White SUV follows a construction zone on a curved road, with a bulldozer on the right and hillside houses in the background.
Coach in a blue jacket holds a teammate, raising a finger to his lips as a signal to be quiet during a night practice or game show of focus.
Four men in business suits posing side by side in front of a "Mobilidade e Transportes" banner at a formal event.
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Parentalidade em mudança

 Os Estados Sociais (# 1)
08.05.26
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Close-up portrait of a smiling man with short hair and light stubble, wearing a white button-up shirt, indoors by a window with greenery behind. Parentalidade em mudança

por
Luís Condeço

No próximo dia 15 de maio assinalamos o Dia Internacional da Família, uma data que nos leva a pensar nos laços que criamos, nas crianças que educamos e na forma como, em cada lar se enfrentam os desafios diários. Num tempo de mudanças sociais, económicas e relacionais, falar de família é reconhecer o peso crescente do papel parental na sociedade atual.

Em 2024 nasceram em Portugal 84.642 crianças e o índice sintético de fecundidade manteve-se nos 1,44 filhos por mulher, abaixo da renovação geracional. A idade média das mães ao nascimento do primeiro filho aproxima-se dos 30 anos, sinal de projetos parentais adiados. Os Censos de 2021 mostram ainda que as famílias monoparentais e reconstituídas representam 27,3% dos núcleos familiares e que quase uma em cada quatro famílias é composta por uma só pessoa. O estereótipo de “família portuguesa” mudou, e continua a mudar.

Estas mudanças sociais e demográficas representam novos modos de viver, cuidar e educar. Nas últimas décadas, os direitos das crianças ganharam reconhecimento, os deveres dos pais tornaram-se mais visíveis e a parentalidade deixou de ser um assunto encerrado no espaço privado da família. Ser pai ou mãe implica hoje proteger, acompanhar, ouvir, orientar e decidir perante uma sociedade mais exigente e competitiva. A família continua a ser o primeiro lugar de segurança e afeto, mas também um espaço onde se acumulam responsabilidades complexas.

Muitas mães e pais vivem esta responsabilidade sob forte pressão tornando a parentalidade mais pesada, principalmente devido à instabilidade económica, ao aumento do custo de vida, às dificuldades com a habitação, aos horários laborais prolongados e à conciliação entre trabalho, escola, saúde e vida familiar. A tudo isto, somam-se dúvidas sobre a educação das crianças, os ecrãs, o sono, a alimentação, o brincar, os limites e o desenvolvimento saudável. Há muita informação disponível, mas nem sempre é fácil distinguir o que é fidedigno do que apenas potencia a culpa e a ansiedade.

É neste contexto que a literacia em saúde parental se torna essencial, sabendo procurar, compreender e usar informação segura para decisões que protejam a criança e apoiem a família. Quando os pais reconhecem sinais de alerta do desenvolvimento infantil, compreendem a importância das rotinas, do afeto, da alimentação, do sono e da brincadeira, e sabem que recursos utilizar, tornando-se mais preparados e resilientes. A evidência mostra que pais mais informados tendem a criar ambientes seguros e promotores de saúde.

O Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil em vigor, valoriza esta dimensão nos cuidados antecipatórios, em que os profissionais de saúde, em particular os enfermeiros ajudam as famílias a compreender cada etapa do desenvolvimento infantil. Este acompanhamento reforça competências, esclarece dúvidas e reconhece que educar e cuidar exigem apoio, tempo e confiança. Estar junto às famílias é proteger as crianças e adolescentes.

Hoje é amplamente consensual que ninguém cuida bem sozinho. A parentalidade é uma responsabilidade pessoal, mas também social. A avó que ajuda, a educadora que observa, o professor que orienta, o médico que acompanha, o enfermeiro que cuida, a autarquia que cria respostas e a comunidade que acolhe, fazem parte de uma rede indispensável. Quando essa rede falha, cresce o isolamento, mas quando esta funciona, melhora o bem-estar infantil, familiar e social.

Neste Dia Internacional da Família, importa reconhecer que apoiar os pais é investir nas crianças e no futuro coletivo. As famílias não precisam de julgamento, mas de condições reais para cumprir direitos e deveres, tempo para cuidar, informação esclarecedora, serviços acessíveis, estabilidade económica e comunidades presentes. A literacia em saúde não deve ser privilégio de quem tem mais escolaridade ou recursos, deve ser um direito de todos. Uma criança que cresce num ambiente afetivo, informado e apoiado tem mais saúde, resiliência e futuro.

Cuidar bem dos mais novos é uma das formas mais concretas de cuidarmos do nosso Mundo.

Luís Condeço, Professor da Escola Superior de Saúde de Viseu em colaboração com a UCC Viseense

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