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A segunda edição do Jardim das Artes e das Letras (JAL) é dedicada aos artistas Manuel Alvess e Adília Lopes e conta com diversas atividades, incluindo cinco concertos, anunciou hoje a organização.
“Os artistas em foco são Manuel Alvess e Adília Lopes. Há uma coisa muito portuguesa, e principalmente viseense, é que só damos, muitas vezes, valor às pessoas quando elas morrem e nós queremos dar agora”, defendeu a organizadora do JAL, Sandra Oliveira.
A responsável destacou o viseense Manuel Alvess (1939-2009) como sendo “o artista dos artistas, pouco conhecido em termos populares e extremamente conceituado e relevante na comunidade artística”.
Assim como Adília Lopes (que nasceu em Lisboa – 1960-2024), “uma das maiores poetisas portuguesas, que morreu há pouco tempo” e “foi acusada de ser coloquial no seu discurso, mas as camadas de conhecimento e sensibilidade que tem nos textos são hoje considerados património nacional”
Os dois artistas foram reunidos numa única edição “porque ambos trabalham o quotidiano e banal de uma forma irónica e satírica para a sociedade” e foram “precursores e artistas muito avançados no seu tempo”.
Manuel Alvess e Adília Lopes foram a base para Patrícia Portela, desafiada por Sandra Oliveira, criar uma instalação vídeo e um peddy-paper poético no Parque Aquilino Ribeiro, onde decorre o JAL, entre 25 de junho e 05 de julho.
Assim como a própria Sandra Oliveira terá diariamente no parque da cidade, “após o lusco-fusco” uma instalação audiovisual intitulada “Ode a Alvess e Lopes”.
Durante semana e meia de programação, é possível assistir a cinco concertos: Miguel Berkemeier apresenta “Sinfonia da Natureza”; Pedro Rebelo, Michael Speers e Simon Waters apresentam-se como os Rebelo Speers Waters Trio; Joana Gama e Luís Fernandes sobem ao palco com “Strata”.
Há ainda o concerto de KIK, dupla composta por Jonathan Uliel Saldanha e João Pais Filipe, e os universos sonoros da flauta, do clarinete e da voz de Carmen Villain.
Entre as dezenas de atividades “pensadas para pais e filhos usufruírem juntos” estão também instalações, teatro, performances e “muitas e diversificadas oficinas” desde a carpintaria, com um arquiteto paisagista e um artista belga, a um específico para músicos profissionais.
O parque da cidade tem também “estruturas em permanência” em todo o espaço para usufruir e algumas acolhem iniciativas como uma feira do livro que conta com “as melhoras livrarias do país no que diz respeito à literatura infantil”.
“É um espaço aberto, uma promessa de sensações e de sentidos. Um convite a habitar o presente. Vivemos momentos geopolíticos e sociais dramáticos, numa velocidade extemporânea, quer física, quer digital, que não nos permite apreender a informação e toda esta programação é um convite a essa calma, a estarmos uns com os outros e a podermos pensar e pensar não é uma coisa triste, é necessária para viver melhor”, defendeu.
Esta responsável acrescentou que “pensar e divertir também é possível” e, por isso, a programação deste ano foi também pensada em ser “um contraponto a esta velocidade”.
A fundadora e diretora da associação Pausa Possível, entidade responsável pela organização, disse que o Jardim das Artes e Letras acontece “muito graças aos parceiros”, já que sustentam uma “boa parte” do custo do evento.
O Jardim das Artes e Letras recebe 60 mil euros de financiamento da Direção-geral das Artes e 30 mil da Câmara Municipal de Viseu, “mas o custo real é de quase o triplo do apoio direto” recebido.