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A probabilidade de um doente morrer por Covid-19 baixou em Portugal de 4%, nos primeiros dois meses da pandemia, para 0,5%, revelou esta terça-feira (27 de abril) o epidemiologista Henrique Barros.
O especialista em saúde pública e epidemiologista do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto revelou estes dados na reunião de peritos que decorreu no Infarmed, em Lisboa, sobre a situação epidemiológica do país.
Henrique Barros, que falou sobre a vacinação, as variantes genéticas do vírus e a mortalidade, adiantou que a redução da probabilidade de morrer por Covid-19 se explica com a testagem, que é agora muito maior, “quando no início apenas se identificavam os casos mais graves”, mas também com os efeitos da aprendizagem na capacidade de resposta à doença.
Contudo, há outros fatores que ainda não se conseguem controlar e, por isso, a letalidade subiu em janeiro e fevereiro, disse.
Tomando como ponto o mês de abril, adiantou ainda que a probabilidade de a infeção ter um desfecho fatal, nas condições atuais, é cerca de cinco vezes mais baixo do que no inicio da pandemia e globalmente metade do risco do que foi ao longo do ano.
O especialista apresentou dados referentes a uma amostra de 200.000 voluntários, sublinhando que das respostas obtidas se conclui que 90% das pessoas querem ser vacinadas e que a percentagem maior se centra na faixa etária dos mais velhos (mais de 79 anos) e a mais baixa no intervalo dos 40-49 anos de idade.
Disse ainda que as pessoas com mais rendimentos e maior educação formal “tendem a ser as que mais pretendem ser vacinadas” e que as que têm menores rendimentos parecem menos interessadas no processo de vacinação.
“É preciso ganhar estas pessoas para a vacinação e contrariar a relutância em relação à vacina”, afirmou.
Henrique Barros sublinhou o “extraordinário ganho em sobrevida” que a vacina trouxe, sobretudo nos mais velhos e mais frágeis em termos de saúde.
Ainda sobre a probabilidade de morrer com a infeção, disse que é maior nos homens e que tem uma “variabilidade regional”.
Como exemplo, disse que quem se infeta na região da Madeira tem risco menor de letalidade: “Era importante estudar o porquê de tudo isto”.
Disse ainda que o risco de morrer está igualmente associado às diferentes variantes do vírus, que ser infetado com a variante que teve origem no Reino Unido aumenta risco de morrer com Covid-19, tal como com a variante sul africana.
Sobre a variante brasileira associada a Manaus, disse que ainda não foi associada a casos de morte em Portugal.
A este respeito, o epidemiologista sublinhou “a necessidade de vigilância epidemiológica muito organizada e muito capaz” de cruzar as pessoas que se infetam, as características do agente (vírus) e contexto em que ocorre a infeção.
Mesmo com as variantes mais letais e potencialmente mais transmissíveis, como a presença massiva da variante do Reino Unido, “é possível com medidas de proteção e vacinação garantir que, em setembro, se tudo correr normalmente, esperamos não ter casos [de morte]”.
Ministra da Saúde admite condicionamentos no plano de vacinação
Entretanto, a ministra da Saúde, Marta Temido, reconheceu que as entregas das farmacêuticas e os limites de idade para administração em duas das quatro vacinas disponíveis (AstraZeneca e Janssen) “podem condicionar o plano de vacinação contra a Covid-19.
“Há dois temas que condicionam o plano: as entregas – em que temos tido contratempos e algumas situações complexas que deram origem a medidas mais musculadas da Comissão Europeia, e a situação de algumas vacinas que, no seguimento da vigilância farmacológica, foram consideradas possivelmente associadas a fenómenos adversos extremamente raros”, explicou a governante.
Em declarações prestadas após a reunião no Infarmed, que juntou especialistas, membros do Governo e o Presidente da República para a análise da situação epidemiológica do país, Marta Temido reiterou o “respeito escrupuloso pela decisão técnica”, sem deixar de lembrar que “essas duas circunstâncias podem condicionar o plano de vacinação”.
Durante a sua apresentação, o coordenador da ‘task-force’ responsável pelo processo de vacinação, o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo, revelou que as condicionantes relacionadas com idade poderão limitar a administração de meio milhão de vacinas neste segundo trimestre e cerca de 2,7 milhões no terceiro trimestre, atrasando dessa forma o cumprimento da meta dos 70% de proteção da população para o final do verão.
Na reunião, Gouveia e Melo anunciou que no fim desta semana mais de 22% da população estará vacinada com uma primeira dose, considerando que “confere também uma proteção bastante acentuada”.
Portugal tem disponível 9,2 milhões de vacina e em todo o país já foram vacinadas três milhões de pessoas, o que, considerou, “é uma boa marca”.
Dados referentes ao dia 25 de abril, mostram que a vacinação está “a progredir fortemente na faixa etária dos 70 aos 79 anos”, podendo atingir os 100% no fim desta semana.
A faixa etária dos 80 anos está totalmente vacinada desde 11 de abril, com pequenas exceções, disse, explicando que nunca se atinge os 100% porque há pessoas que não vão ser vacinadas por terem recuperado da infeção.
“No dia 23 de maio, o que é expectável é termos todo o grupo dos 60 anos para cima coberto”, o que significa que em termos estatísticos está a cobrir-se uma faixa etária da população que contribuiu com 96,04% dos óbitos por Covid-19.
Portanto, realçou, “esta é uma marca muito importante que atingiremos em princípio nesta semana de 23 de maio, já com uma percentagem também significativa da faixa etária de baixo a ser inoculada, o que também é muito positivo”.
“No dia 02 de maio, atingiremos os 70 anos, no dia 23 de maio os 60 anos mais e por aí adiante até ao início de agosto”, disse o coordenador, salientando que, entre agosto e setembro, 70% da população estará vacinada, o que equivale a ter o grupo de mais de 30 anos “praticamente todo vacinado”.
Contudo, a ministra da Saúde preferiu realçar o cumprimento de objetivos mais imediatos, nomeadamente a vacinação de todas as pessoas com “mais de 60 anos na terceira semana”, e o “contrapeso” proporcionado pela entrega antecipada de vacinas anteriormente contratadas à Pfizer/BioNTech anunciado recentemente pela Comissão Europeia.
Marta Temido assinalou que “se mantém uma situação em que o país está a controlar a pandemia”, apesar de ter reiterado a necessidade de “continuar a compensar o aumento dos contactos e da transmissibilidade, porventura também pelas novas variantes, mantendo as regras básicas” de vigilância epidemiológica.
A evolução da Covid-19 no país foi também enaltecida ao nível da letalidade da doença, com a ministra a notar “uma letalidade que é metade da que foi registada o ano passado e um quinto da que era registada há um ano”.