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Viseu: alunos e pais divididos num regresso às aulas com novas regras

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 IL/Viseu: partido disputa eleições a solo, mas mantém hipótese de coligação à posteriori com PSD ou CDS-PP
10.01.22
fotografia: Jornal do Centro
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 IL/Viseu: partido disputa eleições a solo, mas mantém hipótese de coligação à posteriori com PSD ou CDS-PP
10.01.22
Fotografia: Jornal do Centro
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 Viseu: alunos e pais divididos num regresso às aulas com novas regras

Depois de a evolução da pandemia de covid-19 ter forçado a uma semana extra de férias no Natal, milhares de alunos regressam hoje (10 de janeiro) às escolas para iniciar o segundo período letivo. A partir de agora, os alunos deixam de estar obrigados a isolamento quando houver um caso positivo na mesma turma e, nas próximas semanas, todos os professores, auxiliares e assistentes operacionais vão ser testados à covid-19.

Já perto das 9h00, o Jornal do Centro já acompanhava a entrada dos alunos da Escola Básica da Avenida, em Viseu, para perceber como está a ser o regresso à “normalidade”.

Junto ao portão, Teresa Mesquita aguardava a entrada do filho do 1.º ano de escolaridade, ainda não vacinado contra a Covid-19 “porque apanhou uma amigdalite”. “É bom voltarem, conviverem com as outras crianças. Já tiveram esta semana em casa que já foi um sacrifício, eu acho que fazem bem regressar”, referiu, admitindo que “a gente, claro, tem o coração apertado, mas tem que ser”.

Contou-nos também que antes de entrarem no período de férias, “ficaram uma semana em casa porque apareceu um caso na turma, mas tirando isso não tivemos Covid”, revelou.

Ao lado, Vera Almeida também acabara de deixar o filho, do 1.º ano de escolaridade, junto à entrada da escola. Em breves palavras, confessou-nos estar tranquila com o regresso às aulas “porque já tivemos todos Covid-19 e ninguém teve sintomas. Foi a variante Delta que é mais agressiva que a Ómicron, portanto, acho que estamos tranquilos”, sublinhou, lembrando que o “o meu filho ainda não pode ser vacinado, só a partir de março que é quando passa o efeito da infeção”.

Ainda assim, disse ter algumas dúvidas em relação à vacinação das crianças. Nas suas palavras, “cerca de 90 e tal por cento das crianças não tem sintomas. Estamos a ponderar muito e os próprios especialistas dividem-se. O nosso pediatra diz que fica ao nosso encargo, mas na opinião dele a vacina não é vantajosa, portanto, estamos a ver. Um passo de cada vez”, adiantou.

E não deixou de aplaudir o regresso à “normalidade”: “é muito bom. As crianças precisam de interagir umas com as outras, é stressante ficarem em casa fechadas, precisam de brincar, precisam de libertar as energias”, assinalou, frisando que, a seu ver, “temos que fazer a nossa vida normal, se estivermos a viver em constante medo estamos tramados”.

Também na Escola Secundária Viriato, em Viseu, a habitual azáfama dos transportes públicos já se fazia sentir por volta das 8h15. Acabada de sair de um dos autocarros, Letícia Fernandes, aluna do 9.º ano de escolaridade, disse-nos que há “a indicação que todos os períodos vamos ser testados”. Ainda assim, não escondeu a preocupação relativamente ao aumento de infeções pelo novo coronavírus. “Realmente eu acho que deveríamos ficar em casa por causa do aumento de casos” até porque, no seu entender, o ensino à distância permite uma “maior concentração durante as aulas e também por causa da covid”.

Quanto à revisão da medida de obrigação de isolamento de turmas inteiras, a aluna diz não concordar porque, na sua opinião, “deveria ficar a turma toda em isolamento porque tiveram em contacto com alguém positivo e é um risco”.

Já Beatriz Gonçalves, aluna do 11.º ano do curso profissional de Técnico de Auxiliar de Saúde, aguardava a chegada de uma amiga junto a uma das paragens de autocarros. Já tem a vacinação completa, mas disse-nos que não está “confiante” no regresso às aulas. Segundo a estudante, “devíamos estar em ensino à distância porque não é por estarmos vacinados que podemos vir e estar fisicamente na escola. A vacina, como os especialistas já disseram, deixa de fazer efeito durante um determinado tempo e acho que isto só vai piorar”, lamentou.

“Acho que as escolas podem testar, mas o que depende mesmo é de nós, se desinfetamos as mãos, se desinfetamos os espaços, se os professores usam máscara nas salas. Depende de cada pessoa, não é só dos testes”, destacou.

Passaram-se uns breves minutos e conhecemos Maria Pinho, também aluna do 11.º ano do curso profissional de Técnico de Auxiliar de Saúde. Partilha a mesma opinião de Beatriz e não poupou nas palavras: “acho que a gente deveria estar em casa justamente pelo facto de não estarmos testados e não saber quem tem ou não Covid-19. Os casos em Portugal estão a aumentar muito rapidamente e a variante Ómicron está afetando mais os jovens. Se está afetando mais os jovens porque que os jovens estão a voltar para a escola?”, questionou, a encolher os ombros.

A frequentar um curso profissional, segundo Maria, a ansiedade prende-se com a “questão dos estágios”. “Depois podem fechar as escolas e aí afeta os cursos profissionais que querem fazer estágio. Se fechasse agora e os casos diminuíssem, no nosso estágio estaria tudo bem, não faria mal nenhum aos professores, nem ao Governo”, referiu.

Em relação às novas regras de isolamento, “acho muito errado, depois de cinco veem dez, depois de dez veem quinze e depois fecha a escola”, suspirou.

Já perto da hora do “toque”, Maria Santos, do 10.º ano e com a vacinação completa, disse não estar preocupada com o regresso à escola até porque, na sua opinião, “como já temos a vacina acho que estamos todos protegidos”, concluiu.

E regras?

Depois de dúvidas sobre se as escolas reabriam efetivamente a 10 de janeiro ou se os números recorde de infeções levariam a retardar ainda mais o regresso ao ensino presencial, o Governo confirmou no início da semana passada que as escolas iriam mesmo abrir portas hoje.

E reabrem com novas regras relativamente ao isolamento de turmas quando seja detetado um caso positivo.

Uma nova norma da Direção-Geral da Saúde (DGS) reviu a obrigação de isolamento de turmas inteiras quando haja um caso positivo, medida que agradou aos diretores escolares.

Só são considerados contactos de alto risco as crianças que vivam na mesma casa que alguém com covid-19, pelo que ficam isoladas, já que não têm reforço da vacina.

Também uma criança com um contacto com um caso positivo na escola não fica em isolamento, pedindo-se aos pais que sejam reduzidos os contactos e convívios e que essas crianças, dependendo da idade, usem máscara.

As crianças que ficam na escola fazem um teste ao terceiro dia.

Sobre testes, ainda em dezembro o Ministério da Educação anunciou que professores e funcionários das escolas vão ser testados no arranque do 2.º período escolar, antecipado que o processo esteja concluído até ao final da segunda semana de aulas.

A decisão de testar estes profissionais no regresso às atividades presenciais surge na sequência de um parecer da Direção-Geral da Saúde, que recomenda “no início do 2.º período do ano letivo 2021/2022, (…) um ‘screening’ dirigido à comunidade escolar”.

Assim, em janeiro todos os docentes e não docentes serão testados, de forma faseada e independentemente do seu estado vacinal.

Em Portugal, desde março de 2020, morreram 19.071 pessoas e foram contabilizados 1.577.784 casos de infeção, segundo a última atualização da Direção-Geral da Saúde.

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