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Suspeito de homicídio em centro comercial de Viseu diz que queria salvar a família

Homem garante que não quis matar ninguém e diz que disparou em pânico durante confrontos entre famílias

 Sindicato acusa diretor do Estabelecimento Prisional da Guarda de assédio e abuso de poder
11.03.26
fotografia: Jornal do Centro
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 Sindicato acusa diretor do Estabelecimento Prisional da Guarda de assédio e abuso de poder
11.03.26
Fotografia: Jornal do Centro
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 Suspeito de homicídio em centro comercial de Viseu diz que queria salvar a família

O homem suspeito de ter matado uma mulher a tiro no centro comercial Palácio do Gelo, em Viseu, garantiu hoje que carregou acidentalmente no gatilho e que a sua única intenção era salvar a mulher e o filho.

“A minha intenção nunca foi matar ninguém. O que eu queria era que aquelas pessoas saíssem de lá para poder tirar a minha família em segurança”, afirmou o homem, que começou hoje a ser ouvido no Tribunal de Viseu.

Assim que foi dada a palavra ao arguido – que está a ser julgado por um crime de homicídio qualificado consumado e mais seis na forma tentada – começou por pedir desculpas às pessoas que magoou e mostrou-se “muito arrependido”.

“Se fosse hoje não o faria”, assegurou o homem, acusado de ter matado Josefa com um tiro no peito e ferido Marcelo numa mão e Lia numa perna no dia 27 de dezembro de 2024, na sequência de uma altercação entre membros de duas famílias, no átrio exterior do Palácio do Gelo.

O arguido contou que tudo começou quando, ao chegar ao centro comercial acompanhado da irmã, da companheira e do filho de ambos, então com 2 anos, estava a acontecer “uma forte discussão” entre uma mãe e uma filha, que não conheciam, por causa de um telemóvel.

Segundo o homem, a filha ter-se-á virado para a sua irmã e para a sua companheira e perguntado para onde estavam a olhar e se queriam uma foto, o que originou as altercações.

“Pegaram-se à pancada e começaram a bater na minha irmã e na minha mulher”, contou, acrescentando que, entretanto, se juntaram homens da outra família, numa rixa que envolveu agressões com um ferro, pedras e ripas de madeira.

O arguido disse que, depois de ter sido agredido e se ter conseguido levantar do chão, foi com a irmã de carro buscar ajuda ao acampamento de Teivas, onde vivia, uma vez que a mulher e o filho tinham ficado dentro do Palácio do Gelo e os membros da outra família no exterior, junto à entrada.

No acampamento apenas se encontrava o seu cunhado Ruben, que lhe disse: “Temos de voltar imediatamente ao Palácio do Gelo porque querem matar a tua mulher e o teu filho”.

O homem admitiu que pegou numa arma que tinha comprado uns meses antes para se defender de umas ameaças que lhe tinham feito, dirigiu-se ao centro comercial e, ao chegar ao átrio, viu que a outra família ainda lá estava, o que o deixou “cego” e o levou a disparar para que saíssem de lá.

Questionado pelo presidente do coletivo de juízes se não teria bastado apontar a arma e ameaçado disparar se não abandonassem o local, o arguido respondeu que sim, mas acrescentou que “estava com medo, porque tinha sido agredido”.

No que respeita ao disparo que acabou por levar à morte de Josefa, referiu que aconteceu depois de ter sido agredido pelas costas, ao levar com uma mala na cabeça e ter ficado com os cordões desta presos no pescoço.

“Os cordões agarraram-se ao pescoço e esganaram-me e eu, sem querer, acidentalmente, faço um disparo”, descreveu, acrescentando que, naquele momento, não sabia se o agressor tinha sido um homem ou uma mulher.

Depois da visualização das imagens de segurança do Palácio do Gelo, o juiz presidente considerou ser “difícil compreender” que o arguido só pretendesse salvar a mulher e o filho, uma vez que conseguiria entrar dentro do centro comercial antes que os elementos da outra família o conseguissem alcançar.

“A minha intenção nunca foi matar ninguém. Se pudesse voltar atrás e evitar esta tragédia voltava. Fiquei em pânico, fiquei perdido”, assegurou.

A lista de crimes de que está acusado inclui também um de condução perigosa de veículo rodoviário e outro de detenção de arma proibida.

O julgamento prossegue durante a tarde de hoje.

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