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Teatro de sombras e projeção de vídeos propõem uma reflexão sobre a feminilidade durante o espetáculo “Quimera”, da companhia Caótica, que se estreia no final de outubro no Teatro Viriato, em Viseu.
Até dezembro, o Teatro Viriato contará com 25 atividades, incluindo sete coproduções de criações nacionais, entre as quais “Quimera”, cinco produções próprias e sete residências artísticas.
“Coproduzir é construir uma relação de confiança com os artistas e partilhar o risco de uma obra que ainda está a nascer. Há um tempo de procura, de experimentação, que precisa sempre de espaço. É também para isso que esta casa existe”, afirmou hoje o diretor de programação do Teatro Viriato, António M Cabrita, em conferência de imprensa.
Segundo António M Cabrita, o espetáculo “Quimera”, encenado por Caroline Bergeron, “trabalha a feminilidade através de sombras e vídeo, abrindo espaço à liberdade de cada pessoa ser quem é”.
“É uma peça que esteve aqui em residência artística nas temporadas passadas” e vai-se estrear no dia 30 de outubro, contou o responsável, avançando que “será uma peça muito particular, muito sensível, muito inteligente na forma de utilizar a relação entre as sombras e a relação analógica do corpo e o texto”.
António M Cabrita destacou também o espetáculo “Este Mundo”, uma criação da coreógrafa marroquina Bouchra Ouizguen para a Dançando com a Diferença, a partir da diversidade dos seus corpos, que será apresentado no dia 13 de novembro.
Nos dias 25 e 26 de novembro, no âmbito de uma longa colaboração com a associação Projeto Património/Memória Comum, uma loja da Rua Direita acolherá as “24 horas de Museu do Falso”, transformando-se num museu aberto ao público com uma visita guiada ininterrupta.
O diretor do Teatro Viriato frisou que a programação hoje apresentada resultou de “muita escuta” e da “incansável dedicação” dos artistas que estarão em Viseu até dezembro.
“Nesta temporada, há uma dramaturgia clara, uma ideia que atravessa toda a programação e que, de alguma forma, é também uma proposta que fazemos a quem nos visita: dar mais tempo ao presente”, numa altura em que “o tempo se apresenta cada vez mais fugaz”, explicou.
Segundo António M Cabrita, “esse exercício passa também por olhar para o passado e perceber aquilo que continua a fazer-se sentir no presente”, como os “padrões de violência, de exclusão, que regressam”.
Nesse âmbito, a temporada arrancará no próximo dia 19 com a peça “Promised Valley Conference Center”, um trabalho de Mickaël de Oliveira que “cruza o teatro e o cinema para interrogar a forma como o mal se manifesta” nas sociedades.
No dia 06 de novembro, em “Caminho do Céu”, de Rita Cabaço, os espectadores serão “confrontados com a encenação de uma falsa normalidade num campo de concentração”, avançou.
O Teatro Viriato receberá também dois concertos internacionais, com o duo catalão Tarta Relena (24 de outubro) a cruzar as tradições do Mediterrâneo com a experimentação contemporânea, e Lambchop (18 de novembro), de Kurt Wagner, com “uma escrita musical muito própria, muito humana” e que pede “disponibilidade para escutar”.
No que respeita à dança, o palco do Viriato receberá “Vagabundus”, do coreógrafo Idio Chichava, interpretado por treze bailarinos moçambicanos que irão dançar e cantar, no dia 21 de novembro.
Esta peça de dança contemporânea, que será inteiramente cantada ao vivo, “recupera memórias, fala sobre migrações e pertenças”, explicou António M Cabrita.
A temporada será encerrada no dia 19 de dezembro, de forma simbólica, com o espetáculo de dança e ilusionismo “Tempo”.
Com direção de Kalle Nio, coreografia de Fernando Melo e música de Samuli Kosminen, “Tempo” cruza dança, ilusionismo e música e, segundo o responsável, “promete mexer com a perceção do tempo”.
“Põe-nos perante uma vontade de o suspender, de inverter o seu curso, mas obriga-nos a encaixar a sua passagem. Este último espetáculo é no fundo, uma síntese desta temporada”, concluiu.