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Os 5.ª Punkada, A Voz do Rock e vários novos valores da música independente nacional atuam no início de maio em escolas de Viseu, no âmbito de A Música Dá Trabalho (AMTD), anunciou hoje a produtora Omnichord.
Entre os dias 05 e 08 de maio, o projeto leva a escolas de Viseu um conjunto de oficinas e atuações dos artistas Xico Gaiato, 5.ª Punkada, Aurora Brava e A Voz do Rock.
O objetivo, explica a Omnichord em comunicado, é fazer da música ponto de encontro entre alunos e o mundo artístico, mostrando todos os passos, da criação até aos palcos, discos e plataformas digitais. Em foco estão 22 das profissões que tornam a música possível.
Durante os quatro dias em Viseu a programação combina artistas e bandas rock e punk: tanto talentos recém-descobertos como bandas com mais de 30 anos, caso de 5.ª Punkada, fundados e constituídos por utentes e técnicos da Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra, ou um coletivo de uma dezena de avós.
“Andávamos a pensar nisto há algum tempo e decidimos redesenhar os orçamentos para fazer uma época de ‘A Música Dá Trabalho’ com bandas mais diferenciadas. É essa a nossa perspetiva para este ano”, explicou à agência Lusa Vasco Silva, um dos produtores e dinamizadores do projeto.
A intenção é juntar grupos e artistas que tocam como qualquer banda, mas cuja presença em contexto escolar “ajuda a chamar a atenção para outros temas superimportantes”, como a deficiência, o idadismo ou a exclusão social.
Em edições anteriores já estiveram, por exemplo, os Cremalheira do Apocalipse, banda rock criada por algumas pessoas institucionalizadas, e também os 5.ª Punkada passaram pelo projeto em 2025, na Lousã e Águeda.
“Foi incrível, porque o plano é levá-los com as condições necessárias para que tenham capacidade de subir a palco de forma autónoma, como fazem em qualquer outro espetáculo”, destacou.
Isso implica que o vocalista, Fausto Sousa, e a teclista, Fátima Pinho, cheguem ao local onde atuam de cadeira de rodas. “É um momento muito impactante para os alunos, porque muitos deles nunca viram um artista subir ao palco em cadeira de rodas”.
Em Viseu isso volta a acontecer, tal como o momento final, em que o público escolar convive com os músicos e pede autógrafos. “Devido à condição do Fausto e da Fátima, eles têm uma dicção complexa. Mas, se os adultos têm muitos constrangimentos em falar com pessoas assim, as crianças não têm e fazem perguntas, muitas delas ingenuamente desconfortáveis, que os adultos não têm coragem de fazer”.
Momentos como este, “contribuem para desbloquear a integração deste tipo de pessoas”, que vivem com deficiência física ou intelectual.
Em palco também vai estar o projeto A Voz do Rock, composto por avôs e avós que tocam maioritariamente versões de temas rock nacionais, de bandas como GNR e Xutos & Pontapés.
Em paralelo, AMDT tem procurado levar a escolas artistas que atuam festivais alternativos, “caso dos Máquina., Maria Reis ou 800 Gondomar”, procurando dar a ouvir e interpretar música diferente da que as crianças e jovens estão habituados a ouvir.
“É importante que ouçam outras coisas e percebam o que está a ser dito e não apenas as frases em ‘loop’ da música que habitualmente ouvem e que eles enraizam sem perceberem o que querem dizer”, referiu Vasco Silva.
Nas sessões também se aborda o que os alunos costumam ouvir. “Analisamos com eles o que é bem e mal feito e o que é pejorativo para vida deles”.
AMDT prossegue depois, de 11 a 13 de maio, em Vale de Cambra, no distrito de Aveiro, com oficinas e atuações de Unsafe Space Garden, Susie Filipe e MonchMonch.
No dia seguinte, 14 de maio, o projeto chega à Maceira, no concelho de Leiria, onde os 5.ª Punkada vão “mostrar que em palco não há limites quando há vontade de criar e partilhar”.
Ainda em maio há atividades em escolas de Loulé, no Algarve, nos dias 19 e 20, com artistas a anunciar.
Desde o início do ano, AMDT já passou por instituições de ensino de Torres Vedras, Mafra, Paredes e Sesimbra.