No coração do Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros, há…
Reza a lenda que foi um árabe, há mais de mil anos,…
Seguimos caminho por Guimarães, berço de Portugal e guardiã de memórias antigas….
Deixem-se para já análises históricas e reflexões políticas e ideológicas, sociais e económicas. Não é que não sejam necessárias ou importantes, até porque é desse indispensável e decisivo trabalho que resulta a compreensão de como o 25 de Abril permitiu a uma sociedade e a um país romper a sombra de todo um tempo cinzento, beato e pré-moderno, dos seus atrasos e atavismos.
Mas porque quem teve o privilégio de imediatamente ? ou pela mediação de pais e amigos ? viver o 25 de Abril, não pode deixar de o sentir visceralmente, para além dessas análises e reflexões; não pode ocultar a emoção que é o desejo feito grito, a alegria feita rua.
E os excessos? Quais excessos… “Só quer a vida cheia quem teve a vida parada” (Sérgio Godinho); tudo era luz da liberdade, há tanto tempo cortada, a acender-se à nossa frente.
E foi também desses “excessos” (vejam-se os termos dos seus primeiros tempos) que nasceu a ACERT, escola e oficina de liberdade, mesa e palco de cidadania, lugar e luar de vida. E é daqui que saudamos Abril, nesse efusivo entusiasmo ? que há cinquenta anos foi ontem… ?, mas também naquilo que só a liberdade permite: a expressão do pensamento crítico que lhe é imprescindível.
Com liberdade e pensamento crítico, desses “excessos” nasceu, cresceu e construiu-se uma comunidade “à escuta do mundo, no espanto dos tempos, com muitos olhares” (João M. André), integrada num todo social igualmente colorido de cidadãos orgulhosamente acompanhados. Que a liberdade, mais que um objectivo a alcançar, tem de ser um princípio que é ponto de partida (a “coisa” vai mal quando é preciso alcançá-la); mais que acabar quando começa a liberdade do outro, a nossa liberdade tem de começar, precisamente, no outro (a “coisa” vai ainda pior quando quem a tem chama-lhe sua).
Porém, é agora que, num país e numa sociedade desde há cinquenta anos incomensuravelmente diferente, bem como no resto da Europa e do Mundo, sopram ventos que a querem (de novo…) pôr em causa e varrer do nosso estar conjunto.
Não vamos nunca, em nenhum mês, deixar fechar “as portas que Abril abriu” (J.C. Ary dos Santos).
PORQUE SIM !
João Luís Oliva