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Mais Produtividade precisa-se! – Objetivos, Estruturas e Políticas Públicas

 Direito à Cultura!
05.04.26
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 Mais Produtividade precisa-se! – Objetivos, Estruturas e Políticas Públicas

por
Alfredo Simões

Como se viu no artigo anterior, a economia da região de VDL apresenta algumas caraterísticas que, no contexto do País, não são favoráveis, representam desafios que é necessário ultrapassar:

  • Baixa produtividade generalizada
  • Fraca capacidade de criação de empresas, nomeadamente as que exigem maiores competências técnicas e conhecimento
  • Insuficientes qualificações académicas da população e, em particular, na população ativa.

Alguns aspetos do setor empresarial, porém, devem merecer realce como, por exemplo, a existência de um importante setor exportador, um peso significativo do setor das Indústrias Transformadoras e a localização de empresas relevantes no contexto da Região e do País como é o caso da Visabeira, de empresas do setor de saúde e bem-estar, do setor automóvel ou das madeiras/mobiliário, e mesmo do setor agro como a viticultura e frutas, entre outras. Representam uma base económica importante que tem dado mostras de resistir, de acompanhar a evolução das tecnologias, dos processos e das necessidades dos mercados internacionais. Toda a Região, porém, precisa de um impulso, de um “choque”, que lhe permita sair do patamar económico em que se situa há mais de duas décadas. Não é expectável que aconteça, como nos anos 70 e 80 do século passado, um crescimento significativo do consumo das famílias e do consumo intermédio, internamente e no exterior, nem teremos, no contexto dos circuitos financeiros mundiais, capacidade significativa para atrairmos outros setores ou empresas que sejam estruturantes para a economia de VDL. Mas vai ser preciso a Região continuar a atrair tudo isso, mais financiamentos exteriores, outras empresas, outras tecnologias, mais conhecimento. E deveremos ser capazes de criar um contexto local mais atrativo.

Para tanto precisamos de saber o que queremos alcançar e qual o caminho a seguir. Precisamos de ter capacidade mobilizadora dos agentes locais e da envolvente e de saber construir redes de cooperação interna e com o exterior que nos permitam ser mais fortes e mais inteligentes. Poderemos nós aspirar, numa década, a estar entre as primeiras 10 NUT III com maior contribuição para o PIB português ou sermos a terceira Comunidade mais relevante na economia da Região Centro?

Para respondermos afirmativamente poderemos dizer – com cautelas por algum simplismo – que precisamos de mais investimento, precisamos de atrair mais empresas e ter empresas mais eficientes e mais inovadoras, precisamos fazer de Viseu uma cidade/região do conhecimento, do empreendedorismo e do desenvolvimento tecnológico, uma cidade/região atrativa para as pessoas onde seja possível cada vez mais jovens olharem o futuro, seu e dos seus filhos, com otimismo, isto é, olhar para Viseu como a cidade/região aberta, inclusiva, cosmopolita, onde é possível construir uma carreira profissional em crescendo e com qualidade de vida.

Para o efeito, apesar do que já alcançámos, importa ter presente que, comparativamente a outras cidades/regiões, estagnámos ou estamos a ter algum retrocesso. Olhemos para os nossos vizinhos do Litoral das regiões Centro e Norte, veja-se Aveiro e mesmo cidades mais afastadas como Guimarães, por exemplo. Não nos podemos conformar, é importante que tenhamos consciência de limitações (no campo cultural, na prestação de serviços de saúde, na oferta formativa de nível superior e na oferta de serviços tecnológicos) e que isso faça espoletar a nossa vontade para darmos mais um salto em frente.

E, para isso, o papel do Estado é importante, mas temos de ser nós a dizer o que pretendemos em especial da Administração Pública Central que possui os meios e a capacidade de decisão mais relevante. O mundo mudou tanto e tão depressa e o Estado continua a apostar num modelo de ensino superior que se iniciou nos anos 70 do século passado. Nessa mesma altura fomos capazes de começar a oferecer serviços de saúde para todos, mas hoje continuamos a alongar filas de espera nos hospitais. O conhecimento da humanidade sobre a sua própria natureza e sobre as condições ambientais já evoluiu tanto e nós, ainda hoje, continuamos a querer construir em leitos de cheia, a despovoar os campos e a desertificar as montanhas e os vales, sabendo que a consequência são as cheias como as deste ano e as dos próximos anos ou os incêndios como os que irão surgir nos próximos meses. Nas últimas décadas fomos aperfeiçoando – para o mau sentido! – os esquemas que têm conduzido a crescente concentração de recursos físicos e financeiros em Lisboa – decisões políticas que não respeitam o restante território. Num contexto com estas múltiplas vertentes, como pode VDL, em simultâneo, atingir os seus próprios objetivos e contribuir para resolução destes problemas?

Já tenho ouvido quem entenda que a aposta VDL deveria centrar-se no “Turismo”. Embora não tenhamos mar nem praias temos, com efeito, outros atrativos. A começar nas termas, na oferta cultural, no património, histórico e natural, na gastronomia, incluindo o uso de produção endógena, no turismo natureza, de montanha, na capacidade de organização e atração de eventos como a Feira de São Mateus e outros. Além disso, a atividade turística em Portugal está num forte crescendo atingindo, em 2024, cerca de 34 mil milhões de euros, 11% do PIB, devendo os territórios como os de VDL aproveitar esse movimento e procurar atrair mais turistas aumentando, dessa forma, o consumo e, consequentemente, o PIB da região. Sendo isto verdade, falta-nos, porém, um fator fundamental para que o turismo possa ser um setor em que possamos suportar o nosso desenvolvimento: produtos turísticos de elevado valor acrescentado e com impactos significativos nas cadeias de valor de que necessitamos no território. Embora seja importante termos uma estratégia para o seu crescimento, por via do alargamento do mercado e por via do aumento da produtividade, importa reconhecer que na Região temos outro setor – a indústria – cujo desenvolvimento gerará impactos estruturantes mais amplos, nos restantes setores de atividade, e mais profundos e duradouros na economia da região. Na indústria de VDL nós temos os fatores que são determinantes para o crescimento económico não só da indústria, mas com potencial para se alargarem aos demais setores de atividade.

As indústrias, pela sua própria natureza, têm de procurar transformar-se, evoluir através de processos continuados e que a História nos mostra que essas transformações ocorreram sempre de forma rápida, e cada vez mais rápida, tendo como linha orientadora ganhos de produtividade que em termos simples quer dizer produzir mais com os mesmos ou com menos recursos. Naturalmente, todos os agentes económicos que se encontram a montante ou a jusante de cada indústria vão ter de se adaptar e introduzir processos próprios de transformação que trabalhem no mesmo sentido. Nenhum destes setores pode ficar para trás, não pode descurar os assuntos que tenham a ver com a produtividade sob o risco de serem ultrapassados e acabarem por morrer. Isto é válido para as demais indústrias assim como para os serviços que as servem (vejam-se, por exemplo, as mudanças que ocorreram nos últimos anos nos serviços comerciais e de transporte) e para os serviços que beneficiam destas transformações (lembremo-nos, por exemplo, nos serviços de saúde e, em particular, nos meios de diagnóstico e terapêuticos). Não podemos esquecer que à medida que o aumento da produtividade permitiu libertar recursos estes foram sendo aplicados em inovação, no desenvolvimento de novos processos produtivos ou de novos produtos, etc.

Ora, todas estas transformações foram possíveis porque a quantidade e a diversidade dos conhecimentos gerados nas universidades, nos centros de investigação, dirigiram-se, em larga medida, para a generalidade das indústrias, foram alimentar os processos de transformação da economia. Importa, no entanto, ter presente que estes circuitos do conhecimento entre universidades e empresas beneficiam da proximidade entre umas e outras e, além disso, precisam de estratégias, estruturas e políticas orientadoras – não surgem de geração espontânea. Ora, este papel deve caber, em primeiro lugar, ao Estado e isto é válido em economias fortemente centralizadas e nas economias mais liberais (Elon Musk e outros têm beneficiado deste papel do Estado que se traduz, para além da definição de objetivos para o futuro, em despesas com educação, com investigação, despesas com as compras públicas, etc.). 

Mas, pensando apenas na nossa Região, o Estado tem sido pouco interventivo porque os governos têm sido demasiado “lisboetas” e são bons a decidir os grandes investimentos para a capital e depois inventam uma falácia que denominam de “descentralização” para as autarquias locais como se estas tivessem dimensão, recursos humanos e recursos financeiros para alterarem a situação de dependência que continuamos a ter em relação à Capital. É uma ilusão. As autarquias necessitam de descentralização (incluindo o reforço para o desenvolvimento da cooperação no quadro das CIM), acompanhada dos devidos meios financeiros, para a resolução dos problemas suscetíveis de solução à sua escala. Mas esta descentralização não pode resolver os problemas que estão identificados há décadas. A CIM não tem meios nem capacidade de decisão política para resolver as insuficiências de produtividade e de inovação na atividade económica, embora esteja a desempenhar um papel importante em resolver problemas de escala supramunicipal como os transportes públicos ou na mobilização especialmente de públicos jovens para a formação na área do empreendedorismo, etc.

Mas, para além de estruturas de cooperação como a CIM, regiões como VDL necessitam de formular a questão: como colocar a produtividade da economia de Viseu ao nível da média nacional nos próximos 10 anos e procurar encontrar resposta na mobilização e organização dos agentes locais mais relevantes, públicos e privados. Talvez seja objetivo ambicioso, mas nunca saberemos o poder da união de esforços se nunca a promovermos.

Há mais de 15 anos, na antecâmera da Troika, num artigo também publicado no Jornal do Centro, que se intitulava “Triple Helix1 em Viseu”, escrevi uma notícia sobre uma reunião realizada em Viseu: “Presidentes reúnem-se e aprovam plano para a Região de Viseu” e, em subtítulo, concretizava: “Inovação, empreendedorismo e internacionalização serão os eixos de acção da futura Agencia de Promoção Económica da Região de Viseu”. Mas quem seriam os Presidentes? Lá estavam: “Presidentes do Instituto Politécnico, da Câmara Municipal, da Comunidade Intermunicipal, da Associação Industrial e da Associação de Comerciantes, estes dois em nome da Federação das Associações Empresariais da Região de Viseu (em formação)”.

Tal reunião não se tinha realizado, foi apenas imaginada! Mas, e se há 15 anos atrás já tivéssemos inovado nas formas de liderança do processo de desenvolvimento, a Região de VDL seria a mesma? 

Os objetivos das organizações a que pertencemos não são apenas aqueles que estão mais ou menos formalmente estabelecidos. De um modo geral ainda se aceita que o papel das empresas não é o desenvolvimento regional ou o papel da Câmara Municipal não é de fazer diplomacia ou a universidade não tem que estar preocupada com a resolução dos problemas das empresas. Cada um no seu papel que, se o cumprirmos bem, significará que os sucessos individuais se refletirão em toda a comunidade. Isto é verdade porque o exercício das funções de cada um tem sempre externalidades que impactam nos restantes. Mas, estaremos a ser eficientes se nos dedicarmos apenas a um objetivo – mesmo que seja o objetivo central da nossa atividade?

Não valerá a pena, todos nós e não individualmente, olharmos para a realidade com outra perspetiva e pensarmos: o que poderemos fazer tendo como objetivo a criação da Universidade pública, em Viseu? Como nos vamos organizar para apoiarmos o Estado a cumprir a promessa de termos comboio de alta velocidade (e a valorização do aeródromo, e a conclusão da autoestrada/IP3, …) na cidade e na Região? Que estruturas precisamos para cumprirmos o nosso desígnio de Região tecnológica, inovadora, ao serviço do crescimento económico? Que estruturas precisamos para cumprirmos o desígnio de Região inclusiva, ao serviço do bem-estar de todos?

Não são perguntas para os políticos ou para os empresários ou para os académicos. São perguntas cujas respostas exigem responsabilização e empenhamento coletivos e que colocam no centro do problema o desenvolvimento do território de Viseu que, ao contrário dos anos 80/90 do século passado, exige que sejamos mais proativos, que tenhamos iniciativa e objetivos claros no nosso pensamento. Não basta acolhermos bem o que pode chegar até nós.

1 Modelo de desenvolvimento (Etzkowitz, Leydesdorff) que implica uma intervenção estruturada numa parceria entre as instituições de conhecimento (investigação), administração pública (politicas públicas de incentivo) e empresas (viabilidade económica). 

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