No coração verde do concelho de Viseu, Côta é uma aldeia onde…
Nasceu, em Cinfães, a Quinta da Maria, um projeto turístico com alma…
No coração do Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros, há…
Depois de oito meses de trabalho artístico e comunitário, o projeto Soni Drom apresenta o espetáculo Da Balsa até à Lua, uma criação coletiva que sobe ao palco do Teatro Viriato, em Viseu, no próximo dia 4 de julho, às 21h. O espetáculo assinala o culminar de um percurso de inclusão social através das artes, desenvolvido com crianças e jovens do Bairro da Balsa e de outros contextos da cidade, afirmando a criação artística como espaço de encontro, participação e transformação.
Promovido pela Associação Mundo em Reboliço, em parceria com a Cáritas Diocesana de Viseu, Soni Drom – expressão romani que significa “Sonho em Movimento” – reuniu dezenas de participantes num processo de formação, experimentação artística e criação coletiva orientado pela coreógrafa Filipa Francisco.
O projeto nasceu no Bairro da Balsa, um bairro social onde vivem várias famílias ciganas e que continua a ser alvo de estigmas na cidade. Mais do que desenvolver competências artísticas, a iniciativa procurou criar oportunidades de encontro entre jovens de diferentes origens, promovendo o reconhecimento da diversidade cultural e combatendo preconceitos através da prática artística, explica a Associação.
Ao longo de oito meses, os participantes integraram oficinas semanais de expressão dramática, escrita de letras, dança, movimento, música, teatro, dramaturgia e expressão corporal, orientadas por artistas convidados como José Pedro Ramos, Frankão “O Gringo Sou Eu”, Catarina Keil, Ana Bento, Mariana Silva, Pedro de Aires e Bernardo Chatillon. O processo incluiu ainda residências artísticas e momentos de criação coletiva que deram forma ao espetáculo agora apresentado ao público.
A dramaturgia de Da Balsa até à Lua nasceu de uma pergunta simples lançada logo no início do projeto: “Quais são os vossos sonhos?”. A resposta foi construída a partir das histórias, memórias e desejos dos participantes, mas acabou por encontrar o seu centro em dois sonhos de Delinha, a mais nova do grupo.
O primeiro era poder celebrar o seu aniversário sem que os amigos tivessem receio de entrar no Bairro da Balsa. O segundo era tornar-se a primeira mulher a viajar até à Lua.
Entre estes dois desejos nasceu uma narrativa sobre pertença e esperança. O espetáculo transforma o Bairro da Balsa num lugar de encontro e convida o público a olhar para este território para além dos estereótipos, propondo uma viagem onde a Lua deixa de representar uma utopia distante para se tornar um espaço simbólico de acolhimento e futuro.
Se o projeto começou dirigido à comunidade cigana do Bairro da Balsa, rapidamente se transformou num espaço de encontro entre pessoas com percursos muito distintos.
Em palco estarão crianças e jovens da comunidade cigana, membros da banda criada durante o projeto, jovens bailarinos de origem angolana que frequentam o apoio ao estudo no bairro, alunos da Escola Lugar Presente, músicos da escola de Ana Bento, o guitarrista Ari Monteiro, do grupo La Família Gitana, e bailarinos profissionais.
Esta diversidade reflete a própria evolução do projeto, que foi agregando participantes de diferentes contextos sociais e culturais, criando uma comunidade artística onde o gesto, a música, a palavra e a dança se tornaram linguagem comum.
A direção artística é de Filipa Francisco, com assistência de Marta Coutinho. A direção musical está a cargo de Ana Bento, contando ainda com a interpretação dos bailarinos profissionais Catarina Keil, Mariana Silva e Pedro de Aires. Os figurinos são de Ainhoa Vidal, o vídeo de Tomás Pereira e o desenho de luz de Cárin Geada. A coordenação do projeto é de Rita Maia.
Criado pela associação Mundo em Reboliço, o Soni Drom integra uma prática continuada de criação artística em contexto comunitário, procurando afirmar a cultura como instrumento de cidadania.
Ao longo de todo o processo, o projeto valorizou as identidades culturais dos participantes, promoveu o desenvolvimento da autoestima, da criatividade e da confiança, ao mesmo tempo que abriu espaço para o encontro entre comunidades que raramente se cruzam no quotidiano.