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O Vodafone Rally Portugal está prestes a arrancar. A prova tão esperada em 2020, que foi adiada devido à pandemia provocada pela Covid-19, regressa agora em 2021, este mês, de 21 a 23 de maio.
A “fome” de voltar a ouvir o barulho dos motores no distrito de Viseu é muita por parte dos amantes do automobilismo, até porque já lá vão 20 anos desde a última vez que o Rali Portugal passou por Mortágua.
O Jornal do Centro conversou com um amante “da velha guarda” do desporto automóvel, Júlio Norte, atual presidente da Câmara Municipal de Mortágua, que a par das suas funções políticas tem uma grande paixão pelo automobilismo.
“Tudo o que tem a ver com desporto automóvel em Mortágua, nos últimos 30 anos, passou-me pelas mãos”, assume o presidente.
“Tirei a carta no dia 2 de maio de 1974 e daí para cá, já era um amante de ralis. Nos meus tempos de estudante em Viseu tentava, juntamente com os meus amigos, ir à boleia assistir às classificativas em Viseu. Foi aí que começou o bichinho pelos automóveis. Mais tarde, fui para Coimbra estudar e, porque ali havia o célebre troço do Caramulo do Rali de Portugal, eu não perdia a oportunidade, pegava no meu jipe e metia-me no meio dos troços para poder disfrutar da minha paixão”.
E as histórias continuam. “A passagem por Coimbra implica Arganil, então passávamos umas noitadas ali para ver o rali. Íamos ao final da tarde, deixávamos o carro num sítio qualquer e, como não havia GPS, íamos a pé e lá ficávamos até de madrugada. Quando queríamos encontrar o carro, já não sabíamos onde estava, porque perdíamos a noção do tempo e do espaço”, conta.
A paixão da juventude manteve-se na idade adulta. Júlio Norte lembra os companheiros. “Mais tarde, quando casei vim para Mortágua. O comandante dos bombeiros, na época, também tinha a mesma paixão que eu. Na altura, éramos os ‘aceleras’ cá da zona e, já nessa altura, matávamos o vício (da velocidade). Aprendemos a guiar, nomeadamente eu, que ia de Mortágua para a minha aldeia, em terra batida, principalmente porque tinha um carro de tração atrás, que dava um gozo extraordinário”, relembra.
Sobre os seus grandes ídolos do desporto automóvel, Júlio Norte menciona Carlos Sainz, como um “dos pilotos mais brilhantes, tal como o Tommi Mäkinen”, atletas que teve a possibilidade de receber, mais tarde, em Mortágua. Sublinha ainda que “Michèle Mouton, na altura foi um fenómeno, porque uma mulher que aparece a guiar, ainda por cima um Audi de tração às quatro rodas, era uma coisa do outro mundo”.
Com a chegada à autarquia, Júlio Norte conta que começou “com os ralis, na altura o Clube Automóvel do Centro”.
“A própria Toyota vinha para aqui (Mortágua) fazer ensaios todo-o-terreno e na altura os dois netos do Salvador Caetano, que eram dois fãs dos ralis, Miguel e João Ramos, também vinham para aqui. Foram os grandes impulsionadores, nomeadamente, deste ralis de todo-o-terreno. Dada a categoria dos nossos troços, chega o Rali de Portugal, há uns anos, em que tínhamos os melhores pilotos do mundo aqui a passarem pelo nosso concelho. Tive o privilégio de estar com todos eles, partilhar algumas experiências, em especial nos treinos. Dava um gozo extraordinário, mas, às vezes, era preciso quase usar fraldas… fazer alguns troços com eles eram verdadeiros suicídios”, conta com entusiasmo.
Atualmente, Júlio Norte confessa que “ainda tem muito prazer em guiar”. “Embora, hoje, os carros não tenham nada ver. Tenho um jipe 4×4 em que a eletróncia não me deixa ter o prazer que eu tinha antigamente com o meu Datsun 1200”, conclui.
A boa novidade para os amantes dos automóveis, é que, apesar da pandemia da Covid-19, o Vodafone Rally de Portugal vai poder realizar-se com a presença de público.
Esta prova pontua em termos internacionais para o Campeonato do Mundo de Ralis com os carros Rally1 (ex-WRC), para o campeonato WRC2 com os carros Rally2 (ex-R5) e ainda para o regressado FIA Junior WRC em Rally4 (ex-R2). Conta também para o Campeonato de Portugal de Ralis e para a Peugeot Rally Cup Ibérica, com o Peugeot 208 Rally 4.
Vai ter 21 especiais cronometradas, incluindo uma super especial na Foz do Douro, no Porto. Os pilotos enfrentam um total de 346,26 quilómetros cronometrados, divididos por 21 especiais a percorrer ao longo de três dias de prova.
Com a base operacional na Exponor, em Matosinhos, o Automóvel Club de Portugal voltou a escolher Coimbra como local de início da prova, com a tradicional cerimónia de partida.
Na sexta-feira, 21 maio, os concorrentes seguem para uma dupla passagem nos troços de Lousã, Góis e Arganil. Mortágua encerra a passagem do rali no Centro. O final do dia acontece já no Norte com a única Super Especial do rali, no Eurocircuito de Lousada.
No sábado, o Vodafone Rally de Portugal deve percorrer os troços de Vieira do Minho, Cabeceiras de Basto e Amarante, este ano com um novo local de início e menos 7 km, mas continua a ser a classificativa mais longa e certamente uma das mais exigentes do rali.
O dia deve terminar com o regresso da Porto Street Stage, uma dupla classificativa urbana que este ano muda de local, se houver, claro, pois a esta distância está tudo perfeitamente indefinido tendo em conta a pandemia que vivemos.
No último dia, domingo (23 maio), o Vodafone Rally de Portugal conta com seis troços, sendo novidade a introdução do troço de Felgueiras, com uma dupla passagem da caravana do mundial de ralis, a par dos troços de Montim e Fafe. A segunda passagem por Fafe volta a ser disputada em formato Power-Stage. A consagração volta a ser na Marginal de Matosinhos.