Septoplastia: intervir para acabar com a obstrução nasal
A obstrução nasal crónica é uma queixa muito frequente na consulta de Otorrinolaringologia. Para compreender as razões que estão na sua origem, é preciso conhecer a estrutura do nariz. O septo nasal, constituído por cartilagem e osso, divide a cavidade nasal em duas fossas nasais. Lateralmente, temos três cornetos nasais de cada lado: inferior, médio e superior. Essas três estruturas variam de volume ao longo do dia, regulando a temperatura, a humidade e o fluxo do ar.
Perante a queixa de obstrução, o otorrinolaringologista observa as fossas nasais através da rinoscopia, com uma luz direta ou através do microscópio. Esta observação pode ser complementada com um endoscópio nasal ou com uma tomografia computorizada, para uma melhor avaliação de doenças inflamatórias, como a rinossinusite.
Quando o doente apresenta um desvio significativo do septo e uma obstrução nasal com impacto na sua qualidade de vida, justifica-se a correção cirúrgica. Esta intervenção, denominada septoplastia, é complementada, na maioria das vezes, com a turbinoplastia inferior – o objetivo é diminuir o volume dos cornetos inferiores e, assim, aumentar o espaço respiratório. Quando existe doença inflamatória dos seios perinasais (sinusite), esta também é abordada através da cirurgia endoscópica nasosinusal.
A cirurgia é realizada quase sempre sob anestesia geral e costuma ter uma duração aproximada de 40 a 90 minutos. Através de uma pequena incisão dentro da narina, que não deixa cicatrizes externas visíveis, a cartilagem e o osso do septo nasal ficam expostos. O excesso de osso ou cartilagem é então removido, reposicionado e endireitado, para permitir um fluxo adequado de ar pelas duas fossas nasais. Após a correção, a incisão é fechada com pontos reabsorvíveis.
O pós-operatório é indolor, não modifica a forma do nariz e não provoca hematomas na face. Dependendo da técnica cirúrgica utilizada, pode ser colocado tamponamento nasal, que geralmente é removido ao final de um dia, ou pequenas talas ou tubos de silicone que dão suporte ao septo nasal, permitindo a respiração. A recuperação é relativamente rápida, sendo possível o regresso às atividades habituais, passadas 72h. No entanto, durante uma semana, devem ser evitados esforços físicos, fontes de calor e dieta pesada e quente. Nesse período, é aconselhável dormir com a cabeceira ligeiramente elevada e realizar lavagens nasais frequentes.
Importa sublinhar que a melhoria da respiração nasal não ocorre de forma imediata, pois os tecidos sofrem algum edema (inchaço)devido à manipulação. Geralmente, essa melhoria acontece progressivamente até 10 dias após a intervenção. Nessa altura, a formação de secreções espessas e crostas nasais diminuiu bastante e o edema desaparece.
Após a cirurgia, os doentes sentem um verdadeiro impacto na sua qualidade respiratória e, consequentemente, uma melhoria na qualidade de vida.
Miguel Silva, otorrinolaringologista no Hospital CUF Viseu