevitavelmente pressionadas pela velocidade mediática, pelos ciclos eleitorais e pela necessidade de resposta imediata. Mas alguns países conseguem preservar uma dimensão de planeamento estrutural relativamente estável — independentemente da alternância política. Infraestruturas críticas, qualificação, ciência, energia ou política industrial são pensadas numa lógica de década, e não apenas de legislatura.</p>



<p>Portugal revela frequentemente dificuldade nessa estabilidade longa.</p>



<p>O país entra e sai de prioridades com rapidez excessiva. Grandes temas nacionais surgem muitas vezes associados ao calendário político, à pressão conjuntural do momento ou à disponibilidade de fundos europeus. A visão estratégica fragmenta-se em medidas dispersas, frequentemente corretas de forma isolada, mas sem densidade suficiente para produzir transformação estrutural sustentada.</p>



<p>Essa fragilidade tem consequências económicas e territoriais silenciosas.</p>



<p>Os territórios menos densos são normalmente aqueles que mais dependem de continuidade estratégica. Enquanto os grandes centros conseguem absorver melhor oscilações económicas, mudanças de prioridade política ou concentração de investimento, os territórios do Interior tornam-se particularmente vulneráveis à ausência de direção prolongada.</p>



<p>O problema raramente resulta da inexistência de investimento pontual. Portugal investiu no Interior ao longo das últimas décadas. Criaram-se infraestruturas, programas de apoio, incentivos à fixação e mecanismos de coesão territorial. Mas demasiadas vezes esse esforço aconteceu de forma descontínua, fragmentada e excessivamente dependente de ciclos políticos e financeiros.</p>



<p>O Interior português habituou-se a viver entre anúncios, agendas e recomeços.</p>



<p>Em muitas regiões, projetos estruturantes discutem-se durante anos sem calendário claro, empresas aguardam sucessivamente por decisões adiadas e infraestruturas atravessam legislaturas inteiras entre estudos, anúncios e reformulações. Estratégias territoriais alteram-se antes de produzirem efeitos consistentes e prioridades reorganizam-se ao ritmo dos fundos europeus, e não necessariamente ao ritmo das necessidades estruturais do território.</p>



<p>A consequência mais silenciosa desta instabilidade é a dificuldade em gerar confiança longa.</p>



<p>E sem essa confiança, os territórios têm dificuldade em acumular escala, atrair investimento continuado ou consolidar competências críticas. Empresas hesitam em expandir. Jovens hesitam em organizar o seu futuro a partir do território. Instituições adaptam-se a uma lógica defensiva de gestão corrente, em vez de consolidação estratégica.</p>



<p>Os territórios não crescem apenas com investimento. Crescem quando existe estabilidade suficiente para transformar expectativa em decisão de longo prazo.</p>



<p>É precisamente aqui que a questão do Interior deixa de ser apenas económica ou demográfica. Passa a ser uma questão de previsibilidade coletiva.</p>



<p>Os territórios desenvolvem-se quando existe previsibilidade suficiente para permitir acumulação — de capital, conhecimento, confiança institucional e ambição coletiva.</p>



<p>Quando essa continuidade falha repetidamente, instala-se uma cultura silenciosa de curto prazo. E um território que perde horizonte estratégico começa lentamente a ajustar também as suas expectativas.</p>



<p>Talvez seja precisamente aí que Portugal enfrenta hoje uma das suas fragilidades menos discutidas.</p>



<p>O país não sofre apenas de limitações económicas ou demográficas. Sofre também de uma crescente dificuldade em pensar-se a longo prazo.</p>



<p>Porque os territórios raramente entram em declínio de forma abrupta.</p>



<p>Entram quando deixam de conseguir acreditar suficientemente no futuro para o planear a longo prazo.</p><p>The post <a href="https://www.jornaldocentro.pt/portugal-tornou-se-curto-no-longo-prazo/">Portugal tornou-se curto no longo prazo</a> first appeared on <a href="https://www.jornaldocentro.pt">Jornal do Centro</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Cacharolete d’assuntos (#9)</title>
		<link>https://www.jornaldocentro.pt/cacharolete-dassuntos-9/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandra Rodrigues]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 May 2026 10:05:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Depois de duas crónicas de ciência política “pesada”, fiquemo-nos hoje por alguma “espuma dos dias” proveniente das minhas redes sociais: 1. Desde que começou a guerra do Irão, em 28 de Fevereiro, os preços dos combustíveis subiram como um foguetão oito vezes e desceram como uma pena duas, uma em Abril e outra agora em [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Depois de duas crónicas de ciência política “pesada”, fiquemo-nos hoje por alguma “espuma dos dias” proveniente das minhas redes sociais:</p>



<p>1. Desde que começou a guerra do Irão, em 28 de Fevereiro, os preços dos combustíveis subiram como um foguetão oito vezes e desceram como uma pena duas, uma em Abril e outra agora em Maio. Ora, sempre que se dá uma destas pequenas descidas da gasolina e do gasóleo, logo o governo de Montenegro abocanha parte em ISP. <br>Fica registado o abocanhamento. Para memória futura.</p>



<p>2. Quando li na imprensa que tinha sido lançada uma editora portuguesa, a Kiala, “onde só se publicam livros de pessoas negras”, lembrei-me logo dos dois dogmas centrais da Teoria Crítica da Raça, ensinada nas madraças universitárias do Ocidente e matraqueada até à náusea pelo “jornalismo” activista: (i) um branco, por definição, é sempre racista; (2) um não-branco, por definição, nunca é racista.&nbsp;<br>Como esta editora que escolhe os autores pela cor da pele é dirigida por não-brancos, à luz da doutrina da Igreja Universal do Reino Woke, ela não é racista. Quem não professa essa fé é capaz de não ser da mesma opinião. De qualquer forma, deseja-se à Kiala sucesso e longa vida.</p>



<p>3. Passaram quatro meses sobre a prisão de Nicolás Maduro e da sua substituição por Delcy Rodriguez, uma chavista que é um capacho de Trump. Este, como de costume, só se preocupa com o “<em>oil</em>”. A comunidade internacional tem que se começar a mexer. Repito aqui as perguntas a Delcy Rodriguez que já fiz nas redes sociais:<br>Cadê a aministia que prometeste há quatro meses?<br>Cadê a libertação dos prisioneiros políticos?<br>Cadê a liberdade e a democracia?<br>Cadê o momento em que entregas o poder a Edmundo González Urrutia, o presidente democraticamente eleito pelos venezuelanos?</p>



<p>4. Não perco tempo com as voltas e as revoltas de Donald Trump, isso só serve para encher chouriços nos media e nas redes sociais. Chega-me saber que Trump é errático em tudo menos:&nbsp;<br>— no “ó-Abreu-dá-cá-o-meu” (o seu património familiar alarga em todas as frentes);<br>— no&nbsp;<em>oil</em>&nbsp;(as petrolíferas incham de lucros como nunca);<br>— na ajuda à Rússia (Trump é sempre servil a Putin);<br>— no serviço aos gigamilionários de Silicon Valley (esta é uma novidade do segundo mandato trumpista).</p>



<p>5. No mês em que temos de pagar o IMI, um nota de actualidade e outra da história dos primeiros Olhos de Gato:<br>— em Oeiras, o IMI acaba de passar da taxa mínima (0,30%) para a taxa máxima (0,45%); a minha solidariedade com os oeirenses, especialmente aqueles que não usufruem da generosidade izaltina em matéria de almoços; almoços que, como se sabe, nunca são grátis;<br>— nos primeiros anos desta coluna, eu estive a líder da oposição na câmara de Viseu, enquanto o dr. Ruas praticava com orgulho as taxas máximas dos impostos municipais, dizia ele “imposto máximo para obra máxima”; ora, como não podia deixar de ser, enquanto defensor de um governo municipal pequeno e moderado nos impostos, fartei-me de malhar naquele suganço ao bolso dos munícipes; tanto lhe bati na câmara, e aqui no Olho de Gato, que o dr. Ruas, em 2004, lá acabou por baixar o IMI dos viseenses; obtida essa vitória, anunciei que não ia mais a votos. E não fui.</p><p>The post <a href="https://www.jornaldocentro.pt/cacharolete-dassuntos-9/">Cacharolete d’assuntos (#9)</a> first appeared on <a href="https://www.jornaldocentro.pt">Jornal do Centro</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Parentalidade em mudança</title>
		<link>https://www.jornaldocentro.pt/parentalidade-em-mudanca/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandra Rodrigues]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 May 2026 10:52:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No próximo dia 15 de maio assinalamos o Dia Internacional da Família, uma data que nos leva a pensar nos laços que criamos, nas crianças que educamos e na forma como, em cada lar se enfrentam os desafios diários. Num tempo de mudanças sociais, económicas e relacionais, falar de família é reconhecer o peso crescente [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>No próximo dia 15 de maio assinalamos o Dia Internacional da Família, uma data que nos leva a pensar nos laços que criamos, nas crianças que educamos e na forma como, em cada lar se enfrentam os desafios diários. Num tempo de mudanças sociais, económicas e relacionais, falar de família é reconhecer o peso crescente do papel parental na sociedade atual.</p>



<p>Em 2024 nasceram em Portugal 84.642 crianças e o índice sintético de fecundidade manteve-se nos 1,44 filhos por mulher, abaixo da renovação geracional. A idade média das mães ao nascimento do primeiro filho aproxima-se dos 30 anos, sinal de projetos parentais adiados. Os Censos de 2021 mostram ainda que as famílias monoparentais e reconstituídas representam 27,3% dos núcleos familiares e que quase uma em cada quatro famílias é composta por uma só pessoa. O estereótipo de&nbsp;<em>“família portuguesa”</em>&nbsp;mudou, e continua a mudar.</p>



<p>Estas mudanças sociais e demográficas representam novos modos de viver, cuidar e educar. Nas últimas décadas, os direitos das crianças ganharam reconhecimento, os deveres dos pais tornaram-se mais visíveis e a parentalidade deixou de ser um assunto encerrado no espaço privado da família. Ser pai ou mãe implica hoje proteger, acompanhar, ouvir, orientar e decidir perante uma sociedade mais exigente e competitiva. A família continua a ser o primeiro lugar de segurança e afeto, mas também um espaço onde se acumulam responsabilidades complexas.</p>



<p>Muitas mães e pais vivem esta responsabilidade sob forte pressão tornando a parentalidade mais pesada, principalmente devido à instabilidade económica, ao aumento do custo de vida, às dificuldades com a habitação, aos horários laborais prolongados e à conciliação entre trabalho, escola, saúde e vida familiar. A tudo isto, somam-se dúvidas sobre a educação das crianças, os ecrãs, o sono, a alimentação, o brincar, os limites e o desenvolvimento saudável. Há muita informação disponível, mas nem sempre é fácil distinguir o que é fidedigno do que apenas potencia a culpa e a ansiedade.</p>



<p>É neste contexto que a literacia em saúde parental se torna essencial, sabendo procurar, compreender e usar informação segura para decisões que protejam a criança e apoiem a família. Quando os pais reconhecem sinais de alerta do desenvolvimento infantil, compreendem a importância das rotinas, do afeto, da alimentação, do sono e da brincadeira, e sabem que recursos utilizar, tornando-se mais preparados e resilientes. A evidência mostra que pais mais informados tendem a criar ambientes seguros e promotores de saúde.</p>



<p>O Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil em vigor, valoriza esta dimensão nos cuidados antecipatórios, em que os profissionais de saúde, em particular os enfermeiros ajudam as famílias a compreender cada etapa do desenvolvimento infantil. Este acompanhamento reforça competências, esclarece dúvidas e reconhece que educar e cuidar exigem apoio, tempo e confiança. Estar junto às famílias é proteger as crianças e adolescentes.</p>



<p>Hoje é amplamente consensual que ninguém cuida bem sozinho. A parentalidade é uma responsabilidade pessoal, mas também social. A avó que ajuda, a educadora que observa, o professor que orienta, o médico que acompanha, o enfermeiro que cuida, a autarquia que cria respostas e a comunidade que acolhe, fazem parte de uma rede indispensável. Quando essa rede falha, cresce o isolamento, mas quando esta funciona, melhora o bem-estar infantil, familiar e social.</p>



<p>Neste Dia Internacional da Família, importa reconhecer que apoiar os pais é investir nas crianças e no futuro coletivo. As famílias não precisam de julgamento, mas de condições reais para cumprir direitos e deveres, tempo para cuidar, informação esclarecedora, serviços acessíveis, estabilidade económica e comunidades presentes. A literacia em saúde não deve ser privilégio de quem tem mais escolaridade ou recursos, deve ser um direito de todos. Uma criança que cresce num ambiente afetivo, informado e apoiado tem mais saúde, resiliência e futuro.</p>



<p>Cuidar bem dos mais novos é uma das formas mais concretas de cuidarmos do nosso Mundo.</p>



<p></p>



<p><em><strong>Luís Condeço, Professor da Escola Superior de Saúde de Viseu em colaboração com a UCC Viseense<br></strong></em><br></p><p>The post <a href="https://www.jornaldocentro.pt/parentalidade-em-mudanca/">Parentalidade em mudança</a> first appeared on <a href="https://www.jornaldocentro.pt">Jornal do Centro</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Saúde oral no SNS: entre a preocupação local e a recusa de reforçar a resposta pública</title>
		<link>https://www.jornaldocentro.pt/saude-oral-no-sns-entre-a-preocupacao-local-e-a-recusa-de-reforcar-a-resposta-publica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandra Rodrigues]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 May 2026 10:30:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando, no distrito, se lamenta a falta de médico dentista, mas em Lisboa se recusa acompanhar soluções concretas para reforçar a resposta pública, a contradição fica à vista. A saúde oral continua a ser uma das áreas onde mais se sente a desigualdade no acesso aos cuidados de saúde. Para milhares de pessoas, ir ao [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Quando, no distrito, se lamenta a falta de médico dentista, mas em Lisboa se recusa acompanhar soluções concretas para reforçar a resposta pública, a contradição fica à vista.</p>



<p>A saúde oral continua a ser uma das áreas onde mais se sente a desigualdade no acesso aos cuidados de saúde. Para milhares de pessoas, ir ao dentista não é uma rotina de prevenção: é uma despesa adiada, muitas vezes até à dor, à urgência ou à perda de qualidade de vida. Não se trata de um luxo, nem de uma questão secundária. A saúde oral é parte integrante da saúde geral e tem impacto directo na alimentação, na fala, na auto-estima, na prevenção de doenças e na dignidade de cada pessoa.</p>



<p>Foi precisamente por reconhecer esta realidade que o PCP apresentou na Assembleia da República o Projecto de Resolução n.º 778/XVII/1.ª, propondo a criação da carreira especial de médico dentista no SNS, a integração dos profissionais que já exercem funções permanentes, a contratação de médicos dentistas e outros profissionais de saúde, bem como a abertura dos gabinetes de medicina dentária que, estando instalados e equipados, permanecem fechados por falta de profissionais.</p>



<p>Esta proposta respondia de forma concreta a um problema concreto. Não se limitava a constatar dificuldades, nem a lamentar falhas. Apontava um caminho: garantir profissionais, criar carreira, assegurar estabilidade, abrir gabinetes e reforçar a resposta pública em saúde oral nos cuidados de saúde primários.</p>



<p>Ora, é aqui que a contradição do Partido Socialista se torna evidente.</p>



<p>Os deputados do PS eleitos pelo círculo de Viseu, Armando Mourisco e Elza Pais, questionaram a ministra da Saúde sobre o encerramento do Gabinete de Saúde Oral do Centro de Saúde de Resende, manifestando preocupação com a ausência de médica dentista e com a interrupção de um serviço que assegurava cerca de 40 atendimentos semanais, aproximadamente 2.000 consultas por ano. Reconheceram, e bem, que este gabinete era essencial para populações vulneráveis e com menores recursos económicos, que dificilmente conseguem recorrer ao sector privado.</p>



<p>Mas, poucos dias depois, quando esteve em votação na Assembleia da República uma proposta do PCP que procurava precisamente resolver o problema estrutural que está na origem deste encerramento — a falta de carreira, de contratação e de profissionais vinculados ao SNS — o PS absteve-se.</p>



<p>As forças políticas que acompanharam o PS na abstenção — IL e CH — têm objetivos bem definidos no sentido de abrir o SNS à privatização e à transferência de respostas para o sector privado. No caso da IL, essa opção é assumida de forma clara. Já o CH vai ajustando o discurso conforme aquilo que mais lhe convém em cada momento, procurando alimentar o seu populismo e captar diferentes descontentamentos, mas no essencial da sua posição nada muda: a desvalorização do Serviço Nacional de Saúde enquanto resposta pública universal.</p>



<p>Esta é a contradição central: em Viseu, o PS mostra preocupação; em Lisboa, quando é preciso transformar essa preocupação em decisão política, recua. Localmente, denuncia a falta de resposta pública; nacionalmente, não acompanha uma proposta que permitiria reforçar essa mesma resposta pública. Nos territórios, lamenta a ausência de médicos dentistas; no Parlamento, não vota favoravelmente uma iniciativa destinada a garantir a sua contratação e integração no SNS.</p>



<p>E se a abstenção do PS revela uma contradição entre o discurso local e a prática nacional, o voto contra de PSD e CDS-PP é ainda mais claro: quem votou contra esta proposta não tem preocupação nenhuma com a criação de uma verdadeira resposta pública de saúde oral no SNS. Quem votou contra não pode, depois, apresentar-se como defensor do acesso universal aos cuidados de saúde oral. Votar contra a criação da carreira, contra a contratação de profissionais e contra a abertura de gabinetes já equipados é votar contra uma solução concreta para milhares de utentes que continuam sem resposta.</p>



<p>Não basta fazer perguntas ao Governo quando um gabinete encerra. Não basta lamentar que uma médica dentista não tenha sido substituída. Não basta afirmar preocupação com as populações vulneráveis. A questão decisiva é saber que medidas se apoiam quando há oportunidade concreta de resolver o problema.</p>



<p>E nessa oportunidade, o PS falhou. Os que votaram contra foram ainda mais longe: recusaram uma resposta pública estruturada para a saúde oral.</p>



<p>O caso de Resende mostra bem os limites de uma política feita de preocupação sem consequência. Se o encerramento daquele gabinete é um problema — e é — então deveria ser igualmente evidente que são necessárias medidas estruturais para evitar que o mesmo aconteça noutros concelhos. A proposta do PCP ia precisamente nesse sentido: criar condições para que a saúde oral deixe de depender de soluções provisórias, contratos precários ou respostas intermitentes.</p>



<p>A saúde oral não pode continuar a ser tratada como parente pobre do SNS. O modelo assente quase exclusivamente no cheque-dentista não garante uma resposta pública universal, permanente e de proximidade. Pode aliviar algumas situações, mas não substitui a existência de serviços públicos com profissionais próprios, carreira definida e capacidade instalada nos centros de saúde.</p>



<p>Quem tem dinheiro recorre ao privado. Quem não tem, espera, adia ou fica sem cuidados. É esta desigualdade que uma política séria de saúde oral no SNS teria de enfrentar. E é por isso que a criação da carreira especial de médico dentista no SNS é uma medida justa, necessária e urgente.</p>



<p>A abstenção do PS na proposta do PCP revela uma escolha política. Entre transformar a preocupação local em compromisso nacional ou ficar a meio caminho, o PS escolheu a abstenção. Entre denunciar a falta de resposta num centro de saúde do distrito e apoiar uma medida que permitiria reforçar a resposta pública em saúde oral, o PS preferiu não se comprometer.</p>



<p>Esta contradição deve ser denunciada. Porque os problemas das populações não se resolvem com perguntas parlamentares avulsas, nem com declarações de preocupação. Resolvem-se com decisões, com investimento, com profissionais e com reforço do Serviço Nacional de Saúde.</p>



<p>O caso de Resende demonstra que o problema existe. A proposta do PCP mostrava que há soluções. A votação no Parlamento mostrou quem esteve disponível para as concretizar, quem ficou pelo meio caminho da abstenção e quem, votando contra, demonstrou não ter qualquer preocupação real com as populações e com a saúde oral no SNS.</p><p>The post <a href="https://www.jornaldocentro.pt/saude-oral-no-sns-entre-a-preocupacao-local-e-a-recusa-de-reforcar-a-resposta-publica/">Saúde oral no SNS: entre a preocupação local e a recusa de reforçar a resposta pública</a> first appeared on <a href="https://www.jornaldocentro.pt">Jornal do Centro</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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