Weathered stone chapel with arched doorway and red-tiled roof, in a sunny courtyard.
Panel discussion at a charity/event inside a fire station, with a red fire truck behind and banners on the table centerpiece.
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A sunny riverside beach with people sunbathing under straw umbrellas on a sandy shore, next to a calm green river framed by forested hills.
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Um gueto ao som da música de Philip Glass

 Remodelação corporal pós parto
27.09.25
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 Um gueto ao som da música de Philip Glass

por
Joaquim Alexandre Rodrigues

“Koyaanisqatsi: Uma Vida Fora de Equilíbrio”, realizado por Godfrey Reggio em 1982, é um filme de uma hora e meia sem palavras feito com dois materiais: imagens da sociedade de consumo e música minimal repetitiva de Philip Glass.
Importa dizer que “Koyaanisqatsi” é uma palavra da língua Hopi que significa “vida louca”, “vida tumultuada”, “vida fora de balanço”, “vida em desintegração”, “vida que pede outro modo de viver”. Dá para perceber: depois de lhe terem sobrado 40 mil dólares de uma campanha publicitária contra o abuso da Ritalina, Reggio abalançou-se a um projecto audiovisual ecológico, num tempo em que ninguém ainda tinha ouvido falar em alterações climáticas.
Peço-lhe que procure online a sequência Pruitt-Igoe deste filme. Achei uma no YouTube com 6’50’’ e estou a “ouvê-la” com o som alto para fazer justiça a Philip Glass. Faça o mesmo. Veja as imagens. Oiça a música. Alto. Até já.

Olá! Bem-vindo de novo.
Quando os 33 edifícios de 11 andares, com 2870 apartamentos, de  Pruitt-Igoe começaram a ser construídos em St. Louis, num projecto liderado pelo arquitecto Minoru Yamasaki, nos anos de 1950, ainda havia práticas segregacionistas no estado norte-americano do Missouri. Os apartamentos em Pruitt eram para brancos, em Igoe para negros. Durante a construção, esse apartheid foi abandonado. 
Animadas das melhores intenções, as autoridades queriam proporcionar casas de qualidade a pobres mas falharam em toda a linha: problemas estruturais, elevadores avariados, custos de manutenção proibitivos, rendas por pagar, criminalidade, vandalismo, um pesadelo. Quem pôde, bazou de Pruitt-Igoe, quem não pôde, ficou a vegetar. Assumido o fiasco, menos de duas décadas depois, nos anos de 1970, todos os 33 edifícios foram demolidos e são essas imagens que se podem “ouver” nesta sequência apocalíptica de “Koyaanisqatsi”.
Para terminar este Olho de Gato, uma informação e um precautério:
— houve outra obra de Minoru Yamasaki demolida clamorosamente: as Torres Gémeas, em 11 de Setembro de 2001;
— agora que há necessidade de construção pública de casas em Portugal, não se derreta dinheiro público em guetos como Pruitt-Igoe. 

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