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Coach in a blue jacket holds a teammate, raising a finger to his lips as a signal to be quiet during a night practice or game show of focus.
Four men in business suits posing side by side in front of a "Mobilidade e Transportes" banner at a formal event.
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Os Estados Sociais (# 1)

 A importância de Investir nos Jovens Autarcas
20.06.26
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 Os Estados Sociais (# 1)

por
Joaquim Alexandre Rodrigues

A Europa democrática do pós-guerra, que nos deu oitenta anos de paz, é fruto da convergência entre sociais-democratas e democrata-cristãos que nos deu o Estado Social, a que se juntaram, mais tarde, os liberais e verdes com os seus focos políticos. É graças a estas quatro forças políticas que vivemos num continente onde se respeita a liberdade, a propriedade privada e o secularismo, ao mesmo tempo que se promovem políticas sociais e igualdade. 
É justo sublinhar que o principal arquitecto do moderno Welfare State foi Clement Attlee, o muito esquecido e sub-avaliado primeiro-ministro trabalhista do Reino Unido, entre 1945 e 1951. Foi ele que criou o SNS, a Segurança Social Universal, habitação e educação públicas. O exemplo de Attlee atravessou o Canal da Mancha e encontrou terreno fértil numa Europa onde sociais-democratas e democratas-cristãos procuravam, por vias diferentes, responder às ruínas económicas e morais da guerra.
Ora, e não é a primeira vez que o lembro aqui, o Estado Social —  que é como quem diz, a mais sofisticada máquina institucional de felicidade alguma vez construída — para funcionar precisa que os cidadãos aceitem pagar impostos altos, e isso é mais fácil, como explicou o historiador Tony Judt, “em países pequenos e homogéneos” porque a “disponibilidade para pagar serviços e benefícios para terceiros assenta no entendimento em que eles farão o mesmo por nós e pelos nossos filhos – porque são como nós e vêem o mundo como nós.”
Então como é que países grandes, como a França, a Austrália, a Alemanha ou o Canadá, a seguir à devastação da segunda guerra mundial, aceitaram este pacto inter-geracional? Em “Pensar o Século XX”, Tony Judt, em diálogo com Timothy Snyder, explicou que este avanço social só aconteceu porque (i) havia uma memória em carne viva dos efeitos da Grande Depressão de 1929 e do fascismo, (ii) havia o medo do comunismo e (iii) houve trinta anos gloriosos de crescimento económico. 
Foram estas três condições — memória da catástrofe, medo do comunismo e crescimento económico — que produziram o milagre europeu encetado por Attlee. 
O problema é que quase nenhuma delas sobreviveu intacta: a memória da guerra transformou-se em museu; o comunismo deixou de funcionar como horizonte alternativo ou ameaça; e o crescimento económico abrandou, precisamente quando os Estados Sociais passaram a enfrentar envelhecimento demográfico, migrações intensas e economias menos protegidas. 
Ainda por cima, as nossas sociedades tornaram-se mais diversas e as pessoas mais me-myself-I. Ora, como redistribuir riqueza com a percepção de pertença comum a vacilar? Como manter solidariedade política sem homogeneidade cultural? Se o Estado Social foi o grande compromisso político do pós-guerra, porque é que os partidos que mais contribuíram para a sua construção — os vários ‘PS’ dessa Europa fora — são hoje os que parecem ter mais dificuldade em defendê-lo?
A resposta ficará para a semana.

 A importância de Investir nos Jovens Autarcas

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