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Mais Produtividade precisa-se! Sinais de Alerta

 A síndrome da Lisboaíte de totós e chouriços
03.04.26
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 Mais Produtividade precisa-se! Sinais de Alerta

por
Alfredo Simões

Em meados dos anos 80 vim residir para Viseu. Na altura, a cidade era atrativa para quem vivia a 40 km de distância e Viseu era um centro que proporcionava serviços não existentes à sua volta (pelo menos com a qualidade desejada) – educação e saúde, especialmente -, o comércio era, comparativamente aos concelhos vizinhos, mais diverso, representava uma oferta que permitia mais opções aos clientes num conjunto de lojas que procuravam satisfazer diferentes necessidades e camadas da população. 

Depois de um primeiro impulso ocorrido no pós-25 de abril (com o aumento do poder de compra, a fixação das pessoas vindas das ex-colónias – grupo de novos residentes com mais elevada taxa de empreendedorismo – e a contenção da emigração), a economia recebeu, a partir de meados dos anos 80, um novo estímulo (investimento externo e abertura dos mercados europeus; infraestruturas) e a cidade e a Região responderam com a criação e a melhoria de fatores de acolhimento: a cidade foi-se tornando num centro de serviços (mais do que de comércio) para as pessoas e para as empresas e a Região recuperou algum do seu atraso em termos de industrialização. Ainda em meados dos anos 80 é lançada a iniciativa “Área Urbana” que representou um detonador da vida cultural da cidade, e começam as ações de sensibilização que levam, mais tarde, à recuperação do Teatro Viriato e, pela mesma altura, é criado o Conservatório Regional de Música Dr. José Azeredo Perdigão. Com o desenvolvimento do ensino superior, que começa com a Universidade Católica (inicio dos anos 80) e se destaca com o Politécnico de Viseu (Escola Superior de Educação, em 1983, ESTecnologia, em 1985), e dos serviços de saúde, em especial com a expansão da oferta do Hospital Distrital, chegamos ao inicio do século XXI com uma cidade e uma Região dinâmicas, atrativas. As oportunidades surgiram, nomeadamente para quem tinha formação superior. A cidade crescia e, em especial, a cidade funcional constituída pela atual freguesia de Viseu mais as freguesias envolventes acolheram milhares de novos residentes (mais do que compensaram as perdas das freguesias mais afastadas). 

A resposta que a cidade e a Região souberam dar aos impulsos vindos do exterior proporcionou a construção de um ecossistema produtivo mais denso, mais moderno, associado a mercados internacionais. Viseu tinha começado uma mudança e gradualmente foi passando de uma cidade socialmente compartimentada, fechada, tornando-se numa cidade aberta e, de algum modo, inovadora no contexto das cidades médias nacionais. 

Com a entrada do novo século (e já no final dos anos 90) a economia (portuguesa e da Região) começa a dar sinais de fraqueza: os investimentos externos deixam de ser tão frequentes e o ritmo de crescimento da economia abranda. Não devemos esquecer que já tinha começado a entrada de dois parceiros ativos da cena internacional, a China e os Países de Leste, que passam a ser grandes recetores de investimento externo e atores competitivos no comércio internacional. Isto teve repercussões em toda a economia nacional e, em particular, nos territórios que não estavam dotados suficientemente de infraestruturas, conhecimento, tecnologia, meios de inovação e poderes de decisão para avaliarem e reagirem à situação. Apesar dessas dificuldades, o setor industrial da região de Viseu resistiu e mantém um peso relevante na economia local. Sem dúvida que esta resistência resultará da natureza das empresas que se instalaram na Região, nomeadamente empresas do setor automóvel, da saúde, ligadas a recursos locais (madeiras, p.ex.) e, nalguns casos, ligadas simultaneamente a grupos exteriores à região e/ou ao próprio País, mas também foi resultado das capacidades próprias das lideranças locais, públicas e empresariais, para a adaptação a novas situações. 

Se houver uma palavra apenas que resuma o comportamento da economia da região de Viseu – muito suportada no setor industrial –, ao longo dos tempos, e que foi exigindo respostas a diferentes desafios – a integração da economia nacional numa união monetária incompleta (o Euro), “desarmada” (sem orçamento comunitário), a saída da crise internacional pós-2008 e da Troika e, mais recentemente, da pandemia -, essa palavra deve ser “resistência”. Tem sido esta capacidade de resistir que mantém Viseu, cidade e região mais próxima, como uma autêntica “ilha” demográfica e económica num vasto território despovoado e economicamente frágil.

Depois de um período de forte crescimento económico seguido de alguma estagnação do PIB – de algum modo acompanhando o caminho da economia nacional -, a região de Viseu precisa de se adaptar aos novos fatores que fazem a diferença e vão liderar os avanços das economias: a relevância crescente do conhecimento e da tecnologia, a adaptação às novas condições climáticas e digitais, à inteligência artificial. Não estaremos na linha da frente em nenhum destes campos – porque o passado pesa e o nosso ponto de partida fica mais longe -, mas para já é preciso não ficar para trás, não descolar.

Deitemos um olhar sobre o que se tem passado com a economia da Região. Isso pode-nos ajudar a perceber algumas dificuldades por que estamos a passar e que é preciso resolver, mas também pode dar-nos indicações sobre o caminho para o futuro.

Vejamos como se tem “comportado” o PIB1 da região (NUT III “VDL – Viseu Dão Lafões”) e utilizemos alguns indicadores simples:

  • O peso da economia da Região no conjunto do País tem-se mantido, desde os anos 90 do século passado, com pequenas oscilações, a um nível sempre inferior, mas muito próximo dos 2% do PIB nacional: passou de 1,75%, em 1995, para 1,89%, em 2000, 1,96%, em 2020 e 1,85%, em 2024. Aparentemente, a recuperação do peso de VDL na economia nacional está a fazer-se com alguma dificuldade, no pós-pandemia – valerá a pena acompanhar os próximos anos. No conjunto das atuais 26 NUT III, e no que respeita ao contributo para o PIB nacional, VDL tem-se mantido ligeiramente abaixo do meio da tabela, 15º/16º lugar; 
  • Esta evolução do PIB de VDL apresenta algumas diferenças face às regiões que mais contribuem para o PIB nacional (Grande Lisboa, Área Metropolitana Porto, Península de Setúbal, Região Coimbra e Algarve): a importância destas regiões com “+Peso” (61,7% do PIB nacional, em 2024) está a crescer desde os anos 90 e, em particular, nos últimos anos depois da pandemia (entre 2020 e 2024 o PIB destas NUTs aumentou cerca de um ponto percentual). Ao contrário, as regiões que menos contribuem para o PIB nacional (Alto Tâmega e Barroso, Terras de Trás-os-Montes, Beira Baixa, Alentejo Litoral e Alto Alentejo – chamemos-lhes com  Peso”) representa apenas 3,8% do PIB nacional e o seu contributo tem vindo quase sempre a diminuir (em 1995 e em 2015 era de 4,4%).

Pode a economia de VDL estar a aproximar-se do comportamento das regiões com mais baixos níveis de produção? Por que razão a economia de VDL não estará a recuperar tão rapidamente? A taxa de crescimento do PIB português (+44%) – a preços correntes -, entre 2020 e 2024, foi oito pontos percentuais superior ao crescimento do PIB de VDL (+36%). Para esta saída mais rápida da crise da pandemia por parte do conjunto do País importa assinalar o crescimento maior do Emprego, cerca de 8% entre os dois anos referidos, simultaneamente com o crescimento mais robusto da Produtividade2, + 33%. Em VDL, o menor crescimento da economia está associado a um crescimento menor do Emprego, cerca de 6,6%, e da Produtividade, cerca de 27%, entre os dois anos. Aparentemente, em VDL está a verificar-se um acréscimo da Produção, do Emprego e da Produtividade, mas este acréscimo é menos relevante do que na média do País. Parece evidente que VDL está perante um grande desafio da sua economia: fazer mais e melhor pela Produtividade que, em 2024, representava cerca de 85% da produtividade média nacional.

Se considerarmos apenas o valor da produção mercantil, que reflete um preço de mercado, – excluímos assim, serviços prestados pela Administração Pública e pelas instituições sem fins lucrativos ao serviço das famílias – poderemos determinar o valor acrescentado pelas empresas bem como a sua produtividade. Assim, a Produtividade das empresas3 em VDL apresenta um comportamento mais próximo dos valores médios nacionais, ou seja, em vez de representar 85% da produtividade média nacional, a produtividade aparente do trabalho nas empresas é de 87,2% da média nacional do setor empresarial. Considerando apenas a produtividade do setor mercantil, VDL ocupa o 12º lugar entre as atuais 26 NUT III e desce para o 20º lugar quando considerado o conjunto da economia, incluindo a prestação de serviços por parte do Estado e das instituições sem fins lucrativos (valores de 2024). É caso para dizer que o Estado está a faltar a esta nossa Região.

De entre os setores mercantis, vale a pena assinalar a importância da “Indústria Transformadora” em VDL. Com efeito, este setor é responsável por 43% do volume de negócios de todas as empresas em VDL, quase o dobro do que se passa no País (22%) e com uma produtividade que representa 156% da média das empresas da Região. Outros setores relevantes para a Região são o “Comércio”, com cerca de 25% do volume de negócios das empresas, e a “Construção”, quase 10% do volume de negócios. Assinale-se, porém, que ambos os setores têm níveis de produtividade inferiores à média da Região, embora, a nível nacional, um e outro apresentem produtividades mais elevadas do que as respetivas médias setoriais no País. De um modo geral, os “Serviços”, em VDL, têm um peso menos significativo na atividade empresarial da Região, cerca de 17% do volume de negócios total das empresas, que compara com cerca de 29% no País. Além disso, todas estas atividades empresariais de prestação de serviços têm mais baixa produtividade em VDL do que no conjunto do País. 

Num sentido mais positivo tem-se comportado o setor exportador de VDL que se situa na primeira metade da tabela das NUT III, em 12º lugar, com 2,2% do total das exportações portuguesas, reflexo do papel das “Indústrias Transformadoras”.

Sendo certo que as empresas, em VDL, têm ainda um caminho a percorrer para se aproximarem dos valores médios nacionais da produtividade, vale a pena olharmos também para a mais fraca presença do Estado na prestação de serviços (e também para as instituições sem fins lucrativos embora estas com peso pouco significativo). Já voltaremos ao papel do Estado.

Em VDL a atividade empreendedora, isto é, a capacidade para a criação de empresas, não sobressai no conjunto das NUT III do País e a alteração desta situação representará um segundo desafio da Região. Com efeito, na última década (2013-23) a taxa média anual de natalidade de empresas4 tem andado à volta dos 13% enquanto a média nacional se situa nos 15%. A Região precisará de ter taxas de natalidade empresarial maiores para fazer subir de forma mais substancial as atuais 32 mil, número que coloca VDL em 15º lugar nas 26 NUT III. Acresce que a esmagadora maioria destas empresas são pequenas unidades com menos de 10 pessoas ao serviço e com mais baixo volume de negócios, 297 mil euros anuais que compara com 362 mil na média nacional. 

Para além da mais baixa capacidade empreendedora em VDL, acresce que é igualmente reduzido o peso do numero de empresas criadas em Industria de Alta e Média-Alta Tecnologia (2,1% do número total nacional) e, em VDL, são responsáveis apenas por 1% da riqueza gerada por este tipo de empresas no País. Por outro lado, enquanto em Portugal a proporção das despesas em Investigação & Desenvolvimento no PIB era de 1,7%, em VDL esta proporção baixa para menos de metade (0,81%). Estes valores menos expressivos em VDL estão em linha com a situação escolar da população empregada por altura dos Censos de 2021. Com efeito, um pouco mais de 30% da população empregada em Portugal possuía um curso superior completo que compara com 27,5% em VDL; enquanto nesta Região apenas 0,6% de residentes empregados possuíam um curso de doutoramento, bastante abaixo do que se verificava no conjunto do País, cerca de 1%. 

Já ninguém duvida da relação existente entre melhor desempenho económico e despesas em conhecimento e tecnologia e níveis mais elevados de formação dos trabalhadores e dos dirigentes/empresários. Por isso, a Região deve olhar para esses valores e assumi-los como sinais de alerta de um terceiro desafio que importa atender, acelerando no caminho positivo que tem sido percorrido.

1 Produto interno bruto (B.1*g) a preços correntes (Base 2021 – €) por Localização geográfica (NUTS – 2024); Anual – INE, Contas económicas regionais

2 Produtividade aparente do trabalho (Base 2021 – €) por Localização geográfica (NUTS – 2024); Anual – INE, Contas económicas regionais.

3 Produtividade aparente do trabalho (€) nas empresas por Localização geográfica (NUTS – 2024) e Atividade económica (Divisão – CAE Rev. 3); Anual – INE, Sistema de contas integradas das empresas

4 Taxa de natalidade (%) das Empresas por Localização geográfica (NUTS – 2013) e Atividade económica (Divisão – CAE Rev. 3); Anual – INE, Demografia das empresas

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