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por
Joaquim Alexandre Rodrigues
Uma vez, quando ainda era aluno do secundário, Justin Trudeau — mais tarde seria chefe do governo canadiano — participou num programa televisivo de caça-talentos onde cantou “Day-O (The Banana Boat Song)”, de Harry Belafonte, devidamente maquilhado para se parecer com o cantor.
Outra vez, anos mais tarde, Justin foi a um baile de fim de ano da escola onde dava aulas. Tema da bailação: “As Mil e Uma Noites”. Festa-desbunda de fim de ano-lectivo. Imagina-se a quantidade de Sherazades e de odaliscas canadianas, lindas de morrer, a belly-dançarem ao ritmo das darbukas. Trudeau, então jovem professor de 29 anos, foi ataviado de Aladino, com tudo como deve ser, com a cara escurecida como deve ser.
Ora, em 2019, quase duas décadas depois daquele baile, era Justin Trudeau primeiro-ministro do Canadá, alguém tornou públicos estes dois episódios da sua juventude e, claro, o puritanismo Woke viu neles… racismo:
“Trudeau, quiseste imitar o Belafonte com a cara negra? És um porco racista!”
“Trudeau, quiseste imitar o Aladino com a cara castanha? És um suíno racista!”
Em causa um dos dogmas centrais do wokismo, a Teoria Crítica da Raça, que diz que um branco por definição é sempre racista e um não-branco por definição nunca é racista.
Em causa um dos sub-dogmas mais estúpidos da TCR, a “apropriação cultural”, que proíbe uma actriz branca de representar a personagem de uma negra, que veda a um cantor branco a música negra (o que, só para dar um exemplo, se isto fosse para ser levado a sério, colocaria no index o genial John Mayall e os seus The Bluesbreakers).
É um dogma estúpido. É um sub-dogma estupidíssimo. Mas é assim. Em 2019, ainda não tinha começado a peste da Covid, mas a peste Woke estava já muito forte e as suas hordas, nos media e nas redes sociais, ferraram os dentes nas canelas de Trudeau.
Na altura, confesso, tive esperança que a criatura fosse um Homem com agá grande e com coluna vertebral a condizer. Confesso que esperei que o primeiro-ministro do Canadá chegasse à frente das câmaras e afirmasse o óbvio: “Não fiz nada de mal, vocês são parvos!”
Tal não aconteceu. Desgraçadamente, Justin Trudeau curvou a cerviz perante o Tribunal do Santo Ofício Woke, abjurou aqueles episódios do passado e fez esta triste figurinha: “Eu não devia ter feito aquilo. Deveria ter sabido melhor, mas não sabia. Eu sinto muito.”
Apesar de se ter arrastado mais uns anos, Trudeau, como político, acabou naquele dia. A peste Woke, naquele dia, ganhou ainda mais força.
Manuel Maria Carrilho, no seu último livro “A Nova Peste, da Ideologia de Género ao Fanatismo Woke”, lembra-nos uma previsão sombria de Yascha Mounk: “o wokismo vai estruturar a vida intelectual ocidental nos próximos 30 anos”.
Mais 30 anos desta desgraça que, em todo o lado, está a tirar votos às esquerdas e a entregá-los às direitas identitárias, aos trumps deste mundo? Tenho esperança que não. Uma coisa é certa: quanto mais pessoas lerem “A Nova Peste” mais depressa nos veremos livres dela.
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Joaquim Alexandre Rodrigues
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António Regadas
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Maria João Alves, Vera Abreu, Filipa Fernandes
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André Tojal, médico especialista em Cirurgia Geral no Hospital CUF Viseu