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A aldeia de Valezim, no concelho de Seia, volta a ser o cenário do festival Ocupar a Velga, de 03 a 08 de agosto, com espetáculos de teatro, dança, performance, cinema, oficinas, sessões de leitura, conversas e convívio.
“Num tempo marcado pela aceleração, pela fragmentação e pelo isolamento, reunir pessoas em torno de experiências artísticas continua a parecer-nos um ato profundamente relevante”, afirmam os programadores Filipe Metelo, Patrícia Soares e Sandra Cardoso, citados num comunicado enviado à agência Lusa.
O festival, que já vai na quinta edição, faz este ano uma “abordagem mais leve e festiva” das temáticas que têm norteado o Ocupar a Velga, como comunidade, memória, identidade, território e participação.
O evento é organizado pela Produção D’Fusão, que programou espetáculos de teatro, dança, performance, cinema, oficinas, sessões de leitura, conversas e momentos de convívio, reunindo artistas e comunidade.
“Sabemos que diferentes pessoas se relacionam de formas distintas com a arte. Essa diversidade permite-nos chegar a públicos mais amplos e criar oportunidades de descoberta. Ao mesmo tempo, interessa-nos proporcionar experiências que incentivem a curiosidade”, realçam os programadores.
A programação arranca a 03 de agosto com o “MiniLab”, uma oficina de artes performativas orientada por Margarida Mestre para crianças e jovens dos 6 aos 13 anos.
Sob o mote “Em Valezim Plim! Acontece um lugar”, os participantes são desafiados a olhar para a aldeia “como matéria de construção e invenção”.
Até 6 de agosto serão recolhidas histórias e memórias de Valezim (concelho de Seia, distrito da Guarda) para a criação artística “Novelga”, de Catarina Requeijo e Manuela Pedroso, que tem estreia prevista para 2027.
No teatro, Sara Inês Gigante apresentará o espetáculo “Popular” no dia 05 de agosto.
Trata-se de uma criação que “cruza autoficção, humor e reflexão sobre os conceitos de popularidade, cultura de massas e participação coletiva”.
No dia seguinte sobe ao palco “Mulher Enciclopédia”, de Poliana Tuchia e Keli Freitas, sobre “memórias familiares, silêncio e resistência através do humor, da ironia e da desobediência”.
Para 7 de agosto está agendada a estreia da performance-percurso “Descrição de uma paisagem”, de Mónica Calle e do Coro das Mulheres da Fábrica.
Trata-se de uma criação inédita para o Ocupar a Velga, em que a encenadora e mais de 30 mulheres apresentam “uma experiência coletiva (…), questionando o que nos une e como podemos encontrar formas de resistência através dos corpos, das vozes e da memória”.
No dia 8 de agosto serão exibidas curtas-metragens infantis, numa parceria com o Festival Play.
O Ocupar a Velga termina a 8 de agosto com o espetáculo “Também se matam cavalos”, de Francisco Thiago Cavalcanti & Um cavalo disse mamãe, que “explora a liberdade, a resistência e os limites entre loucura e imaginação”.
Durante o festival haverá uma tertúlia dedicada à biodiversidade da Serra da Estrela, em parceria com o CERVAS (Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens), e uma sessão de leitura com Maria Beatriz Seabra.
A organização recorda que a velga é, na tradição oral, o nome dado aos campos nas encostas da Serra da Estrela onde se cultivava batata, milho e centeio.
“Inspirado no próprio território e na vontade de o ocupar e de o aproximar das artes performativas, nasceu o festival Ocupar a Velga, para contrariar a ideia de que a oferta cultural de qualidade está reservada aos grandes centros urbanos”.
Para os programadores, “chegar à quinta edição representa a confirmação de que o projeto encontrou o seu lugar. (…) Sentimos que existe uma consolidação da identidade do festival, dos seus princípios e da relação construída com o território”.
O Ocupar a Velga é financiado pela DGArtes (Direção-Geral das Artes) com o apoio de BPI/Fundação La Caixa, Câmara Municipal de Seia e Junta de Freguesia de Valezim.